A Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) confirmou, na sexta-feira (14), que grupos de ransomware passaram a explorar ativamente uma vulnerabilidade no sistema operacional Windows. A falha afeta o Task Host, um componente da Microsoft responsável pela execução correta de processos em segundo plano e pelo encerramento seguro de tarefas durante o desligamento do computador.
A brecha de segurança, identificada pelo código CVE-2025-60710, permite a ampliação indevida de acessos dentro da máquina. Na prática, um usuário comum ou um invasor com permissões básicas consegue driblar as travas do sistema e assumir o controle total do equipamento com privilégios de administrador máximo (nível SYSTEM).
smart_display
Nossos vídeos em destaque
A partir dessa vulnerabilidade, criminosos conseguem executar ações maliciosas e espalhar ameaças, como o bloqueio e sequestro de arquivos com cobrança de resgate.
Os sistemas atingidos pela falha são o Windows 11 (nas versões 24H2 e 25H2) e o Windows Server 2025. A Microsoft desenvolveu e distribuiu as primeiras correções oficiais para o problema em novembro de 2025, com reforços adicionais nas atualizações de segurança lançadas em dezembro do mesmo ano. Apesar da disponibilidade dos pacotes, dispositivos corporativos e domésticos que não foram atualizados continuam expostos a ataques.
A evolução dos riscos associados à falha foi registrada em etapas pelos órgãos internacionais de monitoramento. Em 13 de abril, a CISA incluiu o problema no catálogo de vulnerabilidades ativamente exploradas (KEV) e estipulou um prazo de duas semanas para que agências federais norte-americanas realizassem a correção das redes.
Ao atualizar o catálogo na semana passada, a entidade formalizou o alerta sobre o uso ativo da brecha em campanhas de extorsão digital. A CISA reforçou a urgência da instalação imediata dos pacotes de proteção por parte de administradores e usuários:
“Esse tipo de vulnerabilidade é um vetor de ataque frequente para agentes cibernéticos maliciosos e representa riscos significativos para as organizações públicas e privadas. Aplique as mitigações de acordo com as instruções do fornecedor ou interrompa o uso do produto se as correções não estiverem disponíveis”, pontuou a agência.
Como medida paliativa para quem utiliza o Windows Server 2025 com o modo Experiência Desktop ativo e ainda não pôde instalar as correções, a Microsoft orientou a desativação manual da tarefa identificada como \Microsoft\Windows\WindowsAI\Recall\PolicyConfiguration no Agendador de Tarefas do sistema operacional.
A big tech ressaltou, contudo, que a medida paliativa não substitui os pacotes definitivos e enfatizou a necessidade de aplicar os arquivos oficiais. “A Microsoft recomenda que os clientes instalem as atualizações para ficarem totalmente protegidos contra a vulnerabilidade. Os clientes cujos sistemas estão configurados para receber atualizações automáticas não precisam tomar nenhuma ação adicional”, informou a empresa, em comunicado de segurança.
Alvo recorrente de extorsão digital
O caso do Task Host não é um incidente isolado no ecossistema da gigante de tecnologia. Dias antes do alerta sobre a brecha, a CISA havia emitido um aviso de que criminosos começaram a explorar uma brecha crítica no Microsoft SharePoint (CVE-2026-45659) para aplicar golpes semelhantes de ransomware, após a confirmação de ataques no início de julho.
Esse cenário consolida um histórico de ofensivas cibernéticas direcionadas a ferramentas da fabricante. Desde novembro de 2021, a CISA catalogou mais de 380 vulnerabilidades exploradas ativamente em programas da Microsoft, e 112 dessas brechas já serviram especificamente para a aplicação de ataques com bloqueio de sistemas e extorsão financeira.
Por falar em vulnerabilidades do universo digital, ciberespiões atualizaram vírus para invadir órgãos públicos e driblar defesas do Windows. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
