A PF (Polícia Federal) deve concluir nos próximos 30 dias o inquérito que apura a responsabilidade criminal pela queda do voo 2283 da Voepass, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, em agosto de 2024. A previsão foi repassada nesta terça-feira (30) durante uma reunião entre investigadores, advogados e representantes da associação de familiares das vítimas, realizada em Campinas.
Segundo os advogados que acompanham o caso, a expectativa é que o inquérito seja finalizado em julho e encaminhado ao MPF (Ministério Público Federal), etapa que poderá resultar em indiciamentos de pessoas e empresas envolvidas na tragédia.
Durante o encontro, os familiares também tiveram acesso, pela primeira vez, ao laudo pericial da Polícia Federal, com mais de 200 páginas, que reúne as conclusões técnicas da investigação e inclui a transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave da Voepass momentos antes da queda.
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Famílias aguardam responsabilização
Após a reunião, o advogado das famílias, Luciano Katarinhuk, afirmou que a investigação entrou na fase final e que o relatório reúne elementos que podem embasar futuras responsabilizações.
“O que a gente pode dizer e antecipar para a imprensa é que os trabalhos que há dois anos vêm sendo desenvolvidos agora chegaram na reta final e serão concluídos nos próximos 30 dias, com novidades, com indiciamentos”, afirmou.
Os familiares optaram por ler apenas a transcrição dos diálogos entre os pilotos, sem ouvir os áudios gravados na cabine.
Para Adriana Ibba, vice-presidente da associação de familiares e mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais nova da tragédia da Voepass, o conteúdo técnico apresentado não trouxe surpresa. Ela afirmou que a expectativa agora é pela responsabilização criminal dos envolvidos.
“Nós vamos trabalhar para que a justiça aconteça. Nós não vamos aceitar que fique só na culpa de piloto com piloto, até porque seria muito conveniente. Houve, sim, erro e houve culpa de outras pessoas.”
Além da esfera criminal, a associação informou que pretende ingressar com uma ação civil coletiva por danos morais.

Laudo do Cenipa ainda é aguardado
Embora a Polícia Federal tenha concluído sua perícia, a conclusão definitiva das investigações ainda depende do relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
O documento da Aeronáutica é considerado fundamental para encerrar a apuração técnica sobre as causas do acidente.
No sistema de acompanhamento do Cenipa, a investigação permanece em andamento, com cerca de 75% dos trabalhos concluídos. A última atualização informa que ainda são realizadas análises sobre os sistemas da aeronave, fatores humanos e aspectos psicológicos relacionados ao acidente.
Relembre o caso
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) na tarde de 9 de agosto de 2024, uma sexta-feira, véspera do Dia dos Pais.
Por volta das 13h20, a aeronave caiu dentro de um condomínio residencial no bairro Capela, em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram.
As investigações da Polícia Federal e do Cenipa começaram logo após o acidente. Duas semanas depois, a PF passou a analisar os dados das caixas-pretas da aeronave em conjunto com o Instituto Nacional de Criminalística e o Cenipa, após autorização judicial para o compartilhamento das informações.
Enquanto a investigação criminal busca identificar eventuais responsabilidades penais, o relatório do Cenipa tem como objetivo apontar os fatores que contribuíram para o acidente e orientar medidas para prevenir novas ocorrências.
Voepass perdeu autorização para operar
No âmbito administrativo, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) suspendeu as operações da Voepass em março de 2025.
Três meses depois, a agência cassou definitivamente o certificado da Voepass por dois anos e aplicou multa de R$ 570 mil, impedindo a empresa de realizar voos comerciais durante o período.
Coloca que procurada pelo Grupo EP, a defesa da Voepass não se pronunciou.
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