O que se espera da terceira atualização visual de um mesmo carro que está no mercado há 11 anos? É o caso do Jeep Renegade 2027, que reuniu melhorias bem vindas após tanto tempo enquanto abriu mão de um dos seus principais destaques entre os SUVs compactos.
Não foi desta vez que o Jeep Renegade ganhou espaço interno mais amplo ou porta-malas grande (fica nos 320 l). Isso só seria possível com uma nova geração, que implicaria no uso de uma nova plataforma e mudanças nas dimensões. Seria um carro inteiramente novo. O que a Jeep fez, porém, foi prolongar a vida de um carro que vendeu e ainda vende muito no Brasil, embora tenha saído de linha no resto do mundo.
O sucesso, inclusive, justificou que o Renegade tenha se tornado o primeiro Jeep com conjunto híbrido leve 48V, sendo seguido pelo Commander. Também justificou o investimento em novos para-choques que melhoram, ainda mais, os ângulos de ataque e saída do carro, que outrora esteve vulnerável a rampas e valetas.
Na traseira, o Renegade recebeu o quarto desenho de lanterna diferente em sua história no Brasil, enquanto na dianteira os faróis full-led agora têm o aro redondo interrompido em quatro pontos.
Talvez, porém, o que mais chame a atenção seja a nova grade dianteira. Ela segue mais estreita, seguindo a atualização de 2022, mas as sete fendas icônicas da Jeep foram praticamente fechadas. Parece que a inspiração foi o Jeep Recon, o equivalente elétrico ao Wrangler.

A Jeep também se empenhou para mudar, pela primeira vez, o painel do Jeep Renegade. Sem a alça à frente do carona e as saídas de ar centrais no topo do painel, que já eram característicos do carro, o painel até ficou mais bonito. Ficou muito parecido com o painel do Compass, mas o refinamento de ter o painel com superfície emborrachada ficou pelo caminho.
O painel do Renegade 2027 é de plástico duro e tem a parte central com revestimento de tecido. Na prática, o SUV mais barato da Jeep se aproxima dos concorrentes, que quase sempre tinham acabamento pobre na comparação com ele. Também se iguala no fato de ter recebido a mesma tela de 10,1″ do Compass para a central multimídia. É o dobro do tamanho da tela da primeira geração do Renegade – que, de série, tinha um rádio simples, diga-se.

Espaço no console já foi um grande defeito do Jeep Renegade, que resolveram da forma mais pragmática possível: instalaram exatamente o mesmo console do… Compass. O lado bom disso é que ele recebeu, por tabela, as desejadas saídas de ar-condicionado traseiras, mas só a partir da versão Longitude. Em resumo, o Renegade se tornou um mini-Compass por dentro.

Personalidade forte
A Jeep pesou a mão na cabine do Renegade, mas isso não ofuscou sua forte personalidade. E a prova de que está firme e forte é a adoção do sistema híbrido leve de 48V, que desta vez a Stellantis preferiu identificar apenas pela sigla MHEV na traseira e no quadro de instrumentos digital: ela não chama de Hybrid, como fez nos Fiat Pulse e Fastback, e nos Peugeot 208 e 2008. A fórmula de eletrificação é praticamente a mesma, só muda a tensão, que é 4x maior.
O motor térmico entrega os mesmos 176 cv de potência máxima a 5.750 rpm e 27,5 kgfm de torque a 2.000 rpm em todas as versões, mas a Longitude e a Sahara têm o auxilio do BSG (Belt Starter Generator), um motor-gerador com 15,5 cv e 6,5 kgfm que dá seu devido reforço em arrancadas e acelerações constantes. Como o auxílio é momentâneo, não muda os números de potência e torque máximos, mas o motor elétrico consegue fazer diferença na entrega do carro.

Depois da atualização do motor T270 às normas do Proconve L8, as respostas do Renegade nas arrancadas estavam mais lentas de propósito, para controlar as emissões. O sistema híbrido leve compensa a demora do motor 1.3 turbo em responder. Esse é um dos efeitos mais notáveis da assistência elétrica, mas não o único.
O princípio é que o BSG atue como motor elétrico fazendo um esforço que o motor a combustão não precisa fazer. Desta forma, há uma discreta melhora no consumo em regime urbano. Uma outra evolução está na suavidade do motor ao ligar e desligar: o BSG é mais suave e efetivo que um motor de partida convencional. Com isso, o funcionamento do sistema start-stop (que o Renegade tem desde 2019) fica muito menos inconveniente.

Como nos outros híbridos leve da Stellantis, é possível acompanhar o ritmo de recarga e descarga da bateria de lítio (que tem 0,82 kWh e está alojada por baixo do túnel central) e o trabalho do motor elétrico no quadro de instrumentos digital. Essa bateria é recarregada pelas desacelerações e frenagens.

No uso, a sensação é a de que os novos painel e console deram ao Renegade 2027 a mesma ergonomia do Jeep Compass. As sensações são um pouco diferentes apenas pelo fato de o Renegade ter colunas e para-brisa mais verticais, o que dá uma sensação de amplitude à frente. Essa sensação, combinada com a posição de dirigir mais alta e todo um molejo que a suspensão deste SUV compacto tem são o que, certamente, dão aos motoristas a sensação de estar dirigindo um Jeep.
Ainda que a qualidade do acabamento interno tenha piorado com a troca do vinil por tecido, o Renegade 2027 ainda tem a suspensão independente, do tipo McPherson nas quatro rodas, como diferencial. Ela ainda permite que o carro incline nas curvas, afunde a frente nas frenagens e afunde a traseira nas arrancadas. Isso é do carro, não mudou e hoje sabemos que este conjunto aguenta o tranco.

Na verdade, o Jeep Renegade aguenta o tranco. Talvez seja a confiança nisso que fez a fabricante promover uma atualização mais profunda e garantir a produção, pelo menos, até completar 15 anos.
Preparando o terreno
Essa atualização também reposiciona o Renegade. Ele é o SUV de entrada da Jeep temporariamente, pois o Jeep Avenger será lançado nos próximos meses com preço inicial ao redor dos R$ 120.000. O posicionamento de preço ficou escancarado após o fim da produção do Renegade Sport, que partia dos R$ 118.990.

Agora, oficialmente o Jeep Renegade 2027 parte dos R$ 141.990 na versão Altitude. No entanto, as 3.000 primeiras unidades desta versão tem preço promocional de R$ 129.990. Quando o Avenger for lançado, essa promoção deixará de fazer sentido. Não custa lembrar: o Jeep Avenger nacional terá o mesmo motor 1.0 turbo dos Fiat Pulse e Fastback híbridos, porém mais fraco, com 116 cv. Em termos de entrega de potência, o Renegade continuará muito bem servido.
Ficha Técnica – Jeep Renegade Sahara MHEV
Motor: motor a combustão, gasolina/etanol, 1332 cm³, 176/176 (etanol/gasolina) a 5750 rpm, 27,5/27,5 kgfm a 2000 rpm elétrico, dianteiro, 15,5 cv, 6,6 kgfm
Bateria: íon-lítio, 0,82 kWh
Câmbio: automático, 6 marchas, tração dianteira
Suspensão: McPherson com rodas independentes e barra estabilizadora (dianteiro), McPherson com rodas independentes e barra estabilizadora (traseiro)
Freios: disco ventilado (dianteiro), disco sólido (traseiro)
Direção: elétrica, 11,1 m de diâmetro de giro
Rodas e pneus: liga de alumínio, 225/55 R18
Dimensões: comprimento 4,27 m, largura 1,81 m, 1,71 m, entre-eixos 2,57 m, peso 1531 kg, vão livre 20,8 cm porta-malas, 385 litros; tanque 55 litros
Desempenho: 0 a 100 km/h: 8,9 s; Velocidade máxima: 206 km/h
Consumo: Urbano: 11,9 km/l; Rodoviário: 11,8 km/l
