
A melhora gradual da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou força em maio em meio a uma combinação de fatores econômicos, políticos e simbólicos que passaram a beneficiar o Palácio do Planalto.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) mostra redução da rejeição ao governo ao mesmo tempo em que medidas de apelo popular começaram a surtir efeito e o principal adversário do campo bolsonarista sofreu desgaste após o vazamento de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o levantamento, a avaliação ruim ou péssima do governo Lula caiu para 48,4%, enquanto a avaliação ótima ou boa subiu para 42,9%. A diferença entre os dois índices ficou em 5,5 pontos percentuais, uma das menores registradas nos últimos meses.
O movimento reforça uma tendência detectada também pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada. O levantamento mostrou melhora da percepção do eleitorado após o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Segundo a Quaest, 43% avaliaram que Lula saiu politicamente mais forte da reunião, contra 26% que disseram que ele saiu mais fraco. Outros 60% consideraram o encontro positivo para o Brasil.
No governo, o encontro passou a ser tratado como ponto de inflexão na estratégia de recuperação de imagem do presidente. Integrantes do Planalto avaliam que a viagem ajudou Lula a recuperar atributos ligados à liderança internacional, estabilidade institucional e capacidade de diálogo com potências globais, temas que vinham perdendo espaço diante do desgaste provocado pela inflação dos alimentos e pela percepção econômica negativa.
Além disso, nos últimos dias o governo decidiu ampliar a exposição pública de ministros e acelerar anúncios de programas sociais e econômicos para tentar recuperar apoio entre eleitores de renda média e baixa, especialmente nas regiões metropolitanas.
Entre as medidas colocadas no centro da comunicação oficial estão o Desenrola 2.0, novas linhas de crédito, renegociação de dívidas e o anúncio do fim da chamada “taxa das blusinhas”, tema que vinha produzindo desgaste digital para o governo desde 2025.
Crise de Flávio muda cenário político
Além da agenda econômica e internacional, o governo também foi beneficiado pelo desgaste político de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje principal nome do bolsonarismo em parte dos cenários de 2026.
A AtlasIntel mostra que 95,6% dos entrevistados tiveram conhecimento do vazamento de áudios e mensagens envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Para 64,1%, a divulgação das conversas enfraqueceu a candidatura presidencial do senador. Outros 54,9% afirmam enxergar no episódio evidências de irregularidades obtidas em investigação legítima.
A percepção sobre o escândalo também alterou o eixo político do caso Master. Hoje, 43,3% dizem acreditar que os principais envolvidos nas fraudes financeiras investigadas são aliados de Jair Bolsonaro. Em março, esse percentual era de 28,3%.
O desgaste ocorre em paralelo ao avanço de Lula nos cenários eleitorais medidos pela própria AtlasIntel. Em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador.
No Planalto, a leitura é que a recuperação do presidente ainda está longe de consolidada, mas deixou de depender exclusivamente de uma melhora forte da economia.
O governo avalia que a combinação entre políticas de impacto imediato no consumo, maior exposição internacional de Lula e desgaste recente do principal adversário abriu uma janela mais favorável para a disputa de 2026.
A pesquisa AtlasIntel Bloomberg ouviu 5.032 eleitores entre os dias 15 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e o nível de confiança do levantamento é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o nº BR-06939/2026.
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