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Trump volta à China pela 1ª vez desde 2017: o que mudou na relação entre os países?

por SampaNews 14 de maio de 2026
14 de maio de 2026
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Donald Trump volta a visitar a China após quase 10 anos numa fase que pode ser considerada como um tenso cessar-fogo na segunda guerra comercial travada pelos Estados Unidos com o gigante asiático – conflitos que ele mesmo iniciou em 2018 e 2025, com a imposição de tarifas e sanções.

Em novembro de 2017, quando esteve em território chinês em seu primeiro mandato, Trump cumpriu um roteiro que está sendo copiado agora: além de seus negociadores oficiais, como os secretários de Estado e de Comércio, levou na comitiva vários CEOs de grandes companhias.

O resultado, na ocasião, foram as assinaturas de 37 acordos entre companhias americanas e chinesas num valor somado superior a US$ 250 bilhões. E a China também se comprometeu em comprar US$ 200 bilhões em produtos americanos até 2021.

Leia também: Trump e Xi avaliam cortes de tarifas sobre US$ 30 bi de importações de EUA e China

Só que a realidade se apresentou mais complicada. A redução do déficit comercial americano com a China, uma promessa de campanha de Trump, sequer foi iniciada. Além disso, não foram obtidos avanços em questões políticas em temas sensíveis como Hong Kong, Taiwan, ou em promessas de avanços no respeito aos direitos humanos, os EUA.

Nesse meio tempo, ocorreu ainda a pandemia de Covid-19 e o fato de Trump se referir com frequência ao novo coronavírus como o “vírus chinês” não ajudou muito em termos diplomáticos.

Mais recentemente, a China foi uma das economias mais atingidas pela interrupção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das consequências da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

Leia também: Trump diz que não precisa da ajuda de Xi Jinping em relação ao Irã

Sanções e tarifas

O fato é que menos de um mês após voltar de Pequim, Trump passou a assinar ordens executivas sancionando empresas e pessoas da China. E elevou tarifas para diversos produtos.

Segundo dados oficiais, entre 2017 e 2021, o governo Trump emitiu oito ordens executivas que envolviam principalmente a China, além de outras sete ordens executivas que não tinham a China como alvo explícito, mas afetaram áreas de política importantes relacionadas à relação EUA‑China. Algumas medidas foram tomadas dias antes de o presidente Joe Biden assumir a cadeira principal do Salão Oval da Casa Branca.

Além dessas 15 ordens executivas, uma comissão do Congresso identificou 116 medidas relacionadas à China adotadas pela Casa Branca e por outros departamentos e agências do Poder Executivo naquele período.

Na parte comercial, entre julho de 2018 e agosto de 2019, os Estados Unidos anunciaram planos para impor tarifas em mais de US$ 550 bilhões em produtos chineses — e a China retaliou com tarifas sobre mais de US$ 185 bilhões em produtos americanos.

Na administração Biden, não houve esforços para piorar a relação, embora elas também não tenham melhorado muito — a tarifa média dos EUA sobre exportações chinesas avançou de 19,3% para 20,7%. O democrata preferiu adotar planos de incentivo à produção local, como no caso dos chips. O confronto aberto mudou para o uso de expressões menos antagônicas com a China, como cooperação e competição.

Com o início da nova gestão Trump no ano passado, a guerra comercial aberta voltou. Segundo cálculos do Petersen Institute for International Economics, as tarifas dos EUA sobre a China hoje são mais de 15 vezes maiores do que antes do início da primeira guerra tarifária, em 2018.

No total, o aumento de 26,8 pontos percentuais na tarifa média dos EUA sobre importações da China durante o segundo mandato de Trump é 10 pontos percentuais maior do que o aumento médio de 16,2 pontos percentuais na tarifa total sobre importações dos EUA da China durante todo o primeiro governo Trump, que durou de 20 de janeiro de 2017 a 20 de janeiro de 2021.

Em artigo para a Foreign Affairs, Henrietta Levin, pesquisadora sênior do Center for Strategic and International Studies (CSIS), analisa que Washington têm usado o conteúdo e o ritmo da diplomacia EUA-China para tranquilizar os parceiros de que os Estados Unidos não vão escalar imprudentemente as tensões com a China, nem se reconciliariam irresponsavelmente com Pequim.

“Essa mensagem foi vital para construir confiança com parceiros que temiam, por um lado, que as tensões entre EUA e China se transformassem em conflito, e, por outro, que Washington e Pequim fechassem um acordo às custas de outros países”, comenta.

Ela explica que países da Ásia não querem que os Estados Unidos escalem as tensões por causa de Taiwan a ponto de o conflito se tornar mais provável. No entanto, também não querem que os Estados Unidos cheguem a um acordo com a China que permita ao continente estabelecer mais facilmente o controle da ilha, o que abriria caminho para a dominação chinesa na região e restringiria a liberdade de ação de terceiros países.

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