
A fabricante de brinquedos Estrela (ESTR3;ESTR4) — que entrou com pedido de recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras e mudanças no mercado de consumo — reúne clássicos que fizeram parte da vida de várias gerações.
Em comunicado, a empresa afirmou que a medida ocorre diante da necessidade de “reestruturação do passivo do grupo”, em um cenário de pressões econômicas e desafios no setor de brinquedos.
Segundo a fabricante, fatores como o aumento do custo de capital, as restrições de crédito e a mudança no comportamento dos consumidores pesaram para a decisão.
A companhia destacou ainda o avanço da concorrência de alternativas digitais voltadas ao entretenimento infantil.
Apesar do pedido de recuperação judicial, a Estrela informou que manterá suas atividades industriais, comerciais e administrativas, além do atendimento a clientes, parceiros e fornecedores durante o processo.
Estrela em recuperação judicial: entenda motivos da crise da fabricante de brinquedos
Empresa cita dificuldade de acesso a crédito e concorrência de opções digitais no mercado infantil
Nos últimos meses, empresas de diferentes segmentos recorreram à recuperação judicial no Brasil.
Analistas apontam que o ambiente de juros elevados, com a taxa Selic em patamar alto por um período prolongado, expôs problemas financeiros e de gestão em companhias de diversos setores.
Brinquedos que fizeram história
Ao longo de décadas, a Estrela se consolidou como uma das marcas mais tradicionais do país ao lançar produtos que atravessaram gerações.
Entre eles, o destaque histórico é o Banco Imobiliário, jogo de compra e venda de propriedades inspirado no mercado financeiro e considerado um dos maiores sucessos comerciais da empresa.

Outro clássico é o Jogo da Vida, em que os participantes simulam etapas da trajetória pessoal e profissional, da faculdade à aposentadoria. Já o Genius virou febre nos anos 1980 ao desafiar crianças e adultos com sequências de luzes e sons que exigiam memória e rapidez.

A marca também ficou conhecida por jogos de investigação e habilidade. O Detetive, por exemplo, colocou os jogadores para descobrir autoria, arma e local de um crime fictício, enquanto o Cara a Cara se popularizou pelo sistema de perguntas e respostas para identificar personagens.
Na linha de brinquedos eletrônicos e de movimento, o Autorama marcou época com pistas de corrida e carrinhos elétricos, enquanto o Ferrorama se tornou símbolo de sofisticação entre brinquedos infantis ao reproduzir circuitos ferroviários em miniatura. O Pogobol, febre entre crianças nos anos 1980 e 1990, combinava equilíbrio e atividade física em uma estrutura que permitia saltos contínuos.
As bonecas também ajudaram a consolidar a identidade da marca. A Susi, considerada uma das bonecas mais emblemáticas do Brasil, atravessou gerações acompanhando tendências de moda e comportamento. Já linhas como Meu Bebê, Chuquinhas e Fofolete conquistaram espaço ao apostar em miniaturas e brinquedos voltados ao cuidado e à imaginação infantil.

Tradição de mais de 80 anos
Fundada em 1937, a Estrela se tornou uma das empresas mais emblemáticas da indústria brasileira de brinquedos. Ao longo de mais de oito décadas, a fabricante lançou produtos que passaram a integrar a memória afetiva de milhões de brasileiros e ajudaram a moldar diferentes gerações.
Durante sua trajetória, a companhia apostou em inovação e acompanhou transformações culturais e tecnológicas do país. Além de desenvolver brinquedos próprios, a empresa também licenciou personagens e produtos que fizeram sucesso internacionalmente. A presença constante nas casas brasileiras transformou a marca em referência no setor infantil, mantendo viva uma relação de nostalgia entre pais, filhos e avós.
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