Um patrocínio fechado para a reta final da Copa do Mundo Fifa de 2026 causou polêmica entre organizações de países como França e Espanha. O motivo está na empresa que firmou o contrato: uma das principais marcas de VPN do mercado.
A ExpressVPN será uma das patrocinadoras das fases finais do torneio, inclusive com painéis de LED nas laterais do gramado e uma ação na Times Square, em Nova York. A escolha da plataforma enfureceu algumas entidades ligadas ao futebol, que se manifestaram publicamente contra o acordo:
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Nossos vídeos em destaque
- a La Liga, responsável pela primeira divisão do Campeonato Espanhol;
- o braço de mídia da Ligue de Football Professionnel, que organiza o Campeonato Francês;
- a Association for the Protection of Sports Programmes (APPS), grupo que representa várias empresas de transmissão de esportes na França.
O presidente de La Liga, Javier Tebas, chegou a escrever uma carta para o presidente da Fifa, Gianni Infantino. O principal argumento da crítica é que, ao aceitar o patrocínio da marca, a entidade máxima do futebol estaria legitimando uma empresa que promove um serviço fruto de dores de cabeça para as transmissões de torneios ao do redor do mundo.
A polêmica sobre VPNs e transmissões esportivas
O principal ponto de discórdia está em um dos usos possíveis das redes privadas virtuais (VPNs), justamente o produto que é comercializado pela ExpressVPN. Embora seja uma plataforma de cibersegurança em primeiro lugar, essas ferramentas também podem ser utilizadas para acessar transmissões que são exclusivas a uma certa detentora de direitos de um país, mas pertence a outros serviços em diferentes regiões.
Ao mascarar uma conexão e agir como intermediária entre o usuário e servidores de diversas partes do mundo, a VPN pode “simular” que a uma conexão de uma pessoa tem origem em determinado país — como usuários franceses fizeram com a CazéTV em 2024, quando o canal passou partidas do Campeonato Francês de graça enquanto as transmissões na própria França eram somente via canais pagos. Como essa navegação tende a ser mascarada por mecanismos de proteção, a identificação desses usuários é mais difícil de ser realizada.
Na carta, Tebas diz que a parceria com uma empresa que “facilita ativamente a pirataria de conteúdo esportivo” representa a legitimidade da ação, o que seria “uma mensagem desastrosa para todo o ecossistema do futebol“.
Já a APPS alega que a ExpressVPN “não implementou quaisquer medidas eficazes de bloqueio na França e contestou sistematicamente as nossas solicitações legítimas de aplicação da lei“. As entidades detentoras de direitos de transmissão até já processaram a companhia por essa falta de colaboração.
A La Liga montou na temporada 2025/2026 uma estratégia de combate à pirataria que incluiu até uma parceria com a Google, além de uma ordem judicial para que duas companhias (NordVPN e Proton VPN), bloqueassem o acesso à Espanha para certos sites acusados de manter transmissões piratas de partidas. No Brasil, ela combate principalmente o uso de IPTVs.
As entidades esportivas da França moveram ações judiciais especificamente contra a própria ExpressVPN pela permissão de acesso às transmissões ilegais de jogos de futebol, pedindo rigor nos bloqueios para quem busca assistir a jogos com transmissões limitadas regionalmente.
O que dizem as partes
Em resposta às críticas das associações, a Fifa alega que a parceria é legítima e as patrocinadoras são aprovadas após uma rigorosa revisão de práticas comerciais, além de adotar medidas “para garantir que ele não prejudique os esforços dos detentores de direitos ou das partes interessadas“.
Além disso, a empresa de VPN se manifestou em comunicado. “Qualquer sugestão de que a ExpressVPN foi ‘considerada culpada’ de facilitar a pirataria é totalmente imprecisa. Não fomos condenados por tal conduta em nenhuma jurisdição“, disse a companhia em nota ao site TechRadar.
Quais as diferenças entre usar uma VPN paga e uma versão gratuita desse tipo de programa? Entenda nesta matéria!
