
Em um mercado digital dominado por métricas e obsessão por algoritmo, a Totoy, criadora global de entretenimento infantil, decidiu operar na contramão.
Enquanto boa parte da creator economy adapta conteúdo ao que a plataforma pede, a empresa brasileira apostou em algo menos imediato e potencialmente mais valioso no longo prazo: construir marca, personagens e propriedade intelectual.
“A gente não pensava em atender o algoritmo. A gente pensava nas famílias”, afirma André Vaz, CEO e cofundador da Totoy, em entrevista para o Do Zero ao Topo.
A escolha transformou a companhia em um case raro do ecossistema digital brasileiro. O que nasceu no youtube, em 2015, de forma improvisada vale hoje mais de 500 milhões de reais e é uma das maiores empresas de entretenimento do mundo.
A Totoy acumula bilhões de visualizações na internet, está em 230 países, já foi traduzida para mais de 30 idiomas e conquistou o Top 10 Global da Netflix. Um crescimento que conta com produtos licenciados, um parque e um longa-metragem internacional em produção.
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Do YouTube para o mundo
A Totoy surgiu em 2015 e começou de forma enxuta, com vídeos simples produzidos a partir de brinquedos comuns. O objetivo inicial de André e da mulher, Isa Vaal, assim que se mudaram para os Estados Unidos, era testar formatos e entender o comportamento do público infantil nas plataformas digitais.
Com o tempo, a empresa evoluiu para produções próprias, criou personagens originais e estruturou um ecossistema multiplataforma.
“No Brasil a gente está na Gol, na Azul, mais Oriente Médio, Canadá. Hoje o José é a propriedade número 1 mais assistida na Netflix LATAM. Por duas semanas foi a propriedade mais assistida do mundo na Netflix sem estar disponível no mundo inteiro”, diz o executivo.
Para André, audiência é importante, mas o valor real está em construir ativos proprietários. A estratégia da Totoy não mira apenas views ou receita publicitária. O foco está em personagens, licenciamento, novas extensões de marca e monetização de longo prazo.
“Uma propriedade intelectual é um negócio fortíssimo. A Totoy é uma marca brasileira nascida no Brasil que pode exportar cultura”, afirma.
Mesmo com alcance global, segundo o CEO, a companhia mantém uma estrutura relativamente pequena. A produção principal acontece em São Paulo, enquanto a frente internacional opera a partir dos Estados Unidos. De acordo com André, são cerca de 30 pessoas diretamente envolvidas, número que varia conforme os projetos em andamento.
“A gente tem um time em São Paulo, onde acontece o grosso da operação, e um time em Los Angeles. É um time pequeno, mais voltado para estratégia, impacto do negócio e curadoria dos conteúdos.”, explica.
Cinema, licenciamento e IA
Com a operação consolidada no digital, a Totoy agora amplia o foco para novas frentes de crescimento.
“A gente tem longa-metragem, documentário, expansão do processo de licenciamento para o mundo inteiro e captações com investidores”, diz André.
A empresa também quer ocupar espaço em uma nova fronteira usando a inteligência artificial aplicada ao público infantil. Para o fundador, existe uma lacuna relevante nesse mercado.
“A criança, em alguma medida, está sendo negligenciada nesse processo. A gente acredita que é possível criar um mecanismo novo onde a criança possa aprender e se desenvolver através da inteligência artificial e não simplesmente ser vítima desse movimento”, afirma.
Para saber mais detalhes sobre a história da Totoy, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.
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