Uma criança de apenas 1 ano e 2 meses sofreu diversas lesões enquanto estava na creche particular Pipa Amarela, localizada na região do Bom Retiro, em Sumaré. Após o caso vir à tona, a Prefeitura de Sumaré decidiu descredenciar a instituição, que mantinha convênio com o município e atendia cerca de 70 crianças da rede pública (saiba mais abaixo).
A mãe da menina afirma que foi informada pela escola de que a filha havia sofrido apenas uma mordida no rosto. No entanto, ao buscá-la na unidade, encontrou a criança com diversos ferimentos e sinais de agressão.
A reportagem entrou em contato com a unidade que informou que não irá comentar o caso.
Mãe foi chamada para buscar a filha
Segundo a mãe da criança, a filha foi levada normalmente para a creche na terça-feira (9). Algumas horas depois, a unidade entrou em contato pedindo que ela buscasse a criança.
“A coordenadora me enviou uma mensagem perguntando se eu seria a responsável por buscar as meninas naquele dia. Eu respondi que sim e perguntei o motivo, mas ela não respondeu mais”, relatou.
Ao chegar à creche, ela recebeu a informação de que a filha havia sofrido uma “mordidinha” no rosto.
“Ela falou que tinha havido uma mordida. Perguntei onde tinha sido e ela respondeu que foi no rosto, mas que estava tudo bem, que tinha sido uma mordidinha de leve”, contou.
A mãe estranhou a situação quando foi informada de que as professoras também queriam conversar com ela.
“Eu pensei: se foi só uma mordida, por que elas querem conversar comigo?”
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Ferimentos eram mais graves do que o informado
Segundo a mãe, o cenário encontrado foi muito diferente do que havia sido relatado pela escola. “Quando elas voltaram com minha filha, vi o rosto dela desfigurado, fiquei desesperada.”
A mãe afirma que a lateral do rosto da criança estava inchada, além de apresentar cortes no nariz e hematomas na boca e na orelha.
Diante da situação, a menina foi levada ao hospital, onde passou por atendimento médico e exames, incluindo tomografia. Os laudos e imagens teriam evidenciado as lesões sofridas pela criança.
De acordo com o boletim de ocorrência, um laudo particular apontou que os ferimentos eram compatíveis com agressões.

Mãe cobra explicações e imagens das câmeras
Após o atendimento médico, a mulher procurou o Conselho Tutelar, a Secretaria Municipal de Educação e registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil.
Ela também solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança da creche para entender o que havia acontecido com a filha.
“Eu questionei e falei: ‘Olha, eu preciso das imagens das câmeras, eu quero ver o que aconteceu. Cadê essas imagens?’ Ela respondeu que precisava da autorização da diretora porque não tinha autorização para mostrar.”
Segundo a mãe, posteriormente foi informada de que não existiam registros em vídeo do ocorrido.
Ela também relata que, até o momento, não recebeu esclarecimentos da instituição.
“Eles não me mandaram mensagem. Eu acho até que fui bloqueada no WhatsApp, porque sumiu a foto da escola e da proprietária. Elas ainda não se pronunciaram e não me procuraram.”
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Outro caso semelhante já era investigado
Segundo informações apuradas pela Prefeitura de Sumaré, um outro caso semelhante envolvendo mordidas em uma criança já havia sido registrado anteriormente na mesma creche.
A ocorrência anterior, considerada menos grave, já estava sendo investigada internamente pela Secretaria de Educação para apurar as circunstâncias do episódio.
As informações repassadas à mãe de Ana Luiza de que outra criança também teria passado por situação parecida reforçaram a preocupação da família e motivaram a busca por esclarecimentos.
Prefeitura descredencia a unidade
Diante da ocorrência de um segundo caso de lesões dentro da instituição, a Prefeitura de Sumaré decidiu descredenciar a creche conveniada.
De acordo com o secretário municipal de Educação, Lucas Gomes Lima, foi aberto um processo administrativo para apuração das responsabilidades.
“Já de imediato protocolamos um processo administrativo para apuração de responsabilidade e, tendo em vista que o contrato da credenciada possui cláusula de responsabilidade, realizamos uma vistoria para verificar a situação e também prestamos acolhimento à família naquele momento”, afirmou.

O secretário informou ainda que todas as crianças atendidas pela unidade foram remanejadas para outras escolas.
“Nenhuma criança ficou desassistida. Todas foram encaminhadas para outras unidades próximas às residências e conforme a escolha dos pais, garantindo a continuidade do atendimento na rede municipal.”
Família relata mudanças no comportamento da criança
Além das lesões físicas, a mãe afirma que a filha passou a apresentar comportamentos que não eram observados antes do episódio.
“Toda vez que alguém tenta pegá-la no colo, ela chora assustada. Às vezes estamos brincando com ela e ela começa a chorar. Esses dias meu esposo foi brincar e ela se escondeu atrás de mim com medo.”
Segundo a mãe, as reações indicam que a criança ficou traumatizada.
“São comportamentos que ela não tinha antes. Ela sempre foi muito simpática e tranquila.”
Ela informou ainda que segue, em conjunto com a Secretaria de Educação, procurando uma nova escola para matricular as duas filhas.

Investigações continuam
A Secretaria Municipal de Educação informou que a apuração dos dois casos segue em andamento para esclarecer o que ocorreu dentro da instituição e verificar se as lesões foram realmente causadas por mordidas ou se houve outro tipo de agressão.
Até o momento, não há prazo definido para a conclusão das investigações. Paralelamente, a Polícia Civil também acompanha o caso.
Com informações de Wesley Justino /EPTV
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