Quando surge um novo filme de uma franquia que já parecia encerrada, é comum que a seguinte pergunta apareça: será que precisava mesmo? Toy Story 5 chega às telonas mais de 30 anos depois do primeiro filme e com a promessa de modernizar a franquia ao tratar sobre o vício em telas, assunto recorrente nas discussões atuais.
A produção chega mais atualizada do que nunca. Além do elenco clássico, com Tom Hanks dando voz a Woody, Tim Allen como Buzz Lightyear e Joan Cusack brilhando como voz da protagonista da vez, Jessie, Toy Story 5 tem Greta Lee, de Vidas Passadas e O Estúdio, como a antagonista LilyPad, e até o astro Bad Bunny faz uma participação especial como dublador. Fora isso, a franquia ainda confiou à Taylor Swift a música principal. No Brasil, o principal destaque fica para Maísa dando voz à LilyPad.
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Será que esses esforços compensaram no final? Confira a crítica do Minha Série abaixo.
Toy Story 5 precisava ser feito?
“Precisar” é uma palavra forte, mas a sequência definitivamente é bem-vinda. Nesse caso, ao invés de criar um universo novo para falar sobre o vício em telas, a Disney e a Pixar resolveram aproveitar uma franquia já especialista em falar sobre infância e amadurecimento para trazer o tema à tona. A escolha foi certeira. Toy Story 5 pode ser uma porta de entrada apropriada para as crianças se interessarem pelos filmes de brinquedos antigos e refletirem sobre seus hábitos.
Os três primeiros filmes de Toy Story são amplamente elogiados; já o quarto filme acabou, infelizmente, sendo um caso à parte. Essa queda no último filme aumentou a pressão do seu sucessor, então se era essa a sua preocupação, pode ficar tranquilo: Toy Story 5 volta para o alto padrão. Em termos de animação, até eleva a qualidade. Mas e a narrativa?
Figura já conhecida, agora com protagonismo: Jessie dá conta?
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Querida por muitos desde sua primeira aparição em Toy Story 2, a vaqueira Jessie é a protagonista da vez. A posição de xerife, passada por Woody no final do quarto filme, cai muito bem em Jessie. A personagem foge de estereótipos constantemente impostos às personalidades femininas e assume a liderança do grupo com maestria, sendo esse o motor que dá força à narrativa.
Uma escolha sensível do filme é o teletransporte direto do público aos universos imaginários das crianças. Que emoção foi enxergar com meus próprios olhos os jardins secretos criados por Bonnie.
A volta de Woody, por outro lado, já não acrescenta tanto à história. Além do motivo de seu retorno se dar de modo apressado e até um pouco sem sentido, a sua presença não é muito justificada. Claro, o personagem segue carismático e importante na franquia, mas deixei o cinema com a impressão de que ele poderia ser mais bem aproveitado, já que retornou.
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Uma fraqueza do filme poderia ser a falta dos brinquedos clássicos como Slinky, Sr. Cabeça de Batata e Rex, que aparecem pouco nessa sequência, mas esse argumento vai muito contra uma grande força dessa história: os brinquedos eletrônicos “antigos”. Os aparelhos, além de provocarem uma reflexão sobre a velocidade do avanço tecnológico, são personagens engraçadíssimos e importantes na narrativa. Então, sim, talvez incluir todos as figuras mais clássicas poderia provocar uma superlotação de brinquedos.
O poder da imaginação
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Fora o arco de Jessie com sua antiga criança, a parte mais emotiva do filme está na importância da imaginação. Ao longo da narrativa, a dominação das telas em todas as casas fica evidente, o que já não é novidade para ninguém, mas Toy Story soube muito bem como convencer o público de que esse comportamento pode ser muito prejudicial, principalmente para crianças, e qual pode ser a alternativa para ele. Afinal, o que a criança perde ao focar apenas nas telas?
Aproveitando a participação de Taylor Swift na trilha sonora, um paralelo com outra música da cantora pode ser traçado: música “I Hate it Here” fala justamente sobre a fuga através da imaginação. Nela, a compositora diz que prefere os jardins secretos e os vales lunares de sua mente ao mundo real, já que lá só quem é gentil sobrevive. A situação de Bonnie em Toy Story 5 é semelhante, já que a criança sofre com a falta de supervisão no ambiente virtual, onde todos podem dizer o que querem.
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Quando o seu mundo parece focar apenas em LilyPad, é possível encontrar refúgio na imaginação. Uma escolha sensível do filme é o teletransporte direto do público aos universos imaginários das crianças. Que emoção foi enxergar com meus próprios olhos os jardins secretos criados por Bonnie. E, mais bonito ainda, quando ela mesma encontra amparo em uma conexão inesperada. Afinal, ao contrário do momento sombrio narrado por Taylor Swift, não podemos viver apenas no conforto de nossas mentes. Toy Story 5, no fim, deixa clara a importância das conexões reais.
Vale a pena assistir a Toy Story 5?
Toy Story 5 talvez não seja o melhor filme da franquia, mas conta uma bela história. Com um protagonismo majoritariamente feminino e uma animação ainda mais requintada, acompanhar a jornada de Jessie é emocionante. Em paralelo, a história de Bonnie, que é obrigada a crescer em um mundo tomado pelas tecnologias, provoca uma reflexão até nos mais velhos.
A verdade é que eu saí do filme com vontade de brincar (o que não é algo tão fácil de admitir para uma mulher de 27 anos) e é aí está o grande poder que perdura há tantos anos em Toy Story: comover pessoas já adultas e valorizar a importância da infância. Não se levar tão a sério e sempre estimular a imaginação são lições que devem ser levadas até o final da vida. Com assuntos óbvios mas que ainda chocam quando estampados na nossa frente, Toy Story 5 é uma história para a família inteira.
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