Quatro meses após estrear no Brasil, a Jetour, enfim, tem um carro 4×4 à venda no Brasil. É o Jetour T2 XWD, híbrido plug-in que, que tem tração 4×4 graças a um terceiro motor elétrico, que atua no eixo traseiro para fazer jus ao seu estilo off-road. A nova versão custa R$ 349.900 – ou R$ 339.900 nas primeiras 599 unidades vendidas -, sendo R$ 50.000 mais caro que a versão 4×2.
Ao todo, o Jetour T2 XWD tem quatro motores. Na dianteira está o motor 1.5 turbo a gasolina que entrega 135 cv e 20, 4 kgfm de torque e outros dois elétricos, um com 102 cv e 17,3 kgfm e o segundo com 122 cv e 22,4 kgfm. O câmbio é sequencial de três marchas gerencia a força destes três motores. A novidade é o propulsor elétrico de 238 cv e 31,6 kgfm instalado entre as rodas traseiras, onde ficaria o diferencial de um jipe raiz. Com isso, ele dispensa o tradicional cardã.
A potência máxima que o T2 XWD consegue entregar, porém, é um mistério. A Jetour divulga apenas a soma de todos os motores: 597 cv e 91,7 kgfm. A questão é que os quatro motores não conseguem entregar seus números máximos nas rodas ao mesmo tempo, principalmente o 1.5 turbo a gasolina.
Segundo a marca, a eletrônica do T2 4×4 gerencia a necessidade do motorista, seja por desempenho ou para superar obstáculos, para distribuir a demanda de força entre cada motor de forma a priorizar a eficiência. Mas a empresa também não especifica como é a atuação de cada um dos motores em cada situação. Ainda de acordo com a Jetour, como não existe uma padronização na medição de potência e torque de híbridos para o mercado brasileiro, ela optou por divulgar a soma da entrega de todos os motores.
Recentemente, a Jaecoo – que, assim como a Jetour, também é controlada pela Chery Global – corrigiu a potência e o torque do Jaecoo 7. O SUV perdeu 60 cv e 15 kgfm ao passar a ter seu rendimento calculado seguindo o Regulamento Técnico Global das Nações Unidas nº 21, sem que qualquer mudança nos seus motores tenha sido feita.
Bateria alimentaria carros elétricos
BYD Dolphin Mini e Geely EX2 têm bateria menor que a do Jetour T2. O híbrido plug-in tem bateria de 43,24 kWh fornecida pela CATL, mas sua autonomia elétrica de até 106 km, de acordo com dados homologados pelo Inmetro, não é tão surpreendente por conta do tamanho e peso do carro. Segundo a marca, o modelo pode ser recarregado de 20% a 80% em 36 minutos quando conectado a um carregador rápido DC de 40 kW.

O T2 4×4 ficou 250 kg mais pesado do que as versões 4×2, mas isso é imperceptível com o ganho de desempenho proporcionado pelo quarto motor. Os motores elétricos dão conta de tracionar as rodas nas fases de aceleração tanto no asfalto quanto na terra. O torque instantâneo faz com que o SUV chines não sofra em acelerações e retomadas. A direção e isolamento acústico são bons o suficiente para que o motorista não sinta a velocidade. Segundo a Jetour, esta versão do T2 chega de 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos – 2 segundos mais rápido que a versão 4×2.
O conjunto de suspensões independentes, com esquema McPherson na dianteira e multibraço na traseira, deixa o modelo confortável o suficiente para rodar nos buracos do off-road sem que ninguém a bordo fique chacoalhando demais ou seja arremessado no caso de vias mais irregulares. No entanto, em rotas com muitas curvas, a carroceria mostra a sua altura de 1,87 m e se inclina um tanto.

O SUV mais caro da Jetour tem 8 modos de condução. Os Eco, Normal e Sport são indicados para trajetos urbanos. O 4X4 é acionado automaticamente a partir do modo Lama, que é seguido pelos Areia, Pedra e Neve.
O modo X fica no meio do seletor e faz a leitura automática do terreno para configurar a tração nas rodas, torque, freio e direção. Apesar de funcionar bem, levas alguns segundo para reconhecer o percurso e isso pode se tornar um problema em situações mais adversas. O sistema XWD controla as condições demandadas e distribui automaticamente a força entre os eixos dianteiro e traseiro.

O 4×4 tem modo rastejamento, tank turn e bloqueio de diferencial. O primeiro sistema gerencia o acelerador e os freios de forma autônoma até 15 km/h, já o segundo reduz o ângulo de giro e freia de maneira inteligente a roda traseira para forçar o veículo a pivotar em torno dela. O terceiro e mais conhecido garante que a força das rodas que perderem contato com o solo durante o atoleiro seja direcionada para as que ainda têm aderência.

O T2 já tinha quase tudo que um bom SUV off-road deveria ter. O bom entre-eixos (2,80 m), altura livre do solo (20,5 cm) e os ângulos de ataque (28º) e saída de (30º) continuam. Assim como os para-choque e molduras robustas que contam todo o carro para que o motorista não tenha dó na hora de coloca-lo na lama ou no mato.
As câmeras 360º, dianteira, traseira e laterais também ajudam nos caminhos mais apertados ou íngremes, e o recurso de chassi transparente faz diferença quando o solo é mais irregular ou tem muitos galhos, por exemplo.

Para o dono de um T2 4X4 tem recursos para o fora de estrada, mas vem com pneu 255/55 R20 misto de série. A Jetour driblou essa questão dando como opção ao dono que gosta de viver o fora de estrada para além do apelo pneus A/T 265/55 R20 como opcionais que saem por R$ 1.750 cada.
Durante o test-drive, em pista de off-road pesado, o T2 4X4 com pneus mistos que eu dirigia atolou e os seus controles eletrônicos não conseguiram ajudar a sair do local. Nem mesmo depois de outro T2 (também usando pneus mistos) chegar para reboca-lo com uma corda, o SUV saiu do lugar. Após isso, esse trecho da pista foi isolado e nem mesmo os T2 4×4 com pneus A/T passaram por ele.

O que muda no visual do Jetour T2 4X4
A versão XWD do Jetour T2 tem poucas mudanças aos olhos. Na parte externa os detalhes amarelos são substituídos por pretos, a roda de liga leve de 20’’ também tem acabamento escurecido e o logo i-DM é escrito em vermelho, além do acréscimo do XWD, também em vermelho.


Dentro do SUV, o teto e as colunas passam a ser escurecidos e o passageiro ganha apoio de pernas elétrico. Permanecem iguais os bancos revestidos em vinil com costuras vermelhas aparentes e todos os acabamentos, assim como o painel de instrumentos de 10,25’’ e a central multimídia de 15,6’’. Os bancos dianteiros também oferecem ventilação, ajustes elétricos e memória.

A linha Jetour T2 completa tem outras duas versões 4×2. A Advance, de R$ 289.990 e a Premium, de R$ 299.990. A Em qualquer configuração que escolher, o comprador que optar pela pintura externa fosca tem de pagar um adicional de R$ 3.500.
Ficha Técnica – Jetour T2 XWD 4×4
Motor: motor a combustão, gasolina, 1.499 cm³, 135 cv; elétrico dianteiro 1, 102 cv, 17,3 kgfm; elétrico dianteiro 2, 122 cv, 22,4 kgfm; traseiro, 238 cv, 31,6 kgfm
Bateria: LFP, 43,2 kWh, até 1.300 km no ciclo PBEV
Recarga: recarga de 30% a 80% em 37 min, a 40 kW, potência de recarga máxima 40 kW
Câmbio: 3-DHT, 3 marchas, tração integral inteligente XWD
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
Pneus: 255/55 R20
Dimensões: compr., 478,5 cm; larg., 200,6 cm; alt., 187,5 cm; entre-eixos, 280 cm; porta-malas, 580 l; peso, 2.110 kg; vão livre do solo, 213 mm; tanque de combustível, 50 l
