A vendedora Eliane do Carmo Pereira, de 42 anos, vítima de feminicídio em Valinhos, participava havia cerca de três anos de um grupo de trilhas da região e encontrava nas caminhadas uma “válvula de escape” da rotina. Ela, no entanto, havia deixado de frequentar os encontros cerca de oito meses antes de ser morta pelo marido.
Segundo Cristiana Novais, de 50 anos, administradora do Trilheiros Campinas e amiga de Eliane, a vendedora costumava participar das atividades praticamente todos os fins de semana e criou laços de amizade com outras integrantes do grupo, inclusive moradoras de Valinhos.
O afastamento de Eliane chamou a atenção dos amigos. Cristiana contou, em entrevista ao G1/Grupo EP, que não sabe o motivo que levou a vendedora a deixar as caminhadas, mas acredita que a decisão possa ter relação com o relacionamento dela com Márcio de Souza Milani, de 40 anos, apontado como autor do feminicídio.
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Segundo a amiga, as trilhas representavam um momento de liberdade e lazer para Eliane, que permaneceu aproximadamente oito meses distante do grupo antes do crime.
Márcio tentou tirar a própria vida após matar a esposa e foi internado na Santa Casa de Valinhos, onde permanece sob escolta. Segundo a Polícia Civil, ele será preso após receber alta médica.
Eliane já havia conseguido uma medida protetiva contra o marido e, quatro meses antes do crime, denunciou à polícia um plano dele contra a vida dela.
Discreta sobre a vida pessoal
Cristiana descreveu Eliane como uma pessoa reservada, que dificilmente comentava com os amigos os problemas enfrentados na vida pessoal.
Foi somente após uma caminhada realizada no ano passado que a vendedora falou sobre algumas das dificuldades vividas dentro de casa. Na ocasião, segundo Cristiana, Eliane também mencionou problemas do marido relacionados ao vício em apostas.
A morte provocou comoção entre os integrantes do Trilheiros Campinas, grupo que promove caminhadas há 11 anos na região e reúne milhares de seguidores nas redes sociais.

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Homenagem
Após a morte de Eliane, o grupo publicou uma homenagem nas redes sociais:
“Hoje não temos forças para falar sobre trilhas. Hoje, o nosso coração está em luto.
A família Trilheiros Campinas perdeu uma amiga, uma companheira de caminhada, uma mulher que esteve conosco por muitos anos, compartilhando sorrisos, desafios, paisagens e momentos que ficarão para sempre em nossa memória.
Infelizmente, ela foi mais uma vítima do feminicídio.
Mesmo após enfrentar ameaças e contar com medida protetiva, sua vida foi interrompida de forma cruel. Uma tragédia que nos revolta, nos entristece profundamente e nos faz refletir sobre a urgência de combater toda forma de violência contra a mulher.
Hoje choramos por ela. Choramos pela sua família, pelos amigos e por todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
Que Deus conforte o coração de seus familiares e conceda força para atravessar uma dor que não deveria existir.
Também fazemos um apelo: não podemos tratar essa violência como algo comum. Precisamos ouvir, acolher, denunciar, proteger e agir. Cada vida importa. Nenhuma mulher deveria viver com medo. Nenhuma medida protetiva deveria ser insuficiente para salvar uma vida.
Em respeito à sua memória, seguiremos levando conosco o carinho, a alegria e as lembranças que ela deixou em cada caminhada.”
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