O número de clínicas e consultórios odontológicos interditados pela Vigilância Sanitária de Campinas disparou nos últimos anos. Dados divulgados nesta quarta-feira (6), no Dia Nacional da Vigilância Sanitária, mostram que as interdições cresceram 280% entre 2024 e 2025, passando de 10 para 38 estabelecimentos.
Em 2026, apenas no primeiro semestre, a cidade já contabiliza 44 interdições, número superior ao registrado durante todo o ano passado.
Os dados também apontam aumento expressivo nas autuações. Em 2024, foram emitidos 113 autos de infração no setor odontológico. No ano seguinte, o total saltou para 263, um crescimento de 133%. Neste ano, até junho, já foram registradas 73 autuações.
Campinas possui 1.829 clínicas e consultórios odontológicos sujeitos à fiscalização da Vigilância Sanitária, que acompanha, ao todo, 103.549 estabelecimentos com atividades relacionadas à saúde. O trabalho é realizado por uma equipe de 79 servidores, sendo 64 autoridades sanitárias e 15 agentes administrativos. Na área odontológica, a fiscalização é conduzida por cinco cirurgiões-dentistas.
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Interdições já superam todo o ano de 2025
A evolução dos números mostra o reforço das ações de fiscalização no município.
Interdições em clínicas odontológicas:
- 2024: 10
- 2025: 38
- 2026 (1º semestre): 44
Já os autos de infração tiveram o seguinte comportamento:
- 2024: 113
- 2025: 263
- 2026 (1º semestre): 73
No último ano, considerando todos os segmentos fiscalizados, a Vigilância Sanitária interditou 1.050 estabelecimentos, entre farmácias, clínicas de estética, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e outros serviços de saúde. O número representa aumento de 35% em relação a 2024, quando foram registradas 779 interdições. Em 2026, até o momento, foram emitidos 495 autos de infração.
Além disso, o órgão realizou 2.632 inspeções em 2024, 2.689 em 2025 e 1.400 apenas no primeiro semestre de 2026.
Quais irregularidades levam à interdição?
Segundo a Vigilância Sanitária, as principais irregularidades encontradas em consultórios e clínicas odontológicas são:
- ausência de licença sanitária;
- estrutura física inadequada;
- falhas na esterilização de materiais;
- ausência de responsável técnico;
- descarte incorreto de resíduos.
Cada uma dessas situações pode representar riscos diretos aos pacientes, como contaminação durante procedimentos, transmissão de doenças, utilização de produtos vencidos ou armazenados de forma inadequada e atendimento realizado sem condições técnicas exigidas.
A fiscalização também encontrou casos de estabelecimentos funcionando sem qualquer licença e situações de exercício ilegal da profissão, principalmente na área da estética.

Caosos recentes
Casos recentes reforçam esse cenário. No mês passado, uma clínica odontológica no Centro de Campinas foi interditada após fiscais encontrarem falta de licença sanitária, problemas de higiene, sujeira em equipamentos, reutilização de materiais descartáveis e descarte irregular de resíduos.
Em março, a clínica odontológica de uma faculdade no Taquaral também foi interditada por irregularidades como ausência de licença de funcionamento, falhas na esterilização e estrutura inadequada.
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Como funciona a fiscalização?
A Vigilância Sanitária explica que toda inspeção tem, inicialmente, caráter orientativo. Após a vistoria, os fiscais avaliam o grau de risco à saúde.
Quando o risco é considerado grave, a interdição pode ocorrer imediatamente, com ou sem aplicação de multa. Já nos casos menos graves, o estabelecimento recebe prazo para corrigir as irregularidades. Se as adequações não forem feitas, sanções podem ser aplicadas.
A interdição não significa fechamento definitivo. Assim que todas as exigências são cumpridas, o estabelecimento pode voltar a funcionar. Em 2025, 67 locais foram desinterditados. Em 2026, esse número já chega a 57.

Como saber se uma clínica está regular?
Antes de realizar qualquer procedimento odontológico, a Vigilância Sanitária recomenda que os pacientes observem alguns cuidados:
- verificar se a licença sanitária está exposta em local visível;
- observar as condições de higiene do ambiente e dos profissionais;
- conferir a validade e a conservação dos produtos utilizados;
- esclarecer todas as dúvidas antes de iniciar o atendimento.
Também é possível consultar se uma clínica possui licença sanitária válida no portal da Vigilância Sanitária de Campinas.
Como denunciar irregularidades
Denúncias sobre irregularidades sanitárias podem ser feitas à Prefeitura de Campinas pelo telefone 156 ou pelo WhatsApp (19) 2116-0156.
Já dúvidas e orientações podem ser solicitadas diretamente à Vigilância Sanitária pelo telefone (19) 2515-7134 ou pelo e-mail devisa.sanitaria@campinas.sp.gov.br.
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