
A Equinox Gold fechou um acordo para comprar a canadense Orla Mining por cerca de US$ 5,1 bilhões, em mais um movimento dentro da recente onda de fusões e aquisições no setor de mineração de ouro. As empresas vêm buscando ganhar escala, aumentar produção e reforçar reservas depois de um forte rali do ouro ao longo do último ano.
Segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira, o pagamento será feito quase todo em ações. Com a transação, a Equinox passará a contar com duas minas em operação no México e no Canadá, além de projetos em desenvolvimento em Nevada (EUA) e no Panamá. A produção da companhia combinada deve chegar a 1,1 milhão de onças por ano, com potencial para ultrapassar 1,9 milhão de onças.
O ouro bateu recorde de preço em janeiro e, desde então, tem sido negociado na maior parte do tempo acima de US$ 4.500 por onça, o que vem incentivando novas aquisições no setor. Por outro lado, a forte volatilidade recente nas cotações de metais deixa investidores mais cautelosos em apoiar operações que pareçam caras demais. Esse cenário tem levado a negócios com pouco ou nenhum prêmio em relação ao preço de tela. A fusão entre Equinox e Orla segue essa linha, sem oferecer prêmio aos acionistas da Orla.
As ações da Orla chegaram a subir quase 1% em Nova York, mas devolveram parte dos ganhos. Já os papéis da Equinox caíram até 7,3%.
O negócio deve criar uma empresa com valor de mercado implícito em torno de US$ 18,5 bilhões. O aumento de escala abre espaço para a Equinox se posicionar como uma produtora sênior de ouro na América do Norte, mirando grandes investidores institucionais, que normalmente preferem nomes maiores e com mais liquidez. O reforço vem em um momento em que o ouro volta a ganhar espaço nas carteiras como proteção contra desvalorização de moedas e maior desconfiança em relação ao dinheiro fiduciário.
A Equinox vem reconfigurando seu portfólio para focar mais na América do Norte e, no ano passado, anunciou a venda de suas operações no Brasil para o CMOC Group, uma das maiores mineradoras da China, em um negócio de cerca de US$ 1 bilhão.
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“O ponto realmente positivo aqui é que mantemos a simplicidade em termos de jurisdição”, disse o CEO da Equinox, Darren Hall, em entrevista por telefone. “Não há grandes sinergias de custo nessa transação — é muito mais uma combinação complementar, que permite aproveitar a força conjunta de operar nas mesmas regiões”, afirmou.
Apesar de o acordo ser visto como positivo para a Equinox no curto prazo e de criar uma produtora maior, com foco em Canadá, ainda há dúvidas sobre o timing e a tese para as duas empresas, já que ambas pareciam bem posicionadas para crescer de forma consistente sozinhas, escreveu o analista Wayne Lam, do TD Cowen, em relatório nesta quarta-feira.
O acordo anunciado nesta quarta avalia a Orla em aproximadamente US$ 5,1 bilhões, com base no preço de fechamento das ações da Equinox na terça-feira, segundo cálculos da Bloomberg. Hall será o CEO da empresa resultante da fusão, enquanto Simpson assumirá o cargo de presidente.
O pagamento será majoritariamente em ações: cada acionista da Orla receberá 1 ação da Equinox e um valor simbólico em dinheiro de US$ 0,0001 por ação, de acordo com o comunicado. Após a combinação, os atuais acionistas da Equinox ficarão com cerca de 67% da nova empresa, e os da Orla, com aproximadamente 33%.
O BMO Capital Markets atuou como assessor financeiro da Equinox, enquanto a Trinity Advisors Corp. e o Scotiabank assessoraram a Orla.
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