A Volkswagen confirmou seu primeiro carro híbrido nacional: como esperado, será a inédita picape Tukan, que estreará o sistema eletrificado flex, quando for lançada, em 2027. Ela substituirá as versões de topo da veterana Saveiro e mira o disputado segmento hoje ocupado por Chevrolet Montana, Fiat Toro, Ford Maverick e Ram Rampage.
Produzida em São José dos Pinhais (PR) ao lado do T-Cross, a picape terá 76% de peças nacionais logo na estreia, segundo a marca. “A Tukan marcará o início de uma nova era para a Volkswagen”, disse Ciro Possobom, presidente e CEO da VW no Brasil, em entrevista a jornalistas de economia.
De acordo com o site AutoIndústria, o executivo destaca que o projeto fortalece a cadeia automotiva ao ser desenvolvido e feito localmente. É a resposta da montadora para um segmento que só existe e faz sucesso nas Américas do Sul e Central.
Concebida inteiramente pela operação brasileira, a picape passou por um longo período de espera. O projeto foi adiantado em 2018 com o conceito Tarok, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo. Porém, acabou congelado durante a pandemia e passou por mudanças, deixando de usar a plataforma MQB-A1 de Taos e Golf para ser montada com a arquitetura MQB Hybrid, uma evolução da MQB-A0 de Polo, Virtus, Tera, Nivus e T-Cross.

A picape prepara a estreia do motor 1.5 eTSI Evo2 flex, produzido em São Carlos (SP), e que será associado a um sistema híbrido leve (MHEV) de 48V. Trata-se de uma evolução técnica sobre o antigo 1.4 turbo (ganho em eficiência termodinâmica), mantendo os 150 cv de potência e os 25,5 kgfm de torque. A vantagem prática dessa troca é a redução de emissões no trânsito urbano. O sistema elétrico extra alivia o esforço do motor a combustão, entregando saídas mais ágeis e menor consumo de combustível.
A picape acabará por substituir a Saveiro, inclusive ganhando uma versão básica com cabine simples e com motor 1.6 16V – o propulsor sobrevive apenas na caminhonete compacta, por ter metas de emissões diferentes dos carros de passeio. Para suportar o peso diário, a engenharia adotou um eixo rígido traseiro com feixe de molas, garantindo uma capacidade de carga superior a 700 kg. O ganho em robustez cobra seu preço na dinâmica em asfalto liso, mas garante mais durabilidade sob condições severas.

Diferente do que ocorreu no passado, a fabricante não abrirá mão dos freios a disco no eixo traseiro, mesmo nas versões mais baratas. Essa escolha técnica resolve antigos problemas de fadiga do sistema a tambor e permite a adoção nativa do freio de estacionamento eletrônico. Toda essa estrutura está assentada sobre a plataforma MQB A0, a mesma base utilizada em T-Cross e Virtus. A arquitetura foi alongada e reforçada especificamente para receber baterias e lidar com a torção natural de uma caçamba carregada.
O tamanho da picape impressiona e se aproxima bastante do topo da categoria. As versões de cabine dupla terão entre-eixos na casa dos 2,99 m, superando com folga os 2,80 m da Chevrolet Montana e empatando com a Fiat Toro. Esse estiramento resulta em um espaço interno equivalente ao de um Polo, oferecendo conforto real no banco traseiro. Por fora, o visual bebe da fonte do utilitário Tera, compartilhando volumes de paralama e vincos estéticos marcantes na carroceria.
Por dentro, a herança da família MQB ficará evidente no compartilhamento de componentes e na tecnologia embarcada. As versões mais sofisticadas da picape receberão painel de instrumentos 100% digital e central multimídia atualizada. O pacote de assistentes de condução (ADAS) também será nivelado por cima, integrando sistemas avançados de segurança ativa.
A fábrica paranaense já finalizou os ajustes finais na linha de montagem e iniciou a produção dos primeiros lotes de pré-série. A revelação completa do design e das especificações do modelo deve acontecer ainda neste ano, deixando as primeiras entregas para o início de 2027.
