A Geely apresentou o sistema híbrido i-HEV de nova geração, chamado de “Energia Inteligente”, com planos de aplicação em modelos de grande volume ainda em 2026. A estratégia de eletrificação da marca engloba inicialmente veículos como Preface (Xingrui) e Monjaro (Xingyue L), sendo este o carro que deu origem ao Renault Koleos, lançado no Brasil na última semana.
O conjunto tem eficiência energética superior em 10% na comparação com os sistemas anteriores, segundo a fabricante. O gerenciamento de energia utiliza inteligência artificial e atua com um trem de força desenvolvido para aplicações híbridas. A proposta segue o movimento da indústria chinesa, que prioriza sistemas híbridos como alternativa de custo menor frente aos elétricos a bateria.

O uso de baterias menores, entre 1 e 2 kWh, reduz a exposição das montadoras aos altos custos de matérias-primas. O novo sistema atingiu consumo de 45 km/l em ciclo combinado. A Geely afirma ter obtido uma certificação do Guinness para essa marca de consumo.
O sistema i-HEV utiliza um motor a combustão cuja eficiência térmica declarada chega a um pico de 48,4%. A montadora alega ser uma das maiores taxas da indústria em motores de produção em massa. O motor elétrico entrega 313 cv. O sistema privilegia respostas rápidas em baixas velocidades e otimiza a recuperação de energia nas desacelerações.
Expansão do sistema e estratégia de mercado
A fabricante já apresentou os primeiros modelos equipados com a tecnologia. O sedã Preface i-HEV registra consumo de combustível de 25,1 km/l no ciclo WLTC. O SUV Monjaro i-HEV atinge 21 km/l. Ambos mantêm o desenho já conhecido, com mudanças apenas em rodas e catálogo de cores.
No interior, os carros têm telas duplas, sistema multimídia Flyme Auto e integração com smartphones por meio do Huawei HiCar. As versões mais completas oferecem head-up display, bancos ventilados com função de massagem e ajustes ampliados para os ocupantes traseiros.
A Geely expandirá o i-HEV para modelos como Emgrand e Boyue. O sistema operará em conjunto com os motores 1.5 aspirado, 1.5 turbo e 2.0 turbo, aliados a uma unidade elétrica integrada 11 em 1. O lançamento ocorrerá no decorrer de 2026, ampliando a hibridização na linha de veículos de passeio.

O avanço acontece em meio ao crescimento de mercado dos híbridos na China. As montadoras locais buscam consumos médios entre 30 e 50 km/l. O segmento segue com alta relevância global: a Toyota vendeu cerca de 4,4 milhões de híbridos em 2025, volume equivalente a 42% do seu total de vendas.
A Geely também mantém investimentos no desenvolvimento de combustíveis alternativos, como o metanol. O presidente da marca, Li Shufu, afirma que o combustível pode atingir densidade energética mais de 10 vezes superior à das baterias de íon-lítio. A diferença técnica impacta no alívio de peso e no ganho de eficiência dos veículos.
A China passa por mudanças em seu campo regulatório, com a redução de incentivos para os híbridos plug-in (PHEV) e adoção de políticas públicas mais neutras em relação às tecnologias. A medida governamental tende a equilibrar a competitividade entre os diferentes sistemas eletrificados disponíveis no país.
A Geely iniciou o ano de 2026 com 270.167 veículos vendidos em janeiro e 206.160 em fevereiro, com 476.327 unidades no bimestre. Em março, a fabricante comercializou cerca de 206.200 unidades na China. Os números indicam uma recuperação do mercado após a queda sazonal, mas o volume permanece abaixo dos níveis registrados no fim de 2025.
