O preço das memórias RAM DDR5 só deve voltar ao normal ou pelo menos estabilizar em 2028, segundo uma previsão da AMD. Quem disse isso foi o vice-presidente global e gerente da divisão de canal de clientes e gráficos da empresa, David McAfee. Em entrevista ao site 4Gamers, ele destacou a volatilidade desse setor.
O papo aconteceu durante a Computex 2026 e o executivo da AMD projetou um cenário de melhora a partir de 2028. Na visão dele, uma recuperação gradual dos preços deve acontecer no futuro, assim como houve em outros anos. O motivo para isso é que o mercado de RAM sempre foi de altos e baixos, mas dessa vez é mais complexo.
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A razão óbvia por trás de toda essa volatilidade tem relação direta com o acelerado ciclo de desenvolvimento de tecnologias movidas por inteligência artificial (IA). Com isso em mente, a indústria de chips DRAM começou a investir de maneira bem pesada na fabricação de módulos DDR5 nos últimos dois anos.
Em contrapartida, a capacidade de produção dos módulos DDR4 vem diminuindo recentemente, dada a evolução natural do DDR5. No entanto, com os problemas da crise de chips, cada vez mais consumidores têm adquirido produtos mais antigos, que suportam o DDR4, por conta dos preços um pouco mais baixos.
2028 é retorno da normalidade?
Embora McAfee cite 2028 como um ponto provável para o retorno de preços melhores, isso não é unânime. Diversos especialistas e empresas diferentes divergem sobre uma possível janela de melhoria dos preços. O presidente da SK Hynix, segunda maior fabricante de RAM do mundo, acredita que a crise pode durar até 2030.
Uma projeção realista é difícil de cravar, uma vez que os ânimos a respeito dos investimentos sobre inteligência artificial ainda estão nas alturas. Ontem (8), por exemplo, a Apple anunciou sua nova assistente Siri com mais IA e tecnologia de infraestrutura do Google, que demanda inúmeros data centers para processamento de dados.
Para a AMD e Intel, essas notícias são complicadas, visto que montar PCs com os processadores das marcas ficou ainda mais caro. Uma projeção realizada pela IDC no início deste ano sugere que o mercado de computadores deve ter um declínio de 11% na distribuição de remessas globais.
Outras análises mais alarmantes, como a da Gartner, indicavam que computadores baratos desapareceriam do mercado até 2028. Apesar disso, empresas como a Apple e Intel estão utilizando chips mais básicos para estimular a venda no mercado de entrada. O MacBook Neo mostra que essa tática vem dando frutos.
Seja como for, as expectativas é que ainda tenhamos cerca de dois anos de aumentos e preços bem altos para os módulos de memória RAM. Até lá, modelos no protocolo DDR5 devem continuar com valores bem salgados e será preciso torcer para que a produção do DDR4 continue nas fábricas.
Por falar em crise, um levantamento recente da Counterpoint Research aponta que a indústria de memórias DRAM já faturou mais de R$ 500 bilhões no primeiro trimestre. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
