Um chatbot que não usa inteligência artificial (IA), modelo de linguagem ou algoritmo para responder aos usuários já recebeu mais de 100 mil perguntas desde abril. Criado pelo ex-funcionário do Google Tucker Bryant, de 32 anos, o ChatTJB funciona com pessoas de verdade: Bryant e mais de 10 mil voluntários se candidataram para responder às mensagens enviadas pela plataforma, segundo a revista Fortune.
A ideia começou como um projeto artístico para questionar a dependência crescente de ferramentas de IA. A interface, no entanto, imita os chatbots tradicionais: o usuário escreve uma pergunta em uma caixa de texto e aguarda uma resposta. A diferença é que, do outro lado, não existe um grande modelo de linguagem. Inicialmente, era Bryant quem lia e respondia às perguntas. Com o aumento da demanda, voluntários passaram a assumir a tarefa.
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De sátira a experimento sobre dependência da IA
A procura cresceu depois que Bryant instalou um outdoor de US$ 6 mil em São Francisco, EUA, para divulgar o projeto. Desde então, a lista de pessoas interessadas em responder às perguntas aumenta em cerca de mil nomes por dia. No pico, o ChatTJB chegou a receber mais de 5 mil solicitações por hora, volume que fez Bryant reduzir sua participação direta nas respostas. “No momento, parei de responder na maior parte do tempo”, disse à Fortune.
O projeto também brinca com a própria definição de IA. O outdoor apresentava o ChatTJB como uma “interface de bate-papo líder, impulsionada por IA”, mas uma observação explicava que a sigla significava “indivíduo médio”.
Para Bryant, a proposta ganhou outro significado quando usuários começaram a fazer perguntas pessoais e buscar respostas de seres humanos. Um dos casos que mais o marcou envolveu uma pessoa que, durante a lua de mel, perguntou se era normal não conseguir relaxar completamente. “Acho que foi naquele momento que o projeto começou a deixar de ser uma sátira surreal e se tornar um lugar onde as pessoas pudessem conversar seriamente com um ser humano bem-intencionado, ainda que inegavelmente comum”, afirmou.
A inspiração veio também da preocupação de Bryant com o que ele chama de “rendição cognitiva”, conceito associado à dependência das respostas fornecidas por sistemas de IA. Uma pesquisa de 2026 dos professores da Wharton Steven D. Shaw e Gideon Nave apontou que pessoas que utilizavam assistência de IA eram mais precisas quando a ferramenta estava correta, mas tinham uma queda de 15 pontos percentuais na precisão quando recebiam uma resposta errada, em comparação com quem não utilizava a assistência. Para Shaw, o ChatTJB não mostra que usuários prefiram tecnologias mais lentas, mas evidencia uma característica que os sistemas escaláveis tendem a retirar: a interação humana.
O ChatTJB não foi criado com objetivo de gerar lucro e, por enquanto, Bryant o considera um projeto artístico de curto prazo. A popularidade, porém, já despertou interesse de pessoas que querem participar ou ajudar a transformar a iniciativa em algo permanente. “Já conversei com algumas pessoas interessadas em trabalhar no projeto de diferentes maneiras”, disse Bryant à Fortune. Sobre uma eventual expansão, afirmou: “Se o parceiro certo quiser ajudar a transformar isso em um projeto sustentável, adoraria conversar com ele”.
