A Chery tem mais uma picape a caminho. Depois da Himla e da Stockman, a fabricante chinesa agora trabalha em um modelo intermediário indicando os planos da fabricante de disputar espaço com a Fiat Toro e a futura BYD Mako. Como revelado pelo site Cars, a marca registrou os desenhos técnicos inicialmente na África do Sul e, na sequência, em países como Nova Zelândia, Tailândia, Indonésia e Filipinas, sinalizando um projeto de alcance global que aproveita a base de sua atual linha de utilitários esportivos.
A decisão de apostar em uma estrutura monobloco visa otimizar os custos de desenvolvimento e de produção em larga escala, aproveitando linhas de montagem existentes. Em vez de criar um chassi do zero, a marca utiliza a base mecânica de seus automóveis de passeio para entregar o conforto de rodagem de um veículo familiar com a versatilidade de uma área de carga aberta.
Embora seja um segmento bem conhecido no Brasil por conta da Fiat Toro, ainda não tem força no resto do mundo. Isto está mudando aos poucos. A Ford tem a Maverick nos EUA e a Toyota discute fazer um modelo semelhante baseado no RAV4. Já a Stellantis está usando a Ram Rampage, que iniciou as vendas na Europa e também está prevista para os Estados Unidos.
A Europa é o ponto-chave. Picapes médias não fazem muito sucesso por lá, sendo utilizadas quase que exclusivamente para o trabalho e com uma presença pequena, por conta do seu tamanho. Os modelos intermediários fazem mais sentido para o uso urbano e, por ser uma categoria pouco explorada, a Chery pode aproveitar para marcar presença.

O veículo será construído sobre a conhecida plataforma T1X, a mesma estrutura modular que serve de base para os modelos Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8. Essa arquitetura permite ampla flexibilidade nas dimensões, suportando diferentes distâncias entre-eixos e arranjos de suspensão elevada para garantir ângulos de ataque e saída adequados para o uso fora de estrada leve. A engenharia prevê configurações com tração dianteira ou integral nas quatro rodas.
Na parte mecânica, a base técnica está preparada para receber motores térmicos tradicionais e conjuntos eletrificados. A arquitetura aceita tanto sistemas híbridos plenos (HEV) quanto híbridos plug-in (PHEV), um ponto que ajudará a atender às demandas da Europa sobre eficiência energética e emissão de poluentes.

Visualmente, as patentes mostram linhas retas com vincos definidos na carroceria e caixas de roda quadradas, que conferem uma musculatura visual ao conjunto. A porção frontal é elevada para reforçar a presença, enquanto a cabine dupla traz uma solução diferente para a categoria: as maçanetas das portas traseiras ficam embutidas na coluna C, limpando o perfil lateral do veículo. As projeções feitas por IA mostram bem os detalhes.
A marca descreve o modelo nos documentos oficiais como um utilitário crossover, que une a cabine de passageiros fechada à área de carga traseira semiaberta. Por compartilhar componentes com a família Tiggo, o modelo deve adotar pacotes semelhantes de assistência à condução (ADAS), múltiplos airbags e centrais de conectividade atualizadas para atrair o comprador que prioriza segurança e conforto no uso diário.
A África do Sul será um dos primeiros locais a fabricar e vender o modelo. Por enquanto, não há informações sobre sua venda no Brasil. A Caoa Chery estuda vender a picape média Himla por aqui e até chegou a mostrar o modelo durante o Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado. Por usar a mesma plataforma que os Tiggos, poderia ser montada em Anápolis (GO).
