
O desgaste provocado pelo caso Banco Master começou a produzir um efeito paralelo dentro da direita com o aumento da movimentação de presidenciáveis que até aqui evitavam confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Embora a polarização siga mantendo o bolsonarismo competitivo, analistas avaliam que a crise abriu espaço para governadores e lideranças do campo conservador recalcularem estratégias para 2026, especialmente diante da possibilidade de enfraquecimento da candidatura apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu me arrisco a dizer que a gente vive uma crise na campanha do senador Flávio Bolsonaro”, afirmou o analista político Leopoldo Vieira, da IdealPolitik, durante participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (15).
A avaliação ganhou força após a divulgação de áudios envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, episódio que recolocou a pauta da corrupção no centro da disputa eleitoral.
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Zema se afasta do bolsonarismo
Entre os nomes que passaram a se movimentar com mais clareza está o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Segundo analistas, o mineiro vem adotando uma postura mais independente em relação ao núcleo bolsonarista e já trabalha para preservar espaço próprio dentro da direita.
“Está bastante distante nesse momento uma aproximação do Zema com a candidatura de Flávio Bolsonaro”, afirmou a analista de política da XP, Bárbara Baião.
A relação entre os grupos já vinha sofrendo desgaste desde as discussões sobre alianças estaduais e divisão de palanques. Agora, o ambiente ficou ainda mais sensível.
Bárbara lembrou que parte do bolsonarismo passou a interpretar movimentos recentes de Zema como tentativas de construir um caminho alternativo à liderança da família Bolsonaro.
“A política perdoa a traição, mas não o traidor”, afirmou a analista ao descrever o sentimento de setores bolsonaristas sobre lideranças que tentam ganhar autonomia eleitoral.
Direita evita ruptura aberta
Apesar da tensão, lideranças conservadoras ainda evitam atacar frontalmente Flávio Bolsonaro. A avaliação predominante é que um rompimento explícito poderia fragmentar o eleitorado de direita e beneficiar diretamente Lula.
Por isso, o movimento observado até aqui é mais de afastamento gradual do que de confronto aberto. Segundo Leopoldo Vieira, a lógica da polarização ainda impõe limites claros para candidaturas alternativas.
“Mas a polarização vai prevalecer”, afirmou.
Na prática, isso significa que mesmo lideranças interessadas em ocupar espaço na direita sabem que dificilmente haverá viabilidade eleitoral sem algum nível de aproximação com o eleitorado bolsonarista.
Espólio político começa a ser disputado
Ainda assim, a crise envolvendo Flávio acelerou uma discussão que até então acontecia de forma mais silenciosa: quem herdaria o capital político da direita caso a candidatura do senador perca força ao longo da campanha.
O debate ganhou intensidade porque o episódio do Banco Master atingiu justamente um dos pilares mais sensíveis do bolsonarismo, o discurso anticorrupção.
Além disso, o desgaste ocorre num momento em que pesquisas seguem apontando disputa apertada entre Lula e Flávio, o que aumenta o peso de pequenos deslocamentos eleitorais.
Para os analistas, a direita ainda permanece fortemente concentrada em torno da família Bolsonaro, mas o caso Master mostrou que o campo conservador já começou a se preparar para cenários alternativos, mesmo que ainda evite admitir isso publicamente.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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