A Amazon parou de lançar Fire Sticks com suporte a sideloading devido a ameaça de malware em apps de fora da loja. Segundo um executivo da marca, há “um bom número de evidências” de que programas baixados por métodos alternativos podem conter códigos maliciosos.
“Aplicativos que facilitam a pirataria e outros apps podem conter malwares”, afirmou o vice-presidente do Fire TV na Amazon, Aidan Marcuss, em entrevista ao Cord Busters. O executivo disse que “há uma quantidade significativa de evidências de que apps podem trazer códigos e comportamentos indesejados quando instalados por meio de sideloading”.
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Durante a entrevista, Marcuss não apresentou exemplos de aplicativos maliciosos baixados por sideloading.
Em abril deste ano, a Amazon lançou uma nova versão do Fire TV Stick HD, mas com um novo sistema operacional a bordo: o Vega OS, plataforma proprietária da Amazon baseada no Linux. O Fire OS, que era baseado no Android, permitia o sideloading; o novo SO não permite baixar e instalar aplicativos fora da Amazon Appstore.
A nova plataforma garante à Amazon maior controle sobre a experiência do usuário, incluindo mecanismos para evitar que consumidores ignorem a exibição de publicidade. O SO também permite que a varejista inclua recursos próprios com maior liberdade sobre a estrutura, como o assistente de IA Alexa+.
Contudo, o Vega OS é alvo de críticas dos usuários desde a sua estreia. A plataforma não tem todos os recursos que o Fire OS já fornecia, como suporte ao Dolby Vision, armazenamento USB e certos aplicativos. Para comparação, os Fire Sticks com Vega OS têm 3 mil apps disponíveis, enquanto os modelos com Fire OS têm um catálogo com 40 mil opções, segundo o Cord Busters.
Segurança é sempre usada como argumento contra o sideloading
Usar a segurança do usuário como premissa para proibir ou restringir o sideloading é uma prática comum entre fornecedoras de software e hardware. O Google e a Apple costumam estar no centro dessa discussão, já que mantêm duas das plataformas mais usadas no mundo – o Android e o iOS.
Atualmente, o debate acerca do sideloading está aquecido. A Apple foi ordenada a permitir o download de apps fora da App Store no Brasil e no Japão. Ao mesmo tempo, o Google se tornou mais restritivo quanto à distribuição de aplicativos no Android, agora exigindo verificação de desenvolvedores mesmo quando os softwares são entregues fora da Play Store.
No caso do Fire Stick, o impacto das decisões da Amazon sobre o sideloading tem escopo reduzido – o aparelho é um dispositivo de finalidade única: consumo de conteúdo por streaming. Mesmo assim, a transição para um sistema proprietário e mais rigoroso mostra que a empresa busca ter maior controle sobre o uso do produto final.
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