Não é só entre os modelos de maior volume que o segmento dos SUVs médios tem sido movimentado. Entre os premium, a categoria também ganhou novidades recentemente. Uma delas é o BMW X3 30 xDrive, a nova versão de entrada do X3, que custa R$ 110.000 a menos do que a versão imediatamente acima, a M50.
A redução acontece graças a uma solução quase milagrosa, já que o modelo mais barato, que parte dos R$ 515.950, não perde nenhum equipamento em relação ao topo de linha, que custa R$ 645.950.
Para isso, a mudança é “silenciosa”: ele troca o motor de seis cilindros da versão M50 por um quatro-cilindros. Não pense, porém, que perde-se o brilho. Sai o 3.0 turbo de seis cilindros, com 398 cv e 59,1 kgfm, e entra um 2.0 turbo de quatro cilindros, com 258 cv e 40,8 kgfm.
O câmbio automático de oito marchas e a tração integral permanecem, bem como o sistema híbrido leve de 48 volts que auxilia o motor a combustão em saídas e retomadas, mas não traciona as rodas. Em outra comparação, o X3 30 xDrive se aproxima dos principais rivais em potência: o Audi Q5 tem 272 cv e, o Mercedes-Benz GLC, também tem 258 cv; ambos são 2.0 turbo.

Com o novo conjunto, o X3 levou 6,5 segundos para ir de 0 a 100 km/h, de acordo com os nossos testes. De acordo a BMW, o M50 leva 4,6 segundos. Já entre os rivais, o tempo é de 6,2 segundos, segundo divulgam a Audi e a Mercedes.
Ou seja, embora o desempenho seja inferior ao do modelo mais caro, não dá para chamá-lo de lento. Pelo contrário: não apenas dá conta do recado, como ainda diverte. O SUV tem rápidas e eficientes acelerações para saídas e retomadas, com decisões certeiras do câmbio e, surpreendentemente, um belo ronco emitido pelo motor de quatro cilindros.

Combinado às acelerações, o X3 30 xDrive mantém a vocação esportiva de todo BMW, com um ajuste de direção bastante direto e uma suspensão mais firme, mas confortável. Embora não transmita qualquer desconforto aos ocupantes, a suspensão ainda tem um curso de amortecedores reduzido, sentido ao se passar por lombadas ou valetas em velocidades mais elevadas do que se deveria.
Por fim, ele ainda pode chegar a boas médias de consumo. De acordo com os nossos testes, as médias foram de 10,8 km/l na cidade, e 14,1 km/l na estrada. Boas para um SUV médio premium com mais de 250 cv de potência.

Trajes esportivos
Não é só debaixo do capô e na dirigibilidade que o X3 quer manter sua pegada esportiva, embora seja um modelo familiar. Ele também segue com a aparência caprichada, já que a versão de entrada tem, de série, o pacote M Sport.

Nele, os para-choques do modelo 30 xDrive são os mesmos do M50, com detalhes em preto brilhante, aberturas mais rebuscadas e ares mais agressivos. Mas há pequenas diferenças.
Na dianteira, a grade adota um layout interno com traços verticais e diagonais em uma superfície fechada, com aberturas inferiores. No mais caro, ela é mais aberta e com barras horizontais. Em ambos, no entanto, a borda da grade é iluminada por leds. Caso você não goste, é possível desligar.

A traseira do modelo mais “simples” esconde as saídas de escape atrás de um aplique em preto brilhante que simula difusores, enquanto o mais caro deixa à mostra quatro belas saídas.
De lado, as rodas de 21″ do M50 são trocadas por outras de 20″, mas tão bonitas quanto. Os pneus são 255/45 na dianteira, 285/40 na traseira. Ainda nas laterais, não há nenhum acabamento cromado, com as bordas das janelas sempre em preto brilhante. Os retrovisores são convencionais e pintados na cor do carro, enquanto, na M50, são pretos com uma aba aerodinâmica típica de modelos da divisão M.

O interior, por sua vez, tende mais ao luxo e conforto do que à esportividade. Há predominância do preto no acabamento, como em painel, portas e teto, com detalhes prateados e preto brilhante. Os bancos e as forrações de portas e apoios de braços podem ser em revestimento preto, marrom ou bege, como na unidade testada. Não há, por exemplo, detalhes em vermelho para evocar esportividade.

O painel do X3 mostra inspiração nos elétricos da marca, com volumes arredondados e pronunciados, e um interessante e nada discreto esquema de luzes. Há barras iluminadas nas portas, na porção central do painel e no console central, com diferentes opções de cores.
Por fim, ele também repete o curioso esquema de controle das saídas de ar-condicionado. Diferente de modelos que o fazem pela central multimídia, o que prejudica a usabilidade, o X3 (e outros modelos mais recentes da BMW) tem o controle físico das saídas feito por um pequeno comando emborrachado posicionado logo abaixo das aberturas, que ficam estrategicamente “camufladas” no painel, para não afetar o desenho interno.
Além do comando físico para direção, há outro, este sensível ao toque, para ajustar o fluxo de cada saída.

A lista de equipamentos inclui, além dos já citados, ar-condicionado de três zonas, bancos dianteiros elétricos com aquecimento (fica faltando massagem), câmera interna, teto panorâmico, carregador por indução e sistema de som Harman Kardon de 15 alto-falantes com 765 watts. Sem esquecer dos sistemas ADAS, como ACC, frenagem autônoma de emergência, alertas de pontos cegos, assistente de permanência em faixa, entre outros.
Está lá também o conjunto curvo de telas: são 12,9 polegadas para o quadro de instrumentos e, 14,9 polegadas, para a central multimídia, complementados pelo head-up display. Ou seja, uma extensa e tecnológica lista de itens de série, que não perde nenhum equipamento para a configuração M50.

Ainda no interior, o X3 leva duas pessoas de média estatura (de 1,75 m a 1,80 m) com conforto suficiente no banco traseiro. Apesar de ser um SUV médio premium, de 2,87 metros de entre-eixos, o espaço traseiro não é tão grande quanto se espera. Além disso, o alto túnel central, acompanhado pelo console com saídas e controles de ar, e portas USB, praticamente dizem que, ali, um terceiro ocupante não é bem-vindo. O porta-malas, por sua vez, é grande: são 570 litros.

Veredicto Quatro Rodas
Os 140 cv a menos em relação à versão mais cara não fazem falta no X3 30 xDrive, especialmente pela economia dos R$ 110.000. Ele continua com ótimo desempenho e mantém uma lista de equipamentos repleta, sem nenhuma grande falta. E, de quebra, tem a pegada mais esportiva e o visual mais moderno entre os concorrentes.
Ficha técnica – BMW x3 30 xDrive MHEV
Motor: gasolina, diant., 4 cil., 1.998 cm³, turbo, 258 cv, 40,8 kgfm; sistema elétrico, 48V
Câmbio: automático, 8 marchas, tração integral
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: a disco nas quatro rodas
Pneus: 255/45 R20 (dianteira) e 285/40 R20 (traseira)
Dimensões: compr., 475,5 cm; larg., 192 cm; alt., 166 cm; entre-eixos, 286,5 cm; porta-malas, 570 litros; peso, 1.894 kg; vão livre do solo, 211 mm; tanque de combustível, 65 l
Testes Quatro Rodas – BMW X3 30 xDrive MHEV
Aceleração
0 a 100 km/h – 6,5 s
0 a 1.000 m – 26,7 s / 197,9 km/h
Velocidade máxima – 175 km/h*
Retomadas
D 40 a 80 km/h – 3,1 s
D 60 a 100 km/h – 3,9 s
D 80 a 120 km/h – 4,5 s
Frenagens
60/80/120 km/h a 0 – 14/24,5/54,2 m
Consumo
Urbano – 10,8 km/l
Rodoviário – 14,1 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx. – 36 / 61,9 dBA
80/120 km/h – 59,5 / 64,2 dBA
Aferição
Velocidade real a 100 km/h – 97 km/h
Rotação do motor a 100 km/h – 1.500 rpm
Volante – 2,5 voltas
Seu Bolso
Preço básico – R$ 515.950
Garantia – 3 anos
