O Leapmotor B10 REEV fará sua primeira aparição no Brasil em agosto, durante o Festival Interlagos, em São Paulo. O elétrico com autonomia estendida tem lançamento no Brasil confirmado e poderá concorrer SUVs compactos turbo flex topo de linha e híbridos de entrada, apostando no custo-benefício.
A confirmação da novidade partiu do presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, em encontro com jornalistas nesta semana.
O sistema REEV (também conhecido como EREV) já está disponível na configuração mais cara do Leapmotor C10. Ele utilizando um motor a combustão que funciona apenas como gerador. Dessa forma, o conjunto elétrico é o único responsável por tracionar as rodas, garantindo o comportamento dinâmico de um carro elétrico.
Como funciona a tecnologia de extensor de autonomia
O sistema híbrido utiliza um propulsor 1.5 a gasolina, de ciclo Atkinson, gera apenas 88 cv e 12,7 kgfm, mas não possui ligação mecânica com as rodas. Esse gerador entra em funcionamento apenas para recarregar a bateria de 18,8 kWh ou para alimentar com energia o motor elétrico traseiro, de forma a prolongar a carga da bateria. Com um tanque de combustível de 50 litros, a autonomia total beira os 900 km.

Isso garante que o B10 REEV mantenha respostas imediatas e aceleração contínua sem depender das trocas de marchas convencionais, até mesmo porque não têm câmbio. Rodando apenas com a energia da bateria, o alcance é de 86 km, o que atende bem ao uso urbano diário.
A potência máxima é a do motor elétrico: 218 cv e 24,5 kgfm de torque – mesmo rendimento da versão elétrica, hoje vendida por R$ 182.990. A tendência é que o B10 REEV seja mais caro que o elétrico, mas ainda custe menos de R$ 200.000 no Brasil. Nesta faixa de preço, seus maiores concorrentes serão o BYD Song Pro e o Geely EX5 EM-i.
Modos de condução e eficiência energética

Para gerenciar o conjunto, a plataforma LEAP 3.5 oferece quatro modos de operação. As configurações EV+ e EV priorizam o uso exclusivo da bateria e o silêncio a bordo, mantendo o gerador inativo na maior parte do tempo. Já a opção Fuel aciona o propulsor a combustão preventivamente para preservar a energia elétrica durante viagens rodoviárias.
Por fim, o modo Power+ combina a capacidade de geração do motor térmico com a entrega do motor elétrico, garantindo fôlego extra para ultrapassagens. O sistema administra as transições sem exigir comandos do motorista. O pacote dinâmico ainda inclui a condução por um único pedal, aproveitando a regeneração de energia para frear o carro.
Porte médio para incomodar os compactos
Embora tenha a missão de roubar vendas de modelos menores, o utilitário entrega dimensões superiores às de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. São 4,53 m de comprimento, 1,88 m de largura e 1,65 m de altura, além de um entre-eixos de 2,73 m. São cerca de 10 cm a mais no comprimento em relação aos concorrentes diretos.


O pacote de equipamentos será o mesmo do B10 BEV, com com sete airbags e 17 funções avançadas de auxílio ao motorista (ADAS). O controle de cruzeiro adaptativo e o assistente de centralização em faixa trazem calibrações focadas em desacelerações progressivas ao se aproximar de curvas.
A cabine ainda tem a tela central de 14,6 polegadas com processador Qualcomm 8155, Apple CarPlay e Android Auto sem o uso de cabos, teto solar e som com 12 alto-falantes.
Futuro nacional

A Stellantis anunciou, em abril, que os Leapmotor B10 e C10 serão produzidos em Goiana (PE). Neste momento a fabricante avalia se a operação local será por meio dos sistemas Semi-Knocked Down (do inglês, semi-desmontado) ou Completly Knocked Down (completamente desmontado), no qual produzem os modelos a partir de peças e conjuntos prontos. No primeiro caso, SKD, o carro vem com a carroceria armada e pintada, quase que totalmente pronto.
Combinado a isso, a Stellantis também trabalha para integrar o conjunto REEV em carros de outras marcas do grupo, como Jeep e Fiat.
“O ponto que é crucial para nós é que essa tecnologia e a capacidade de adaptação dessa tecnologia em outros produtos das nossas marcas é um caminho sobre o qual a gente quer avançar rapidamente”, afirmou Zola. O sistema chinês, de acordo com o executivo, trabalhará em conjunto com os motores flex disponíveis na linha nacional do grupo – ou seja, os motores Firefly e GSE Turbo, 1.0 ou 1.3, e o recente 2.0 Hurricane flex. A fabricante não fala quais modelos receberão o recurso e nem a data para isso acontecer.
