A nova Toyota Hilux 2028 já circula em testes na Argentina em preparação para a produção prevista para começar no final do ano. As imagens, publicadas pelo site Argentina Autoblog, mostram duas unidades da picape, uma nos arredores do complexo industrial da Toyota em Zárate (Argentina), e outra em uma área de mineiração.
As unidades fotografadas no país vizinho transitam camufladas, mas denunciam atualizações nas laterais e na área da caçamba. A picape adota dois degraus integrados nas extremidades do para-choque traseiro para facilitar o acesso ao compartimento de carga. É uma solução mecânica implementada no mercado pela atual geração da Ford Ranger, concorrente direta no segmento de comerciais leves. O protótipo avistado na província de Buenos Aires utiliza a bitola padrão, sem adotar os eixos alargados presentes nas atuais versões SRX e GR-Sport.
Em paralelo aos testes normais nas ruas, a fabricante submete uma variante a bateria à rotina de mineração do Projeto Veladero, na região de San Juan. A unidade testada pela empresa Barrick Gold conta com pneus de uso misto, duas rodas de estepe na caçamba e iluminação suplementar de longo alcance. O objetivo da marca é aferir a durabilidade dos componentes mecânicos e elétricos em condições severas de temperatura e de uso fora de estrada.
A diferença de quase um ano entre o lançamento sul-americano e o asiático decorre da necessidade de adaptação estrutural da fábrica de Zárate. A fabricante suspenderá temporariamente a linha de montagem durante as férias coletivas do final de 2026 para alterar o ferramental de solda e a estamparia. O processo industrial engloba o desenvolvimento de novos fornecedores locais e a adequação da picape a diferentes normativas de emissões dos países latino-americanos importadores.

O lançamento ocorrerá de forma escalonada, concentrando o volume inicial nas versões de maior demanda. As primeiras unidades a chegarem às concessionárias brasileiras, no início de 2027, manterão o motor a combustão. A configuração eletrificada por um sistema híbrido leve (MHEV) tem estreia programada apenas para o segundo trimestre de 2027. O SUV derivado SW4 acompanhará a renovação, com produção inicial projetada para o período entre março e abril de 2027.
Apesar da Toyota tratar como uma nova geração, a Hilux será uma reestilização profunda, sem trocar de plataforma. O modelo asiático mede 5,32 m de comprimento (0,5 cm a menos em relação ao antecessor) e 1,85 m de largura (16,5 cm mais estreita quando comparada às atuais versões esportivas GR-Sport). A distância entre eixos permanece congelada em 3,08 m, o que sinaliza a preservação do arranjo interno de espaço para os ocupantes traseiros.

A estrutura de chassi recebeu adição de novos pontos de solda para elevar a rigidez contra torções na caçamba. Para o isolamento acústico, a engenharia aplicou novos coxins hidráulicos entre a cabine e o chassi, diminuindo o repasse de vibrações. A suspensão traseira passou por uma recalibração variável. As opções destinadas ao trabalho mantiveram a calibragem voltada à carga pesada, enquanto as versões superiores receberam molas redimensionadas para elevar o conforto com o compartimento vazio.
O sistema de direção hidráulica foi substituído por assistência elétrica nas opções mais caras, mantendo o equipamento hidráulico apenas nas variantes básicas focadas em vendas diretas. A base mecânica preserva o motor 2.8 turbodiesel com capacidade de gerar 204 cv e 50,9 kgfm. A opção com sistema híbrido leve acopla um motor-gerador elétrico de 48V a esta mesma motorização. O maquinário elétrico auxiliar atua unicamente para poupar o consumo de diesel em retomadas e arrancadas urbanas.

A cabine foi refeita para acabar com a defasagem tecnológica diante da concorrência. O painel integra uma tela central de 12,3 polegadas operada por um processador atualizado, que suporta espelhamento sem fio de smartphones em todas as versões. O quadro de instrumentos abandona os relógios analógicos nas configurações superiores, substituído por um visor de 12,3 polegadas. A Toyota preservou os botões físicos rotativos para a operação do ar-condicionado, evitando a integração total em telas que afeta a ergonomia.
O pacote de assistência à condução passa a incorporar novos sensores e radares. A picape ganha sensores de estacionamento em ambas as extremidades, além de monitor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro instalados de série. Para a proteção estrutural, um novo airbag central foi posicionado no encosto do condutor. A bolsa infla no vão entre os assentos, impedindo a colisão entre as cabeças do motorista e do carona durante impactos em ângulo lateral.
O conjunto 100% elétrico conta com uma bateria de 59,2 kWh, responsável por alimentar dois motores elétricos dispostos em cada eixo. O conjunto dianteiro fornece 112 cv e 20,9 kgfm, e a unidade traseira rende 176 cv e 27,3 kgfm. A potência total combinada atinge 196 cv, com torque imediato de 48,3 kgfm. Direcionada a operações de circuito fechado, a autonomia declarada atinge 240 km no ciclo WLTP, limitando a capacidade de reboque a 1.600 kg (metade do registrado na versão a combustão).
O cronograma de lançamento da nova Toyota Hilux a coloca em um momento bem concorrido do segmento. A Volkswagen prepara o lançamento da nova Amarok, agora com base chinesa e versão híbrida plug-in, previsto para 2027. Outra novidade confirmada para o ano que vem é a Ford Ranger PHEV, feita na Argentina.
