
A Meta está começando a vender assinaturas para consumidores do seu chatbot Meta AI pela primeira vez, um passo importante para construir uma nova linha de receita que ajude a compensar centenas de bilhões de dólares em investimentos da empresa em inteligência artificial.
As novas assinaturas terão dois níveis. O plano básico, chamado Meta One Plus, custará US$ 7,99 por mês e é voltado para pessoas que usam o Meta AI com frequência para gerar imagens e vídeos ou dependem dele para tarefas de raciocínio mais prolongadas, segundo um porta-voz da companhia.
Um plano mais avançado, chamado Meta One Premium, custará US$ 19,99 por mês e incluirá o mesmo conjunto de recursos do Meta One Plus, mas em quantidades maiores, acrescentou o porta-voz. A assinatura do Meta AI está sendo lançada inicialmente em Singapura, Guatemala e Bolívia, com planos de expansão para outros países mais adiante.
Usuários poderão continuar usando o chatbot Meta AI gratuitamente para geração de imagens e vídeos, mas eventualmente encontrarão um limite com o uso repetido. A Meta preferiu não detalhar os limites de uso de cada nível, mas afirmou que o plano Premium oferece uma quantidade significativamente maior de uso do que o plano básico.
As ações da Meta, que vinham caindo levemente nesta quarta-feira, saltaram mais de 3% após o anúncio. No acumulado do ano, o papel recua cerca de 4%.
O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, vem sendo pressionado por investidores a demonstrar que sua aposta bilionária em IA vai se traduzir em receitas relevantes. Zuckerberg prometeu gastar pelo menos US$ 600 bilhões em infraestrutura de IA nos próximos anos, e a empresa está construindo atualmente um data center na Louisiana que deverá custar pelo menos US$ 200 bilhões. Na teleconferência de resultados de abril, investidores reagiram mal ao anúncio de que os investimentos em capital (capex) deste ano seriam maiores do que o inicialmente estimado.
A Meta defende há tempos que seus investimentos em IA já estão dando retorno na forma de publicidade altamente segmentada e eficiente, aprimorada pelos modelos de IA. Mas a companhia também busca outras formas de recuperar esse gasto, e assinaturas de chatbots para consumidores se tornaram populares entre concorrentes como o Google, da Alphabet, e a OpenAI. Ambos oferecem planos de assinatura em faixas de preço semelhantes.
As assinaturas dos produtos da Meta, reunidos sob o programa Meta One, estão ganhando peso dentro da estratégia da gigante de mídia social, que tenta diversificar um negócio ainda quase totalmente dependente da publicidade.
A Meta vem testando assinaturas para WhatsApp, Instagram e Facebook e pretende expandir essas ofertas globalmente, disse Helen Ma, chefe de assinaturas da companhia, em entrevista. Esses planos variam entre US$ 2,99 e US$ 3,99 por mês, dependendo do mercado, e os usuários também poderão comprá-los em formato de pacote, acrescentou Ma. Quem assinar o Meta AI também terá acesso às ofertas específicas de cada app.
A empresa também está lançando produtos de assinatura atualizados para empresas e criadores de conteúdo. Esses incluem dois novos níveis: Meta One Essential, a US$ 14,99 por mês, e Meta One Advanced, a US$ 49,99 por mês. O plano mais caro inclui acesso a suporte humano para as páginas de Instagram e Facebook do usuário, algo que historicamente foi um ponto de frustração para pequenos negócios que usam os produtos da Meta.
A Meta espera, no futuro, vender acesso a agentes de IA em conjunto com essas ofertas, disse Ma.
As assinaturas ainda representam uma fatia muito pequena dos negócios da Meta. A empresa reportou US$ 1,29 bilhão em “receitas não publicitárias” no primeiro trimestre, categoria que inclui taxas de assinatura, mas também vendas de hardware como os óculos Meta AI e headsets de realidade virtual. Já o negócio de publicidade somou mais de US$ 55 bilhões em vendas no mesmo período.
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