
A Colômbia elegerá um novo presidente e vice-presidente em 31 de maio, em uma disputa que tem sido apresentada como um referendo sobre as políticas do atual presidente do país, Gustavo Petro, – sobretudo sua controversa iniciativa de “paz total”, que busca negociar com os grupos rebeldes remanescentes no país. Segundo a maioria das avaliações dos eleitores, a violência ligada a grupos armados piorou sob o governo Petro.
De acordo com a Missão de Observação Eleitoral da Colômbia, 386 municípios – cerca de um terço do país – estão vulneráveis à violência de grupos armados ilegais, e dados do think tank Fundação Ideias para a Paz indicam que aproximadamente 27 mil pessoas continuam em armas em todo o território nacional.
Em Robles, uma cidade vizinha no município de Jamundí, as ruas que levam à delegacia estão bloqueadas por barricadas improvisadas. A polícia está entrincheirada em postos de sentinela, usando abrigos feitos de sacos de areia e tecido preto para vasculhar o céu em busca de drones.
Drones adaptados para lançar explosivos alteraram a dinâmica do conflito armado colombiano desde 2024, representando uma das maiores ameaças tanto a civis quanto às forças de segurança, especialmente ao longo da fronteira com a Venezuela, no norte da província de Bolívar e em áreas costeiras do sudoeste.
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O Ministério da Defesa da Colômbia informou que ataques com drones atingiram 333 alvos em 2025, ante 61 incidentes registrados em 2024. Enquanto isso, o Exército registrou 107 ataques com drones até agora neste ano, que já causaram a morte de dois soldados.
Autoridades locais acreditam que a região se tornou uma vítima da estratégia de “paz total” de Petro, que busca encerrar um dos conflitos mais longos do mundo. Petro reconhece que a iniciativa não alcançou o resultado esperado de desarmar redes ilegais, e sua postura de manter a porta aberta para conversar com todos os grupos foi endurecida. Ele congelou negociações com alguns grupos devido à violência contínua, embora tenha mantido o diálogo com outras organizações.
Uma divisão clara surgiu entre os candidatos. De um lado, estão os que defendem continuar o diálogo com grupos ilegais, como o senador Iván Cepeda, do movimento político de Petro. Do outro, estão os que dizem que vão desmontar esse tipo de esforço e priorizar a pressão militar, como a senadora Paloma Valencia, do oposicionista Centro Democrático, e Abelardo de la Espriella, que se declara admirador do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e prometeu endurecer o combate aos grupos armados ilegais.
Elizabeth Dickinson, analista sênior do International Crisis Group, acredita que a violência pode piorar se um candidato mais linha-dura for eleito.
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