O bebê Ravi, filho de Bianca Fidêncio da Silva, de 28 anos, que morreu dias após dar à luz a ele, também não resistiu. A família confirmou nesta sexta-feira (30) a morte do recém-nascido, que estava internado em estado gravíssimo desde o nascimento, no HAOC (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) em Indaiatuba. Em nota, a administração da unidade confirmou a morte. “Apesar de todos os esforços da equipe médica e da terapia intensiva neonatal, o recém-nascido de Bianca evoluiu a óbito”, diz o texto.
Durante o parto, segundo a família, o médico teria informado que não era possível realizar a cesárea por falta de um centro cirúrgico disponível. Durante o parto, como a criança estava muito grande, com cerca de 4,7 kg, foi necessário o uso de fórceps. Após o procedimento e o nascimento do bebê, a mãe teria sofrido uma hemorragia e convulsionado. Então, segundo os familiares, ela teria passado por uma cirurgia, mas não resistiu e morreu na noite desta quarta-feira (21).
O marido da vítima procurou a Polícia Civil de Indaiatuba, que registrou a ocorrência como morte suspeita. Paralelamente, a secretaria de Saúde do município informou que encaminhou ofício à direção do HAOC solicitando a abertura imediata de sindicância interna, além do envio do caso aos comitês de Óbito Materno e Hospitalar.
Em nota, a pasta afirmou que a Administração municipal manifesta solidariedade à família e acompanha o caso – veja abaixo.
O velório de Bianca foi realizado nesta sexta-feira, no Cemitério Municipal Parque dos Indaiás. Não há informações sobre o sepultamento do recém-nascido Ravi.
O que diz o hospital
Em nota, o HAOC informou que a paciente já estava em trabalho de parto quando chegou ao hospital, com dilatação completa após cerca de 1h30 da admissão, sendo o parto normal mais indicado para o caso.
Segundo o hospital, após o parto, a paciente teve complicações que resultaram na morte dela. A unidade hospitalar ainda afirmou na nota que todos os protocolos indicados à situação foram seguidos, mas uma sindicância foi aberta para investigar o caso.
Leia a nota na íntegra:
Em resposta à solicitação de esclarecimento sobre o caso obstétrico envolvendo a gestante Bianca Fidêncio, informamos que:
No momento da admissão, no dia 18 de janeiro, por volta das 10h, a paciente manifestou desejo de parto cesariano. No entanto, já se encontrava em franco trabalho de parto, com dilatação cervical de 4 cm, contrações eficazes e batimentos cardíacos fetais presentes e normais, em torno de 130 batimentos por minuto, indicando boa vitalidade fetal naquele momento.
Às 10h45, novo exame mostrou evolução rápida do trabalho de parto, com dilatação entre 6 e 7 cm, o que indicava progresso adequado e tornava o parto vaginal uma conduta viável e recomendada nessa situação, passando a cesariana a ser considerada apenas se surgissem intercorrências.
Às 11h15, a dilatação encontrava-se em 9 cm, praticamente completa, quando foi identificada bradicardia fetal sustentada, sinal de sofrimento fetal agudo. Diante dessa situação, o médico obstetra informou a paciente e seu acompanhante sobre o quadro clínico e explicou que, naquele momento, a via vaginal representava a forma mais rápida e segura de nascimento. Com o objetivo de abreviar o nascimento e reduzir o sofrimento fetal, foi realizada a aplicação de fórceps, procedimento previsto e indicado em situações específicas de emergência obstétrica.
O recém-nascido apresentou peso aproximado de 4 kg e nasceu com sinais de hipóxia, recebendo imediatamente assistência da equipe neonatal especializada.
Após o parto, a paciente evoluiu com sangramento vaginal intenso, associado à atonia uterina, condição em que o útero não consegue se contrair adequadamente após o nascimento, configurando uma das principais causas de hemorragia pós-parto.
Diante da gravidade do quadro, foi necessária intervenção cirúrgica de urgência, por meio de laparotomia, culminando em histerectomia, medida extrema, porém indicada para o controle do sangramento e preservação da vida materna. A paciente evoluiu com complicações graves, incluindo Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), condição reconhecida como potencialmente fatal e associada a hemorragias obstétricas severas.
Esclarecemos que o Dr. Gabriel Alvarenga é médico obstetra, com formação especializada e ampla experiência nesta unidade hospitalar, não havendo registros prévios de condutas inadequadas ou infrações éticas em sua atuação profissional.
Informamos ainda que a maternidade realiza, em média, 180 partos mensais, com histórico de nenhuma notificação de óbito materno no último ano. Nosso índice de óbito neonatal está abaixo da média do estado e também da média nacional. Os óbitos neonatais registrados decorrem, principalmente, de prematuridade e anomalias congênitas, com taxa de 7,09%, igualmente inferior à média nacional. Todos os casos são analisados pelo Comitê de Mortalidade Infantil do município, o que demonstra o compromisso institucional com a qualidade e a segurança da assistência prestada.
Sobre o caso em questão, ressaltamos que a atonia uterina é uma complicação obstétrica conhecida, imprevisível em muitos casos, podendo ocorrer tanto em partos vaginais quanto cesarianos, mesmo na ausência de fatores de risco aparentes, sendo amplamente descrita na literatura médica como uma das principais emergências obstétricas.
O parto evoluiu de forma rápida e previsível desde a admissão até a dilatação completa, motivo pelo qual foi mantida a condução por via vaginal, em consonância com os protocolos assistenciais vigentes. A admissão ocorreu às 10h, com parto efetivo às 13h45, caracterizando um período expulsivo relativamente curto, com dilatação total.
Por fim, informamos que a Diretoria do Hospital instaurou uma sindicância interna, cujos resultados serão encaminhados à Comissão de Ética Médica do Hospital e, posteriormente, ao Conselho Regional de Medicina, órgão legalmente competente para a avaliação da conduta profissional.
O que diz a secretria de Saúde de Indaiatuba
Também em nota, a secretaria Municipal de Saúde de Indaiatuba informou que adotou as providências administrativas cabíveis, solicitando a imediata abertura de sindicância interna para apuração dos fatos.
Leia a nota na íntegra:
Diante do óbito de uma gestante ocorrido no HAOC – Hospital Augusto de Oliveira Camargo, a Secretaria Municipal de Saúde de Indaiatuba informa que adotou as providências administrativas cabíveis e encaminhou ofício à direção da instituição solicitando a imediata abertura de sindicância interna para apuração dos fatos.
No mesmo documento, foi requerido o encaminhamento do caso aos Comitês de Óbito Materno e Hospitalar, conforme os protocolos assistenciais e de vigilância em saúde vigentes, a fim de garantir uma análise técnica, criteriosa e multiprofissional do atendimento prestado.
A Secretaria também solicitou o envio de toda a documentação, registros clínicos, informações técnicas e comprovações referentes aos atendimentos e procedimentos realizados, reforçando que exercerá plenamente seu papel de fiscalização sobre os serviços prestados pelo SUS no âmbito do hospital.
A Administração Municipal manifesta sua solidariedade aos familiares da paciente e informa que acompanha de forma atenta e permanente a evolução clínica do recém-nascido, que permanece internado na UTI Neonatal.
O Município reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade institucional e a qualificação contínua da assistência em saúde, aguardando a conclusão das apurações para adoção das medidas que se fizerem necessárias, nos termos da legislação e dos protocolos aplicáveis.
*Com informações da EPTV Campinas
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