A relação entre executivos das principais empresas de inteligência artificial (IA) e seus funcionários dá sinais de desgaste. Trabalhadores da OpenAI organizaram um movimento para defender uma regulamentação mais rígida para o setor, em reação à atuação política da empresa nas eleições legislativas dos EUA. A mobilização ocorre em um momento de aumento das tensões internas também em gigantes como Amazon e Meta.
Segundo a revista Wired, o estopim foi a estratégia eleitoral ligada ao presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman. Super PACs associados à empresa destinaram dezenas de milhões de dólares às eleições de meio de mandato dos EUA de 2026 para apoiar candidatos considerados favoráveis ao desenvolvimento da indústria de IA.
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Como resposta, um grupo de profissionais de tecnologia ajudou a criar o Guardrails Alliance, super PAC lançado em junho deste ano para defender regras mais rígidas para empresas de IA. O comitê iniciou suas atividades com US$ 5 milhões em recursos, dos quais mais de US$ 215 mil foram doados por funcionários da OpenAI, segundo a Wired.
Movimento ocorre em meio a novas disputas nas big techs
Entre os apoiadores está Juan Felipe Cerón Uribe, pesquisador da OpenAI dedicado há quatro anos ao estudo dos impactos sociais da IA. À Wired, ele afirmou que decidiu contribuir com a iniciativa porque acredita que as pesquisas sobre os riscos da tecnologia precisam resultar em mecanismos efetivos de responsabilização.
“Minha decisão de doar para eles foi fácil. Nesse período, passei a me preocupar com o fato de que toda essa pesquisa terá sido em vão se não se traduzir em diretrizes que responsabilizem as empresas privadas pelo desenvolvimento responsável da IA”, disse.
A insatisfação de trabalhadores de empresas de tecnologia não se restringe à OpenAI. Em Seattle, EUA, um grupo de funcionários da Amazon apresentou uma queixa alegando que foi demitido em retaliação ao ativismo exercido fora do expediente. Segundo o grupo, eles participaram de manifestações contra um centro de dados ligado à companhia durante uma reunião do conselho municipal.
Na Meta, 26 funcionários também recorreram à Justiça acusando a empresa de utilizar uma ferramenta interna de IA para selecionar empregados que seriam demitidos. De acordo com a ação, o sistema teria analisado dados de frequência e desempenho, sem considerar ausências justificadas por situações como licença-maternidade ou emergências médicas. Os casos reforçam um cenário de crescente conflito entre trabalhadores e empresas de tecnologia, em meio ao avanço da inteligência artificial e ao debate sobre a necessidade de regras para o setor.
