
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) alegou que o orçamento do filme “Dark Horse”, que irá retratar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não é “caro” para os padrões de Hollywood. A produção ganhou notoriedade na última semana, depois do vazamento de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando dinheiro de patrocínio ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que firmou um contrato para investir R$ 134 milhões no filme. Como mostrou o GLOBO, apesar da afirmação de Eduardo, o valor é superior ao que foi gasto em 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar.
— É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é super caro. Não. Para os padrões de Hollywood, não. E ainda assim, o que eu sei é que não conseguiu se captar tudo aquilo que o projeto inicialmente previa — disse Eduardo, neste domingo, em entrevista ao programa “Paulo Figueiredo Show”. — O valor (R$ 134 milhões) não é exorbitante, é até barato para os padrões de Hollywood — completou.
O ex-deputado justificou que o diretor americano Cyrus Nowrasteh, escolhido para escrever o roteiro do filme, é “altamente requisitado”. Ele também defendeu que o ator Jim Caviezel, que irá retratar Bolsonaro no longa, é “a principal estrela do cenário conservador”.
— Você não faz um filme de 50 mil dólares com o Jim Caviezel, pelo amor de Deus — disse Eduardo, lembrando o trabalho do ator no filme “A Paixão de Cristo”, de 2004.
Apesar da constatação, Eduardo destacou que “nunca conversou” com Vorcaro. Documentos obtidos pelo Intercept Brasil mostram que ele chegou a assinar um contrato como produtor-executivo do filme, o que alega ter sido um acordo “provisório e velho”. Segundo o ex-deputado, ele utilizou U$ 50 mil do próprio bolso para “segurar” Nowrasteh, mas não fez parte da gestão de recursos para o longa.
— Se houver conversas minhas com Vorcaro, parem de me seguir (apoiadores). Não há qualquer possibilidade. Não participei de nenhum encontro com ele, nem no contexto do filme — disse Eduardo, também na entrevista concedida hoje.
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Montante supera filmes premiados
Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, do GLOBO, Vorcaro repassou R$ 62 milhões dos R$ 134 milhões previstos entre fevereiro e maio de 2025, valor quesupera os R$ 28 milhões gastos em “O Agente Secreto” e os R$ 45 milhões de “Ainda Estou Aqui”, últimos filmes nacionais com indicação ao Oscar.
Os repasses foram interrompidos após a prisão do banqueiro e os escândalos de fraude envolvendo o Banco Master. A cobrança dos recursos feita por Flávio — que ressaltou a existência de “muita parcela pra trás” — ocorreu em 8 de setembro de 2025, no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem do filme.
Com US$ 24 milhões (valor convertido), seria possível produzir 15 dos últimos 20 longas vencedores do Oscar de melhor filme. O montante considera só o contrato firmado com Vorcaro, embora parlamentares bolsonaristas também tenham enviado emendas parlamentares para uma empresa ligada à produtora do filme, o que motivou a abertura de uma apuração no Supremo Tribunal Federal (STF).
Produções com valor inferior:
- ‘Anora’: US$ 6 milhões
- ‘Tudo em todo lugar ao mesmo tempo’: US$ 20 milhões
- ‘No ritmo do coração’: US$ 10 milhões
- ‘Nomadland’: US$ 5 milhões
- ‘Parasita’: US$ 11,4 milhões
- ‘Green Book: o guia’: US$ 23 milhões
- ‘A forma da água’: US$ 19,5 milhões
- ‘Moonlight: sob a luz do luar’: US$ 1,5 milhões
- ‘Spotlight: segredos revelados’: US$ 20 milhões
- ‘Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância)’: US$ 18 milhões
- ’12 anos de escravidão’: US$ 22 milhões
- ‘O artista’: US$ 15 milhões
- ‘O discurso do rei’: US$ 15 milhões
- ‘Guerra ao terror’: US$ 15 milhões
- ‘Quem quer ser um milionário?’: US$ 15 milhões
‘Irmão, estarei contigo sempre’
Os recursos pedidos pelo filho 01 de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República fazem parte de uma negociação envolvendo Vorcaro e Flávio, no qual o primeiro teria se comprometido a custear parte da produção do filme.
— Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme — diz o senador, em aúdio enviado ao banqueiro.
Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio.
Versões contraditórias
Como mostrou o GLOBO, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a apresentar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos. A sequência de declarações levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro.
A principal linha de investigação tenta esclarecer se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro, foram usados exclusivamente na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.
— Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro desse fundo dos Estados Unidos está mentindo para você — disse o ex-deputado, em pronunciamento publicado nas suas redes sociais, na sexta-feira.
O valor de U$ 50 mil, segundo ele, foi devolvido pela produtora GoUp, mas não chegou a passar pelo fundo do Texas:
— Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato da produtora, mas isso não passou pelo fundo, e recebi o dinheiro que era meu. Acho até que nem foi corrigido, (era) 100% do risco. Cinquenta mil dólares para mim faz falta, e é por isso que a gente conseguiu confeccionar esse filme — completou.
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