Depois de ultrapassar pela primeira vez a marca de R$ 900 e atingir o maior valor da série histórica em junho, a cesta básica ficou 10,24% mais barata em Campinas em julho. O custo recuou de R$ 902,12 para R$ 809,75, segundo levantamento do Observatório PUC-Campinas.
A queda foi a maior entre Campinas e as capitais do Sudeste acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O principal responsável pelo alívio foi o tomate, cujo preço caiu 46,62% em um mês.
Também ficaram mais baratos a batata (-33,26%), o açúcar (-6,15%), a banana (-4,28%) e a carne (-2,12%).
O movimento interrompeu a escalada registrada em junho, quando a cesta havia atingido R$ 902,12, recorde desde o início do monitoramento do Observatório, em setembro de 2022.
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Campinas tem maior queda do Sudeste
A redução dos preços dos alimentos básicos ocorreu em diferentes partes do país, mas foi mais intensa em Campinas na comparação com as capitais do Sudeste pesquisadas pelo Dieese.
Veja as variações em julho:
- Campinas: -10,24%;
- Belo Horizonte: -7,44%;
- Rio de Janeiro: -7,12%;
- Vitória: -5,76%;
- São Paulo: -5,23%.
Cesta ainda consome metade do salário mínimo
Mesmo com a redução, o custo dos alimentos básicos continua representando uma parcela significativa da renda. Considerando o salário mínimo de R$ 1.621, uma cesta de R$ 809,75 corresponde a 49,95% do valor mensal.
O levantamento considera que uma cesta atende às necessidades alimentares de um trabalhador adulto durante um mês.
Para uma família formada por dois adultos e duas crianças, a estimativa utilizada pela pesquisa corresponde a três cestas. Nesse cenário, somente os alimentos básicos custariam R$ 2.429,25 por mês.
Preço havia batido recorde em junho
A queda de julho ocorre logo depois de um mês de forte pressão sobre o orçamento das famílias. Em junho, a cesta básica havia subido 1,91% e alcançado R$ 902,12. Na ocasião, o valor estava 11,35% acima do registrado 12 meses antes.
O feijão foi um dos principais responsáveis pelo avanço naquele mês, com alta de 13,93%. Banana e açúcar também ficaram mais caros, com aumentos de 4,82% e 3,24%, respectivamente.
A alta coloca a redução de impostos sobre alimentos entre os efeitos mais aguardados da reforma tributária pelos consumidores da região. A nova legislação, aprovada em janeiro, prevê alíquota zero de IBS e CBS para produtos essenciais.
O contador Bruno Loreno, da Move Contabilidade e especialista em reforma tributária, alerta, no entanto, que o benefício tributário não será necessariamente repassado de forma integral aos preços dos supermercados.
“A tributação é apenas uma parte do preço. O consumidor de Campinas continuará sujeito a custos de produção, transporte, energia, salários e margens comerciais. A alíquota zero pode reduzir a pressão tributária, mas o resultado dependerá de quanto desse benefício será efetivamente repassado”, explica.
Durante a transição, que será completa somente em 2033, será necessário observar também a classificação de cada produto. Um alimento básico poderá receber tratamento diferente de uma versão industrializada ou preparada.
Para o especialista, a melhor forma de medir o impacto será acompanhar a evolução dos preços locais, e não apenas comparar as alíquotas previstas na legislação.
“A pergunta não é somente quanto imposto o produto terá, mas se a redução chegará à prateleira. Em uma cidade onde a cesta já passa de R$ 900, essa diferença terá efeito direto sobre o orçamento das famílias”, reforça.
O que entra na cesta básica?
O Observatório PUC-Campinas acompanha os preços de 13 alimentos, seguindo a metodologia utilizada pelo Dieese e as quantidades previstas para a Região Sudeste.
São eles:
- Açúcar: 3 kg;
- Arroz: 3 kg;
- Café: 600 g;
- Farinha: 1,5 kg;
- Feijão: 4,5 kg;
- Leite: 7,5 litros;
- Manteiga: 750 g;
- Óleo: 750 ml;
- Banana: 90 unidades;
- Batata: 6 kg;
- Carne: 6 kg;
- Pão francês: 6 kg;
- Tomate: 9 kg.
Como é feita a pesquisa?
O Observatório PUC-Campinas monitora o valor da cesta básica no município desde setembro de 2022.
Para chegar ao preço mensal, os pesquisadores coletam os valores dos produtos em 28 supermercados localizados em bairros próximos à região central de Campinas.
A pesquisa é feita entre a segunda e a terceira semana de cada mês, sempre no mesmo dia, para reduzir a influência de promoções pontuais nos estabelecimentos.

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