Com Contatos Imediatos de Terceiro Grau e E.T: O Extraterrestre, Steven Spielberg poderia fazer diversas versões problemáticas de Guerra dos Mundos que isso não o tiraria dele o título de mestre em contar histórias sobre alienígenas. Felizmente, Dia D, que estreia nos cinemas na próxima quinta-feira (11), mostra que o cineasta ainda domina bem o gênero que o consagrou.
Ao contrário do que o título do filme dá a entender, ele não é uma história sobre guerra, mas sim sobre uma grande conspiração organizada pelo governo dos Estados Unidos e uma organização que opera fora dos limites da lei. Tudo começa com a fuga empreendida por Daniel Kellner (Josh O’Connor), um especialista de segurança que roubou grandes segredos de seu empregador, a Wardex.
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A história não faz segredo que o material contém provas de que, há quase 80 anos, alienígenas visitam o planeta e são alvos de experimentos cruéis. Com a ajuda de aliados cujas identidades são reveladas aos poucos, Kellner pretende compartilhar com o mundo a verdade e deixar que todos saibam que não estamos sozinhos no universo.
Dia D conquista traz roteiro afiado e ritmo intenso
O que mais chama a atenção em Dia D é o fato de que ele sabe combinar muito bem mistérios com elementos que são revelados sem grande cerimônia. Desde os minutos iniciais fica definido que alienígenas realmente existem e que o governo não quer que saibamos sobre eles — a existência deles ou quais são suas características não são o foco, como costumam ser em outras narrativas do gênero.
No entanto, é somente aos poucos que a história explica porque Kellner está disposto a arriscar sua vida para revelar a verdade. E o mesmo acontece com as motivações de Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma apresentadora da previsão do tempo da cidade de Kanas que, após um encontro inusitado com um pássaro, começa a demonstrar comportamentos estranhos.
O roteiro de David Koepp é ágil e sempre está transportando os personagens rumo a lugares e objetivos diferentes, entregando respostas pelo caminho — que geralmente vem acompanhadas de novas perguntas. Quem ajuda a organizar bem o ritmo das revelações é o misterioso Hugo Wakefield que, em uma interpretação inspirada de Colman Domingo, assume o papel da figura que sabe o que está acontecendo, mas só vai entregar mais informações quando estritamente necessário.
Também merece destaque o trabalho de Colin Firth como o vilão Noah Scanlon, que usa os artefatos dos alienígenas para manipular e encontrar os protagonistas. Ao mesmo tempo que o vilão demonstra crueldade, ele também exibe um lado humano que ajuda o público a entender suas decisões e determinação de esconder a verdade.
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Além de trazer boas atuações, Dia D acerta por saber combinar bem momentos de tensão, trechos mais filosóficos — com direitos a discussões sobre a natureza de Deus —, cenas cômicas e momentos de ação. Devo destacar a cena envolvendo um trem, que surpreende tanto pelo desespero que transmite quando pelas reações intensamente humanas que desperta em seus protagonistas.
No entanto, o maior acerto de Spielberg e Koepp é contar uma história que não tem medo de deixar elementos não explicados. Como em outras obras do diretor, Dia D traz um certo toque de magia à sua ficção científica e não dedica muitos momentos a explicar como funcionam certas tecnologias, o que contribui para preservar suas naturezas essencialmente alienígenas.
Ele também conquista por manter elementos aparentemente sem sentido, mas que fazem parte da assinatura do diretor. Tal qual E.T: O Extraterrestre, os perseguidores de Kellner e Margaret são somente competentes o bastante para fazer com que os protagonistas se sintam em perigo — mas são incapazes o suficiente para permitir que uma rota de fuga sempre esteja à disposição.
Vale a pena assistir Dia D?
Em meio a uma história sobre alienígenas, conspirações e corrupção governamental, Dia D é essencialmente um filme sobre a importância da empatia de abraçar elementos que vão além da individualidade humana. E isso fica bem claro na trama secundária que perpassa a narrativa e que envolve uma grande guerra que pode colocar fim ao mundo — sobre a qual a vida fora da Terra não tem qualquer responsabilidade.
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Com visuais espetaculares e elementos que mexem com teorias da conspiração famosas, o filme tem poucos mais de 2 horas de duração que passam voando. E, caso você não goste de experiências de terror e tenha ficado com um pé atrás com os trailers, não se preocupe — a trama tem suas reviravoltas e referências ao gênero, mas em nenhum momento é assustador.
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