
WASHINGTON — Uma equipe secreta da CIA realizou operações de sabotagem na Venezuela para ajudar a garantir que uma força de ataque militar dos EUA pudesse entrar no país com segurança e capturar o presidente Nicolás Maduro no início deste mês, segundo pessoas informadas sobre a operação.
O trabalho dos agentes sigilosos foi um sinal de estreita cooperação entre a agência de inteligência e as Forças Armadas dos EUA, disseram autoridades. Mas também refletiu o novo foco da agência na América Latina, bem como uma ênfase renovada na coleta de inteligência no exterior e em operações encobertas.
Como Wall Street virou as costas para a mudança climática
Em 2020, praticamente todas as grandes instituições financeiras passaram a prometer a redução de emissões, mas hoje abandonaram esse discurso
A inteligência artificial está fazendo economistas repensarem a história da automação
Segundo especialistas, a tecnologia é benéfica para os trabalhadores se a sociedade inventar novas coisas nas quais eles possam se destacar
Autoridades americanas insistem que uma postura mais agressiva da agência — e o foco na América Latina — está trazendo resultados. Em um briefing a portas fechadas ao Congresso neste mês, o diretor da CIA, John Ratcliffe, disse que a coleta de inteligência estrangeira sobre a América Latina aumentou cerca de 51% durante sua gestão, segundo pessoas familiarizadas com a reunião. Ele também afirmou que o número de fontes humanas aumentou substancialmente, subindo 61%.
O número exato de relatórios e de fontes recrutadas permanece classificado, segundo as autoridades que, assim como outras entrevistadas para este artigo, falaram sob condição de anonimato para discutir informações sigilosas. A CIA não quis comentar.
Um alto funcionário do governo dos EUA se recusou a confirmar as operações específicas na Venezuela, mas disse que a equipe prestou apoio à missão enquanto ela acontecia. O grupo passou meses monitorando Maduro e recrutando pessoas que pudessem repassar informações sobre seus deslocamentos. Também forneceu inteligência a comandantes militares sobre as condições em tempo real no terreno, tanto antes quanto durante a incursão.
Como parte do planejamento da operação, o presidente Donald Trump autorizou a CIA a conduzir ações encobertas dentro da Venezuela. Dez dias antes de os militares capturarem Maduro, a CIA realizou um ataque a um cais onde membros de uma quadrilha venezuelana estariam carregando drogas em barcos.
A operação foi fruto de meses de planejamento e do novo foco da CIA na América Latina e no Caribe. No início do ano passado, autoridades do Pentágono lamentavam que a inteligência dos EUA sobre a Venezuela e o Caribe ficava bem atrás da de seus aliados, como os britânicos.
Ratcliffe assumiu o cargo prometendo um foco renovado na coleta de inteligência e no recrutamento de espiões, além do objetivo de tornar a agência mais agressiva e disposta a empreender ações encobertas.
Colocar a equipe secreta dentro da Venezuela é o exemplo mais claro da abordagem mais agressiva, ao menos o mais evidente até agora. Como os Estados Unidos não mantinham relações diplomáticas com a Venezuela e sua embaixada estava fechada, a equipe clandestina não podia contar com o tipo de proteção diplomática de que espiões americanos dispõem na maioria das missões no exterior.
O envolvimento da CIA em operações militares costuma permanecer envolto em mistério por anos. Mas Trump tem sido incomumente aberto sobre o trabalho da agência nas operações na Venezuela. Ele confirmou publicamente uma reportagem do New York Times no ano passado segundo a qual havia autorizado operações da CIA no país. E revelou a misteriosa operação no porto durante uma entrevista de rádio.
Em uma entrevista coletiva após a incursão, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, fez elogios à CIA e a outras agências de inteligência. “Nós observamos, esperamos, nos preparamos; permanecemos pacientes e profissionais”, disse Caine, acrescentando que as agências acompanharam os movimentos de Maduro.
Ao longo do último verão e outono boreal, Ratcliffe se reuniu regularmente com o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e Caine para planejar a operação.
c.2026 The New York Times Company
The post Operação secreta para capturar Maduro expõe novo foco da CIA na América Latina appeared first on InfoMoney.
