O carro da frente tentou desviar, eu também não consegui. Só vi algo grande na pista, senti uma pancada e percebi que o pneu dianteiro direito estava roçando na roda. O BYD Dolphin seguiu controlável e me vi procurando um espaço vazio no acostamento em segurança.
Era meia-noite de sexta-feira, eu estava na pista expressa da Rodovia Presidente Dutra na altura de São João de Meriti (RJ) e já havia outros três veículos parados no mesmo local. Todos trafegavam na esquerda quando passaram por cima do gradil que separa os sentidos da via e de pedaços de concreto, que furaram pelo menos um pneu de cada carro.
Primeiro, chamei o resgate da Ecovias Rio Minas, concessionária que administra o trecho entre Seropédica e Rio de Janeiro há três anos. Alguém poderia precisar e era necessário remover os objetos da via.
A situação só não foi pior porque o Dolphin GS pertence à minoria dos chineses que têm estepe. Usar o macaco do tipo sanfona sempre é ruim, mas não foi difícil remover a roda. Foi quando vi o grande pedaço que foi arrancado do pneu e que a roda de liga leve estava bastante amassada.
O kit de reparo de pneu, que é o comum nos carros elétricos, não serviria de nada e a minha noite teria acabado em uma borracharia.

O pneu de uso temporário do Dolphin tem largura 125 – é mais estreito que um “canelinha” de Fusca – e faz o carro puxar nas frenagens, mas cumpre a função. O resgate chegou na hora que eu estava apertando a roda e nenhum outro carro – éramos cinco agora – quis a ajuda. O motorista indicou que qualquer tipo de registro da situação teria que ser feito pelo telefone da rodovia em horário comercial e que outra equipe limparia a pista.
Devagar, consegui chegar ao meu destino e dormir pensando que precisaria apenas consertar a roda e comprar um novo par de pneus para retornar a São Paulo no dia seguinte.

Os pneus Chao Yang RP76+ originais do Dolphin não existem no varejo. Procurando alternativas, achei o Dunlop SP FM800, com notas C para consumo e desempenho no molhado na etiqueta do Inmetro por R$ 583 na Rede Manaus, a pronta entrega. Mas a loja não conserta a roda, e, quando vi a roda danificada à luz do dia, concluí que não teria conserto.
É verdade que há quem conserte, mas o certo é inutilizar a peça caso haja qualquer fissura no metal e a roda do Dolphin estava rachada no aro. Como prezamos pela segurança, a única solução seria comprar outra roda. Eu só não contava com o fato de nenhuma concessionária BYD, pelo menos no Rio de Janeiro, não abrir o setor de peças aos sábados. E outra surpresa: uma roda de Dolphin nova custa entre R$ 2.800 e R$ 3.000 na concessionária.
Pneus em desvantagem

O serviço de 0800 da BYD me ofereceu como solução remover o carro com um reboque. De São Paulo, o piloto de testes Leonardo Barboza ajudou contatando alguns autocenters. Foi ele quem encontrou uma roda de Dolphin original usada por R$ 1.790 na Full Pneus, em Nova Iguaçu (RJ). Lá, as opções de pneus eram outras. Ia de um remold de R$ 250 a um Pirelli Cinturato P1 por R$ 920.
Na média, todas as opções eram mais caras e eu não tinha tempo para comprar apenas a roda e colocar os pneus em outro lugar. Escolhi os Delinte DS2, chinês e famoso na internet, com nota B para eficiência e C para aderência no molhado, no Inmetro. Cada um custaria R$ 574. Foram montados na traseira e só então vi que a roda era original, mas com um detalhe: haviam refeito o acabamento diamantado com outro padrão.

Roda, pneus, alinhamento (R$ 90), balanceamento (R$ 60) e válvulas (R$ 30) somaram R$ 3.118. A loja ainda tentou forçar a fazer cambagem, dizendo que o carro estava muito fora da geometria por causa da pancada, enquanto eu via no monitor da mesa de alinhamento que os graus das duas rodas dianteiras tinham variação marginal entre si. O alinhamento não deve ter sido feito, porque a direção continuou puxando para a direita.
Na segunda-feira seguinte, solicitamos o ressarcimento do custo da roda e de um pneu montado (R$ 2.499) pelo site da Ecovias Rio Minas e não tivemos retorno. Pelo telefone, me orientaram a tratativa por e-mail, que exigia, comprovante do pedágio pago e um boletim de ocorrência da Polícia Rodoviária Federal, o que demorou mais alguns dias. Ainda aguardamos a análise da Ecovias.

O fato é que, após 42.500 km, os pneus do BYD Dolphin já estavam no fim da vida. Na semana seguinte, compramos mais dois iguais na loja da Delinte no Mercado Livre, por R$ 491,58 cada. Montagem, balanceamento e um novo alinhamento saiu por R$ 360 na Impacto Pneus da Av. Miguel Estefno, em São Paulo.
Essa loja acusou divergência de 4o na roda dianteira direita, aquela do impacto, e que isso seria de um defeito no sensor de ângulo da caixa de direção e sua troca custaria R$ 1.200. Se é grave assim, é serviço para ser feito em concessionária. O fato é que o Dolphin realmente saiu alinhado do autocenter, mas sem torque nas rodas. Grave.

O Longa Duração também é um laboratório e a partir de agora acompanharemos o desgaste destes pneus Delinte DS2. Aparentemente, eles já começam em desvantagem: seus sulcos têm 3,8 mm de profundidade, enquanto os Chao Yang tinham 6,7 mm quando novos e pneus de primeira linha chegam a ter entre 7 e 9 mm de profundidade.
BYD Dolphin – 44.082 km
| Versão | GS 180 EV |
| Motor | elétrico, diant., transversal, síncrono, 95 cv, 18,4 kgfm |
| Câmbio | automático, 1 marcha, tração dianteira |
| Revisões | até 100.000 km: grátis |
| Seguro | R$ 1.570 |
| Consumo | No mês: 5,4 km/kWh, com 34,7% de rodagem na cidade
Desde jan/24: 6,3 km/kWh, com 48% de rodagem na cidade |
| Carregamento | Carregamento: 535,14 kWh, 35h52min, R$ 997,22 |
| Gastos no mês | Roda: R$ 1.790 Quatro pneus: R$ 2.671 |
