Uma consulta médica realizada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaguariúna chamou a atenção de milhões de pessoas nas redes sociais. O vídeo, que já ultrapassa 2 milhões de visualizações, mostra um paciente surdo utilizando uma videochamada com uma intérprete de Libras para conseguir se comunicar com o médico durante o atendimento.
Nas imagens, o paciente explica, por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que está com dor de garganta. A intérprete acompanha a conversa em tempo real pela tela do celular, traduzindo as informações para o médico e, em seguida, repassando ao paciente as orientações recebidas durante a consulta.
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A cena viralizou pela forma simples e rápida como a tecnologia tornou possível a comunicação entre médico e paciente.
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Como funciona a ferramenta de videochamada
O recurso utilizado na consulta é o ICOM – Jaguariúna para TODOS Comunicação sem Barreiras, plataforma contratada pela Prefeitura de Jaguariúna e desenvolvida pela Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais (AME).
O sistema conecta a pessoa surda a um intérprete de Libras por meio de uma videochamada em tempo real. Durante o atendimento, o profissional traduz a conversa entre a Língua Brasileira de Sinais e a língua portuguesa, permitindo que o cidadão e o servidor público consigam se comunicar de forma imediata.
Segundo a Prefeitura de Jaguariúna, o serviço está disponível desde 22 de janeiro em todos os setores de atendimento do município. A videochamada pode ser feita pelo aplicativo instalado no celular da pessoa surda e não consome o pacote de dados móveis do usuário, sendo um serviço totalmente gratuito.
Primeira experiência
O médico Leonardo Lange, que aparece no vídeo viral, contou ao acidade on Campinas que, na época da gravação, ainda fazia o internato de Medicina e acompanhava um professor durante os atendimentos na UPA de Jaguariúna. Atualmente, ele já é médico formado.
Segundo ele, aquela foi a primeira vez que viu a plataforma sendo utilizada em uma consulta. Em outra ocasião, o atendimento a um paciente surdo precisou ser feito por meio da escrita. Desta vez, a presença de uma intérprete de Libras tornou a comunicação muito mais rápida e natural.
Leonardo lembra que o paciente estava acompanhado da esposa, que tinha deficiência auditiva e poderia ajudar na conversa. Mesmo assim, ele fez questão de utilizar a plataforma.
“O paciente estava tão ansioso e feliz com esse aplicativo que queria mostrar mesmo para a gente. Ele fez questão de utilizar.”
Para o médico, a tecnologia contribuiu para tornar o atendimento mais fluido e facilitou a comunicação entre todos os envolvidos.
“Eu achei que ajudou muito, muito mesmo. A profissional que fez a interpretação era excelente e isso facilitou bastante o atendimento.”
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Inclusão e autonomia
Além de facilitar a comunicação, o episódio chamou a atenção de Leonardo pela autonomia proporcionada ao paciente. Segundo ele, a empolgação em utilizar a ferramenta demonstrava a importância de recursos que permitam às pessoas surdas acessar diferentes serviços sem depender da mediação de familiares ou acompanhantes.
Na avaliação do médico, embora estudantes de Medicina tenham um contato inicial com Libras durante a graduação, esse conhecimento geralmente não é suficiente para conduzir uma consulta de forma completa. Por isso, tecnologias de acessibilidade cumprem um papel importante na redução das barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência auditiva.
“No mundo ideal, todos os profissionais seriam fluentes. Mas a gente sabe que, na realidade, isso não é tão simples. Então eu acho que esse tipo de tecnologia ajuda muito e tem um papel bem importante na acessibilidade desses pacientes para todo tipo de serviço, não só no atendimento médico.”
Serviço já realizou 82 atendimentos
De acordo com a Prefeitura de Jaguariúna, a plataforma é gratuita para a população e está disponível em todos os serviços municipais de atendimento ao público.
Até o momento, o sistema já registrou 82 atendimentos. Além das unidades de saúde, a ferramenta pode ser utilizada em diferentes setores da administração pública, permitindo que pessoas surdas tenham acesso aos serviços municipais com mais autonomia e inclusão.
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