
A montadora alemã Volkswagen está enfrentando uma crise de vendas nos últimos anos, o que tem motivado reduções de produção, planos de demissões e até fechamento de unidades em alguns países. E a nova fase da estratégia de recuperação pode envolver a cessão de unidades ociosas na própria Alemanha para fabricantes chinesas de carros elétricos.
Segundo relatou o jornal alemão Handelsblatt, provavelmente a produção de modelos chineses em fábricas alemãs – um tabu no país — está se tornando um cenário cada vez mais concreto. O jornal disse que o CEO do Grupo VW, Oliver Blume, recentemente causou alvoroço público com essas considerações e acrescentou que a gestão atual da companhia tem mantido conversas com montadoras chinesas sobre possíveis cooperações em fábricas alemãs desde 2024.
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Além disso, o Ministro da Economia da Saxônia, Dirk Panter, propôs formalmente fabricantes chineses de automóveis como parceiros na produção na fábrica da Volkswagen em Zwickau. “É melhor desenvolver ainda mais a competência industrial da VW na Saxônia e garantir a produção do que lutar uma batalha perdida e perder valor. Temos que acompanhar os tempos. Portanto: a China é uma oportunidade para Zwickau”, disse o político do SPD no jornal “Bild”.
A ideia de uma joint venture entre a Volkswagen e um fabricante chinês seria usar uma ou mais linhas de produção atualmente subutilizadas e fabricar veículos na Saxônia. O pré-requisito, segundo o ministro, é o cumprimento de regras e padrões europeus claros. “Nosso parâmetro não é a ideologia, mas a sustentabilidade industrial e empregos seguros na VW na Saxônia.”
Em Zwickau, a VW produz apenas carros totalmente elétricos, como o ID.3 e o Audi Q4 e-tron. Segundo a empresa, 8.000 pessoas trabalhavam na fábrica no final do ano passado.
O Grupo Volkswagen, na verdade, está enfrentando uma crise há anos. Nos meses de janeiro a março de 2026, o lucro após impostos da companhia caiu 28,4%, para 1,56 bilhão de euros. O dado é ainda mais preocupante porque o resultado no 1° tri do ano passado já apresentava queda de 41% ante o mesmo período do ano passado.
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As vendas globais diminuíram 2,5%, para 75,7 bilhões de euros, motivada pela conjuntura de guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulamentações mais rígidas e uma concorrência feroz, segundo o CEO Oliver Blume.
Os números de vendas são fracos especialmente na China e nos EUA e o crescimento na Europa não conseguiu compensar isso.
Na apresentação dos resultados, no final de abril, o CFO e COO da Volks, Arno Antlitz, comentou que, apesar de alguns progressos nas reduções de custos, a margem operacional continuou muito baixa, em 4,3%.
“Precisamos transformar fundamentalmente nosso modelo de negócios e alcançar melhorias estruturais e sustentáveis. Isso inclui melhorar a estrutura de custos dos nossos veículos sem comprometer a substância do produto, reduzir significativamente os custos operacionais, aumentar a eficiência de nossas fábricas e acelerar o desenvolvimento e a tomada de decisões tecnológicas”, disse.
Na sequência, foi anunciado um plano de reestruturação que resultará no corte de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030.
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