As amostras de material biológico furtadas de um laboratório da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) eram vírus armazenados em uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto nível atualmente disponível para estudo de agentes infecciosos em laboratórios no Brasil.
De acordo com o g1 Campinas, a informação consta em documento da Justiça Federal que concedeu liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, investigada no caso após a Polícia Federal encontrar as amostras em laboratórios utilizados por ela dentro da universidade.
Laboratório de alto nível de biossegurança
Ainda segundo o g1 Campinas, o material estava armazenado em uma área classificada como NB-3, que exige protocolos rigorosos de segurança biológica.
Esse nível é utilizado para agentes infecciosos que apresentam alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade, podendo causar doenças graves ou letais, muitas vezes transmitidas pelo ar. Apesar disso, existem medidas de prevenção e tratamento para esses agentes.
Atualmente, esse é o nível mais alto possível no Brasil. O primeiro laboratório NB-4 do país, que será o nível máximo de biossegurança, está em construção em Campinas e tem previsão de conclusão para 2027.
Investigações
Segundo as investigações, o desaparecimento das amostras foi percebido no dia 13 de fevereiro de 2026, quando uma pesquisadora autorizada notou que caixas com amostras virais haviam sumido do Laboratório de Virologia Animal do IB (Instituto de Biologia) da Unicamp.
Já no dia 23 de março, após investigação, a Polícia Federal encontrou o material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a professora atuava. No mesmo dia, os laboratórios foram interditados para cumprimento de mandados e a pesquisadora foi presa em flagrante.
No dia 24 de março, a Justiça concedeu liberdade provisória à docente e confirmou na decisão judicial que o material biológico se tratava de vírus.

Riscos à saúde
As investigações apontam que a movimentação e o armazenamento do material biológico sensível teriam sido feitos em ambientes não controlados. Ainda segundo a apuração, houve descarte de material em lixeiras comuns, o que teria exposto a saúde de terceiros a perigo.
A professora poderá responder pelos crimes de exposição da vida ou saúde de outras pessoas a perigo, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual.
A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso e afirmou que continua colaborando com as investigações. Confira:
“A Reitoria da Unicamp reitera que permanece colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal (PF) na condução do inquérito que resultou na prisão em flagrante, na tarde desta segunda-feira (23), de uma suspeita de envolvimento no furto de material de pesquisa do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da Universidade.
Na mesma ocasião, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, que possibilitaram a localização do material subtraído, já encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para análise. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) forneceu apoio técnico à ação.
A Universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações.
A Unicamp reafirma seu compromisso com a integridade de suas pesquisas e colabora para que todos os envolvidos sejam responsabilizados de acordo com a legislação vigente”, diz a nota.
A Unicamp ainda informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.
*Com informações de Bárbara Camilotti/g1 Campinas e da EPTV Campinas
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