A taxa de mortalidade infantil acendeu um alerta em Campinas. Segundo o RDQA (Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior) divulgado nesta semana, o índice registrou um aumento durante o terceiro quadrimestre do ano passado, passando da meta. O documento aponta que a mortalidade infantil, de crianças com até 1 ano, foi de 10,04, de setembro a dezembro de 2024, para 11,58, no mesmo período de 2025. A meta era de 9,99.
Em relação ao terceiro quadrimestre do ano anterior, a mortalidade infantil em Campinas apresentou um aumento de 1,54 ponto percentual, de setembro a dezembro de 2025. Já em relação à meta estabelecida no RAG 2025 (Relatório Anual de Gestão), o índice extrapolou o valor em 1,59 ponto percentual.
Dado foi discutido em audiência pública
O dado foi um dos assuntos apresentados durante Audiência Pública, que aconteceu na Câmara de Campinas, na manhã da última quarta-feira (25), para apresentação da prestação de contas da área da saúde e do 3º RDQA.
Durante a sessão, o secretário de Saúde Lair Zambon afirmou que apesar de ter subido, a taxa de mortalidade infantil ainda é menor que a registrada no Estado de São Paulo.
“É péssimo, mas é abaixo ainda do estado de São Paulo da mortalidade infantil. Mas Campinas tem toda a condição de fazer abaixo de 10, abaixo dos dados do Brasil, tem toda a condição”, disse.
Procurada pelo acidade on Campinas, a Prefeitura afirmou que essa foi a primeira vez que a taxa de mortalidade superou 11 pontos em Campinas desde 2014. Segundo a gestão, a média histórica nesse período é de 9,05. Já o índice do terceiro quadrimestre está abaixo da média nacional, que é de 12,5.
“As gestantes que passam pelo pré-natal no SUS em Campinas recebem acompanhamento integral, inclusive com consultas realizadas pela equipe de saúde da família (médico e enfermeiro), ginecologistas e vigilância com visitas realizadas pelos agentes comunitários de saúde, principalmente no último mês de gestação. Embora não seja compulsório, o pré-natal é amplamente promovido por ações de conscientização.
O parâmetro de pré-natal completo inclui a realização de, no mínimo, sete consultas. Em 2024 e em 2025, 18% das gestantes acompanhadas pelo SUS Municipal realizaram menos do que esse número de consultas.
Em todos os casos, os agentes de saúde dos CSs de referência realizam busca ativa por meio de contato telefônico e visitas domiciliares para orientação do acompanhamento.
A secretaria ainda informou que a não realização do pré-natal completo é considerada uma situação de negligência ao cuidado”, diz a nota.
Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, diante do registro do aumento da taxa de mortalidade infantil, serão reforçados os seguintes serviços:
- Ações de planejamento reprodutivo em todas as unidades básicas de saúde. É garantido o acesso ao PNAR (Pré-Natal de Alto Risco) e assistência ao binômio mãe-bebê em tempo oportuno.
- Incentivo a programas para diminuição da gravidez na adolescência, por ser um fator de risco para a gestação. De 2021 a 2025, Campinas reduziu o índice de gravidez em adolescentes de 10 a 19 anos em 20,4%.
- Criação de comitês intersetoriais de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes para implantar ações ligadas ao tema, considerado relevante no combate à mortalidade infantil.
- Criação de comitês regionais e equipes de saúde das unidades básicas para realizar investigações e análises dos casos para melhora dos acompanhamentos.
- Capacitação em pré-natal para a Atenção Primária à Saúde em 2026, assim como a apresentação dos dados para os distritos de saúde nas câmaras técnicas.
- Casa da Gestante: o município oferece o serviço Casa da Gestante, uma modalidade de moradia para gestantes e puérperas em situação de alta vulnerabilidade social e dependência química incluindo seus filhos, com permanência de até 18 meses. Após a alta, as mulheres recebem acompanhamento domiciliar por mais seis meses. Em 2024, a Casa da Gestante acolheu 11 mulheres. Em 2025, o número subiu para 12 gestantes.
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Indicador da saúde
A taxa de mortalidade infantil é um dos indicadores mais usados para medir condições de saúde da população, em especial das crianças com menos de 1 ano, e do Sistema de Saúde Municipal. Ao chegar a um valor menor que dez, a cidade se aproxima da média entre 8 e 9 alcançada por países considerados desenvolvidos.
Rede de atendimento
O atendimento às gestantes pelo SUS Municipal ocorre nos 69 centros de saúde. Os nascimentos pela rede municipal ocorrem nos hospitais Maternidade de Campinas e PUC-Campinas, que mantêm convênios com a administração.
Além disso, desde 2015, a cidade conta com a Casa da Gestante no Jardim Guanabara, unidade de acolhimento para gestantes e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto) que estejam em situação de rua com risco de saúde e vulnerabilidade social. A capacidade é para 20 mulheres e crianças, e o centro de saúde de referência é o do Jardim Eulina.
Pela rede estadual, os nascimentos ocorrem no Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), na Unicamp.
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