A Stellantis confirmou a redução na produção das picapes Fiat Titano e Ram Dakota na fábrica de Ferreyra, em Córdoba, na Argentina, a partir de setembro de 2026. A fabricante vai eliminar o segundo turno da linha de montagem dos dois utilitários, mantendo apenas uma jornada de trabalho em razão do desaquecimento da demanda no mercado argentino e da queda nas exportações.
A readequação altera os volumes projetados no início do ano. Inicialmente, a unidade pretendia fabricar 27.000 unidades somando os dois modelos ao longo de 2026. Com a revisão dos planos, a montadora projeta produzir 3.000 exemplares da Ram Dakota até o fim do ano (ante 8.000 projetados) e 1.000 unidades da Fiat Titano (em vez das 1.500 anteriores).
O desempenho fraco no mercado brasileiro é um dos motivos para o corte. Lançada em 2026, a Dakota teve seu melhor resultado em agosto, quando emplacou 634 unidades. A Titano, por sua vez, registrou 581 licenciamentos em março, seu ápice no ano. Em ambos os casos, o volume de vendas permanece distante dos três modelos mais vendidos da categoria.
No acumulado entre janeiro e agosto, a picape da Ram soma 3.200 unidades registradas, enquanto a Titano contabiliza 3.479 veículos. A diferença em relação às líderes do segmento evidencia o ritmo lento: a Toyota Hilux, líder da categoria, emplacou 3.471 unidades apenas em agosto — 8 veículos a menos do que a Titano vendeu em oito meses — e acumula 30.203 emplacamentos em 2026.

Paralelamente à redução da jornada, a fábrica argentina enfrenta gargalos operacionais imediatos. A linha de montagem dos utilitários teve a produção interrompida no início desta semana por falta de componentes, especificamente motores. Para adequar o quadro de funcionários ao novo volume, a empresa adotará suspensões temporárias de contratos e remanejará trabalhadores para o setor de motores.
A restruturação interna ocorre no momento em que a planta de Ferreyra recebe um investimento de US$ 380 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões na conversão direta, equivalente a aproximadamente 21.000 unidades do Fiat Cronos). O aporte visa estruturar o polo produtivo de picapes e instalar a linha de montagem do motor 2.2 turbodiesel Multijet de quatro cilindros, previsto para estrear no início de 2027.
A nova fábrica de propulsores não atenderá apenas aos utilitários argentinos. O motor 2.2 turbodiesel também será exportado para equipar comerciais leves e picapes produzidos no Brasil e no Uruguai. Segundo a Stellantis, o quadro total de funcionários da unidade havia dobrado desde janeiro de 2025 por conta dos novos projetos, o que fundamenta a redistribuição do pessoal durante esta fase de transição.
Apesar do encerramento do segundo turno e da menor produção das picapes, a montagem do Fiat Cronos não sofrerá alterações em Ferreyra. O sedã compacto segue em ritmo normal de fabricação na mesma unidade, sustentado pelas vendas regulares nos mercados da América do Sul.
