A Polícia Federal apresenta nesta quinta-feira (6) o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. O documento reúne as conclusões do inquérito criminal que apurou possíveis responsabilidades pelo desastre aéreo.
A apresentação será feita pelo superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, pelo delegado-chefe da Delegacia da PF em Campinas e pelo diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC).
Onde assistir à transmissão
A EPTV transmite ao vivo no Youtube da emissora, a partir das 13h30, a divulgação das conclusões da investigação criminal, destacando os principais pontos do relatório da Polícia Federal e os possíveis desdobramentos do caso.
Após a coletiva, a emissora também exibe os bastidores da cobertura jornalística do acidente, mostrando o trabalho das equipes de reportagem e ouvindo profissionais que atuaram na apuração da tragédia.
Já o g1 inicia a transmissão ao vivo às 14h, acompanhando a apresentação oficial do relatório final da Polícia Federal e repercutindo as informações divulgadas durante a coletiva.
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O que investiga a Polícia Federal?
Diferentemente da investigação técnica realizada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o inquérito conduzido pela Polícia Federal tem natureza criminal.
O objetivo é apurar se houve a prática de crimes e identificar eventuais responsabilidades individuais relacionadas ao acidente. Com a conclusão da investigação, caberá ao Ministério Público Federal (MPF) analisar o relatório e decidir se apresenta denúncia contra os indiciados.
Segundo apuração da EPTV, um dos investigados que deve ser indiciado é o então chefe dos pilotos da Voepass, além de outros integrantes da administração da companhia aérea.
Em nota enviada ao Grupo EP, a Voepass informou que só irá se manifestar após a divulgação oficial do relatório. O então chefe dos pilotos também não havia se pronunciado até a última atualização.
Qual a diferença entre a investigação da PF e a do Cenipa?
As duas investigações possuem finalidades distintas.
O trabalho da Polícia Federal busca verificar a existência de crimes e apontar eventuais responsáveis pelo acidente, podendo resultar em indiciamentos e, posteriormente, em uma denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público Federal.
Já a investigação do Cenipa tem caráter exclusivamente preventivo. O órgão analisa os fatores que contribuíram para o acidente para emitir recomendações de segurança e evitar que novas ocorrências semelhantes aconteçam. As conclusões do Cenipa não têm como objetivo atribuir culpa ou responsabilidade criminal.

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Relembre o acidente
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando um avião ATR 72-500 da Voepass, que fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial de Vinhedo.
As 62 pessoas a bordo, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. A aeronave atingiu o quintal de uma residência, mas nenhum morador ficou ferido.
O desastre é considerado uma das maiores tragédias aéreas registradas no Brasil nos últimos anos e motivou investigações paralelas da Polícia Federal e do Cenipa.

Mais sobre o acidente da Voepass: caixa-preta mostra piloto e co-piloto relatando falha no sistema de degelo antes de queda; veja diálogo
A análise da caixa-preta do avião da Voepass que caiu em Vinhedo, em agosto de 2024, revela que os pilotos enfrentaram sucessivos problemas no sistema de degelo antes da perda de controle da aeronave. O conteúdo faz parte do laudo elaborado pela PF (Polícia Federal), ao qual o Fantástico/TV Globo teve acesso.
Segundo a investigação, o equipamento responsável por impedir o acúmulo de gelo já apresentava falhas em voos anteriores. Mesmo assim, a aeronave continuou em operação.
No voo realizado entre Guarulhos e Cascavel, pouco antes da viagem que terminou em tragédia, o comandante comenta o desprendimento do gelo da aeronave.
Piloto: “O lá o gelo… o gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou.”
Após o pouso, o copiloto elogia a condução do voo.
Copiloto: “Muito bom, comandante”.
Em seguida, o comandante responde:
Piloto: “Chegamos vivos”.

Alertas no avião da Voepass começaram logo após a decolagem
De acordo com o laudo da PF, poucos minutos após a decolagem do voo que caiu em Vinhedo, surgiu um alerta indicando falha no sistema pneumático de degelo.
Piloto: “É o ‘Airframe’ que deu ‘fault’… pode tirar, pode tirar… pelo menos a gente já sabe que tá…”
Airframe (traduzido para o português como célula ou estrutura da aeronave) é o esqueleto mecânico de um avião ou helicóptero. Ele engloba a fuselagem, asas, trem de pouso e empenagem (cauda), mas exclui os motores e sistemas de propulsão
Um “fault” (falha) em avião é qualquer anomalia, defeito ou mau funcionamento em um sistema, componente ou instrumento da aeronave. Emite-se um alerta para a tripulação no painel (por exemplo, “AIRFRAME FAULT” para problema na estrutura), acionando luzes de aviso ou mensagens de erro.
Na sequência, enquanto discutiam as condições meteorológicas, o comandante fez uma comparação com um personagem conhecido do cinema.
Copiloto: “Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?”
Piloto: “Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá… Herbie, filme bem antigo.”
Segundo a Polícia Federal, o alerta AIRFRAME FAULT indicava uma falha no sistema responsável pelo degelo da estrutura da aeronave. O manual do fabricante determinava que, diante dessa condição, a tripulação deixasse imediatamente a área com formação de gelo. Os dados analisados, porém, indicam que isso não ocorreu.

“Essa b… não tá funcionando”
Já na aproximação para São Paulo, quase uma hora depois da decolagem, o acúmulo de gelo volta a ser tema da conversa na cabine do avião da Voepass.
Copiloto: “Bastante gelo.”
Ao tentar novamente acionar o sistema, ele diz:
Copiloto: “Ligar o airframe.”
O comandante responde:
Piloto: “Essa bosta não tá funcionando, né?”
Copiloto: “É.”
Na sequência, os registros captam novas manifestações da tripulação:
Copiloto: “Gelo.”
Alarme de estol – 48 segundos.
O alarme de estol é um sistema de aviso na cabine que alerta os pilotos antes que a aeronave perca a sustentação. Ele dispara quando o avião voa com um ângulo de inclinação muito alto em relação ao vento, avisando que a velocidade está prestes a ficar insuficiente.
Copiloto: “Gelo.”
Segundo o laudo, os computadores de bordo passaram a emitir uma sequência de alertas, incluindo avisos de perda de desempenho e recomendação para aumento de velocidade. Em seguida, o avião entrou em estol, perdeu sustentação, entrou em parafuso e caiu.
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