A Chery está realmente interessada em entrar no segmento de picapes. Depois da Himla, a fabricante chinesa está finalizando o desenvolvimento de um segundo modelo. Conhecido até agora como projeto KP31, a caminhonete foi batizada na Austrália como Stockman e teve suas primeiras imagens oficiais divulgadas pela marca.
Para ganhar espaço no segmento, a picape média apostará em uma arquitetura híbrida plug-in que busca um diferencial importante: combinar a eletrificação com um motor a diesel. Essa combinação é inédita até mesmo na China e é isso que a Chery quer aproveitar, com planos de lançar o veículo no mercado global a partir do final de 2026.
Será um diferencial importante. As outras marcas tem utilizado outros tipos de eletrificação nas picapes. A Toyota, por exemplo, colocou um sistema híbrido leve na Hilux e lançou uma versão elétrica. Já a Ford tem a Ranger PHEV com motor a gasolina, algo que a Volkswagen fará com a nova Amarok feita na Argentina – aproveitando um conjunto mecânico chinês, da SAIC.
Enquanto as conterrâneas apostam na gasolina para compor seus conjuntos eletrificados, a Chery tenta atrair o consumidor mais tradicional de picapes mantendo o diesel como combustível. A estratégia faz sentido para regiões que valorizam a força bruta, como a Oceania e a América Latina, embora a marca ainda não tenha confirmado esta picape para o Brasil.
A Oceania tem um peso especial na estratégia da Chery, a ponto de que a fabricante fez uma votação para o público escolher o nome da picape. O mais votado entre os mais de 20.000 nomes sugeridos foi Stockman, um batismo que tem um histórico na Austrália: foi uma picape baseada no Suzuki Jimny, vendida no país entre 1970 e 2000.

O conjunto mecânico da caminhonete utiliza um motor 2.5 biturbo a diesel trabalhando em paralelo com um sistema elétrico posicionado no eixo traseiro. O propulsor térmico entrega 286 cv e robustos 66,3 kgfm, desenvolvido para entregar um índice de eficiência térmica de 47%, reduzindo o consumo de combustível. A bateria tem capacidade para entregar até 170 km de autonomia puramente elétrica.
A picape não vai abrir mão da arquitetura clássica da categoria. O utilitário utiliza a construção de chassi de longarinas e oferece uma caixa de transferência mecânica com reduzida. O sistema 4×4 conta ainda com três diferenciais blocantes independentes (dianteiro, central e traseiro). Com esse pacote, o modelo atinge uma capacidade de carga de 1.000 kg e poder de reboque de 3.500 kg.

Construída sobre a plataforma Kaitan, a picape exibe medidas que a colocam no topo do segmento médio. São 5,45 m de comprimento, 1,92 m de largura e 1,92 m de altura – como comparação, a Toyota Hilux mede 5,33 m.
O visual adota linhas retas, marcadas por uma grade dianteira bastante larga e faróis de led circulares. A caçamba foi posicionada em uma altura mais elevada sobre o chassi para evitar a invasão das caixas de roda no compartimento de carga.

Na cabine, a fabricante seguiu a tendência de entregar refinamento de utilitário esportivo. O painel conta com uma tela dupla flutuante que concentra os instrumentos e a central multimídia. O ambiente traz ainda volante de couro, seletor de marchas eletrônico, bancos aquecidos, ar-condicionado automático e teto solar panorâmico.
