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Perda econômica de países em guerra pode chegar a 7% do PIB em cinco anos, diz FMI

por SampaNews 8 de abril de 2026
8 de abril de 2026
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Mulher em meio a destroços de ataque Irã

As economias de países diretamente envolvidos em conflitos — como o atual no Oriente Médio —  sofrem com custos grandes e persistentes, com perdas que se aprofundam ao longo do tempo. Uma análise feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que, em média, o produto interno nas nações onde ocorrem combates cai cerca de 3% no início do conflito e continua caindo por anos, atingindo perdas acumuladas de cerca de 7% em cinco anos.

O estudo do Fundo conclui que as perdas de produção causadas por conflitos normalmente superam aqueles tipicamente ligados a crises financeiras — incluindo crises bancárias, cambiais e de dívida — e os provocados por desastres naturais severos. E que mesmo conflitos de menor intensidade estão associados a quedas estatisticamente significativas do produto no início do conflito, de magnitude comparável às perdas provocadas por crises cambiais.

Leia também: Irã fecha Estreito de Ormuz de novo e ameaça romper cessar-fogo por ataques ao Líbano

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As quedas no PIB refletem contrações sustentadas tanto no investimento quanto no consumo privado, enquanto o consumo do governo permanece em geral estável, diz o FMI. A resposta contida do consumo do governo desemboca numa mudança de composição em direção aos gastos com defesa, consistente com evidências de aumento das despesas militares no início do conflito. Ainda assim, as posições fiscais se deterioram, com a dívida pública aumentando nos primeiros anos de conflito.

“No setor externo, as importações se contraem de forma acentuada, mas as exportações caem ainda mais, resultando em deterioração do indicador de comércio. Em linha com essa dinâmica, evidências adicionais mostram que o saldo comercial em relação ao PIB do período anterior à guerra se amplia, embora esse aumento fique restrito aos quatro primeiros anos do conflito, o que aponta para compressão de importações nos anos seguintes, em resposta à escassez de reservas”, diz o texto.

Outro impacto comum nos países que atravessam guerras é que a incerteza elevada também desencadeia saídas de capital, com quedas tanto no investimento estrangeiro direto quanto nos fluxos de carteira, o que leva governos em tempo de guerra a dependerem de ajuda externa e, em alguns casos, de remessas para financiar déficits comerciais.

Os governos respondem introduzindo controles de capitais. A história recente mostra que, apesar dessas medidas, a dinâmica da guerra contribui para uma depreciação (ou desvalorização) cambial sustentada, perda de reservas e pressões inflacionárias. “Os preços, por exemplo, sobem de forma contínua, acumulando alta de aproximadamente 35% cinco anos após o início do conflito, o que leva as autoridades monetárias a elevar a taxa básica de juros nominal de curto prazo”, diz a análise do Fundo.

O estudo usa o exemplo recente da Ucrânia, após a invasão russa de 2022, destacando que a guerra provocou um colapso dramático da economia ucraniana. Os esforços iniciais para conter o choque da guerra exigiram medidas fiscais, monetárias e financeiras extraordinárias, incluindo a repriorização do orçamento em favor dos gastos com defesa, financiamento monetário, controles de capital e ajustes temporários tributários e regulatórios prudenciais.

A experiência da Rússia também destaca a dinâmica de tempos de guerra: uma resiliência inicial, apoiada por um choque favorável nos termos de troca e por uma rápida adaptação da economia à lógica de guerra, deu lugar ao aumento da inflação, a restrições crescentes de trabalho e capacidade produtiva e a um forte aperto monetário, com a desaceleração acentuada do crescimento até o fim de 2024.

Cicatrizes

Os conflitos de grande porte também geram efeitos de cicatrização tanto na macroeconomia quanto nos indivíduos, diz o estudo. “No plano macroeconômico, o estoque de capital, o emprego e a produtividade sofrem quedas significativas: conflitos estão associados a um estoque de capital cerca de 4% menor e a um nível de emprego 3% menor nas economias em conflito cinco anos após o início das hostilidades”, diz o texto.

Além disso, a produtividade total dos fatores também diminui nos primeiros anos, com amplas faixas de confiança em torno das estimativas pontuais no médio prazo, indicando variação substancial entre países.

Além dessas cicatrizes macroeconômicas, o conflito está associado a um aumento expressivo no número de mortes, sobretudo nos primeiros anos, bem como a deslocamentos forçados em grande escala. Indivíduos sobreviventes expostos à guerra também enfrentam consequências adversas de longo prazo para a saúde.

“Dados em nível individual, de uma amostra de 41 países, indicam que pessoas que vivenciam guerra ao longo da vida tendem a envelhecer com pior estado de saúde. A exposição à guerra reduz indicadores compostos de saúde, assim como habilidades cognitivas mensuradas, capacidades físicas autoavaliadas e saúde mental. Esses resultados são consistentes com os efeitos geracionais da guerra documentados em estudos anteriores, incluindo impactos adversos sobre educação, fertilidade e resultados de saúde”, lista o FMI.

A conclusão é que os custos de grandes conflitos vão muito além da perturbação macroeconômica de curto prazo, com consequências duradouras tanto para o potencial econômico quanto para o bem-estar humano.

E depois da guerra?

O estudo também discute como as economias se estabilizam e se recuperam após o fim do conflito. O FMI defende que financiamento e assistência internacional importam. “Reestruturação da dívida no pós‑conflito e maior engajamento em desenvolvimento de capacidade estão ambos positivamente correlacionados com recuperações mais vigorosas. Políticas inclusivas também desempenham um papel, já que aumentos nos gastos sociais estão associados a um crescimento pós‑conflito mais robusto.”

São lembrados casos de recuperações associadas a esforços de estabilização e à assistência internacional, como na Bósnia e Herzegovina (1992–95), Camboja (1989–98), Costa do Marfim (2010–11), Nepal (1996–2006), Ruanda (1990–2001) e Sri Lanka (1983–2009).

Nesses países, o crescimento médio anual do produto nos primeiros cinco anos após o conflito foi robusto, variando de 4,5% (no Nepal) a 24,5% (na Bósnia e Herzegovina). “Nesses casos, a estabilização macroeconômica foi fundamental: o nível e a volatilidade da inflação foram reduzidos de forma significativa — em dois dígitos no Camboja — e uma apreciação excessiva da taxa de câmbio foi em grande medida evitada, em muitos casos apesar de fortes fluxos de ajuda externa que, tipicamente, tenderiam a provocar apreciação cambial — fenômeno conhecido na literatura como ‘doença holandesa associada à ajuda’ –, com efeitos adversos sobre a competitividade do setor exportador.”

O FMI alerta que manter uma taxa de câmbio real estável no período pós‑conflito pode não ser apropriado em todos os casos. “Em algumas situações, a moeda doméstica pode estar significativamente subvalorizada em termos reais em relação aos níveis compatíveis com os fundamentos de longo prazo, o que implica que uma apreciação real em direção ao equilíbrio deve ser esperada.”

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