
Em seu último dia de viagem à China, o americano Donald Trump disse nesta sexta-feira, 15, ter feito “acordos fantásticos” com Pequim, sem entrar em detalhes. O americano foi recebido por Xi Jinping na sede do Partido Comunista Chinês, uma honraria pouco concedida a líderes mundiais.
O republicano esperava fechar acordos econômicos em uma série de setores como agricultura, aviação e inteligência artificial, mas também queria avanços em questões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio contra o Irã. Ao lado do líder chinês, Trump disse ter feito acordo fantásticos e que os países concordam sobre a guerra no Irã, mas Xi não corroborou nem negou as afirmações.
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O americano foi recebido por Xi com um aperto de mãos no complexo Zhongnanhai, um conjunto de edifícios ao lado da Cidade Proibida, no coração da capital chinesa, que serve de sede do Partido Comunista Chinês. Ali, ele participou de uma cerimônia do chá, que também serviu de reunião bilateral, e almoçou com Xi antes de retornar a Washington às 14h30 locais (3h30 de Brasília).
Os pronunciamentos do segundo dia de cúpula repetiram a dinâmica do dia anterior. Trump demonstrando gratidão e indicando proximidade pessoal com o líder chinês, enquanto Xi se preocupou em exaltar a cultura chinesa, além de ressaltar o simbolismo do local em que estavam.
Na quinta, o americano chamou Xi de “grande líder” e “amigo”. Em frente à imprensa, o chinês destacou que os dois países deveriam ser “parceiros e não rivais”. Mas a portas-fechadas, Xi alertou o republicano que a má administração da questão de Taiwan poderia culminar em uma guerra.
“Concluímos alguns acordos comerciais fantásticos, excelentes para ambos os países”, disse Trump, enquanto Xi o acompanhava pelos Jardins de Zhongnanhai. “Resolvemos muitos problemas que outras pessoas não teriam conseguido solucionar”, acrescentou, sem dar mais detalhes.
Por sua vez, Xi afirmou que se tratava de uma “visita histórica” e que, até hoje, ambos os lados estabeleceram “uma nova relação bilateral, de estabilidade estratégica construtiva”.
Trump não forneceu detalhes sobre os acordos comerciais que alegou ter firmado. Em entrevista à Fox News mais cedo, ele disse que Xi Jinping se comprometeu a comprar aeronaves da Boeing, “200 das maiores”. Pequim não comentou imediatamente.
As ações da gigante aeroespacial americana caíram após os comentários do presidente, um sinal de que o mercado esperava uma compra mais substancial da China. O americano disse ainda que Pequim também demonstrou interesse em adquirir petróleo e soja americanos.
Um passeio cheio de simbolismo
O complexo Zhongnanhai é uma sede governamental murada onde altos funcionários do PCC vivem e trabalham desde a década de 1950. É raro a China receber um líder estrangeiro em suas dependências. Trump não visitou Zhongnanhai durante sua viagem a Pequim em 2017.
O encontro mais famoso ali foi o de Mao Tsé-Tung com Richard Nixon, em 1972, que tentava estreitar relações com a China após décadas de inimizade mútua.
Trump e Xi passaram cerca de 10 minutos caminhando pelos jardins de Zhongnanhai. “Estas são as rosas mais lindas que alguém já viu”, comentou Trump enquanto caminhava entre colunas e arcos verdes. Xi disse que enviaria sementes de rosas para Trump.
Em seguida, os dois reservaram alguns minutos para fotos e declarações à imprensa. Xi explicou a Trump sobre a importância e simbolismo do lugar. Já o americano, utilizou seus minutos para reiterar que os dois países estavam alinhados sobre o Irã.
O chinês contou a Trump que ali havia sido a residência e o local de trabalho de Mao Tsé-Tung e outros líderes, incluindo ele próprio. Xi disse que escolheu receber Trump em Zhongnanhai como forma de retribuir a visita a Mar-a-Lago em 2017. No entanto, Xi evitou entrar em discussões substanciais sobre Taiwan ou assuntos semelhantes antes de convidar Trump para discursar.
“Discutimos sobre Irã, temos uma visão similar, queremos que [a guerra] acabe, não queremos que eles tenham armas nucleares e queremos o estreito aberto”, afirmou o americano. Ele repetiu o convite a Xi para ir a Washington em setembro.
Trump começou seu último dia em Pequim insistindo, em uma postagem nas redes sociais, que o líder chinês o havia “parabenizado por tantos sucessos extraordinários” e que se referia apenas ao seu antecessor, o ex-presidente dos EUA Joe Biden, quando “se referiu, de forma muito elegante, aos Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”.
Mas a visão otimista de Trump sobre a relação EUA-China entra em conflito com algumas verdades difíceis sobre as questões mais espinhosas entre as duas superpotências.
Pequim tem demonstrado pouco interesse público nos apelos dos EUA para se envolver mais na resolução do conflito no Irã, embora Trump tenha afirmado, em entrevista à Fox News, que Xi Jinping se ofereceu para ajudar em suas conversas. Além disso, a Casa Branca acredita que a China ainda pode fazer mais para conter o fluxo de precursores químicos de fabricação chinesa para o México, utilizados na produção do fentanil ilícito, droga que tem causado estragos em muitas comunidades americanas.
Primeiro dia: afagos e alertas
Trump e Xi iniciaram sua cúpula em Pequim na quinta-feira, 14, (horário local, quarta 13 de Brasília) com um dia de cerimônias elaboradas e reuniões de alto risco que abordaram comércio, Taiwan e outros pontos de discórdia entre as duas superpotências. Foi a primeira visita de um presidente dos EUA à China em nove anos.
Boas-vindas
Xi cumprimentou Trump em frente ao Grande Salão do Povo, no centro de Pequim. Eles apertaram as mãos e caminharam juntos, passando por uma guarda de honra e fileiras de crianças animadas, que carregavam flores e bandeiras americanas e chinesas. A execução do hino americano pela banda militar chinesa ecoou pela Praça Tiananmen, que estava vazia.
Nos degraus do salão estavam vários funcionários do governo Trump – o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca Stephen Miller e outros.
Eric Trump, o filho do meio do presidente, e líderes empresariais como Tim Cook, da Apple, Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, estavam entre eles, juntamente com os diretores executivos de outras grandes empresas americanas.
Essa comitiva de empresários indicava o objetivo dos americanos em avançar em acordos comerciais e de tecnologia com Pequim. Mas até o momento da partida de Trump no aeroporto de Pequim, não estava claro o quanto eles haviam avançado nesses temas.
Reunião bilateral
No Salão Nobre, Trump e Xi se reuniram por mais de duas horas, iniciando a reunião com comentários sobre a importância da relação bilateral. Trump também enfatizou a relação pessoal entre eles, chegando a dizer que “era uma honra ser seu amigo. Xi pediu que os dois países fossem “parceiros, e não adversários”.
Xi não se esquivou das suas divergências. Ele alertou Trump de que a questão de Taiwan, que Pequim reivindica como parte do seu território, poderia levá-los a um conflito, de acordo com um comunicado da Xinhua, a agência de notícias oficial da China.
Um resumo da Casa Branca sobre a reunião afirmou que os dois líderes discutiram o fentanil, questões de acesso ao mercado chinês para empresas americanas, investimentos chineses nos Estados Unidos e compras chinesas de produtos agrícolas americanos. Os líderes também conversaram sobre o Irã e o Estreito de Ormuz. A agência de notícias Xinhua informou que os líderes também discutiram a Ucrânia e a Península Coreana, sem fornecer detalhes.
Enquanto os líderes se reuniam, Pequim aprovou licenças para centenas de frigoríficos americanos exportarem carne bovina para a China, de acordo com dados do site da alfândega chinesa. A China havia deixado as licenças expirarem depois que Trump impôs suas tarifas iniciais.
A relação comercial mais ampla permanece incerta, mas os membros da delegação empresarial americana pareceram otimistas após a primeira reunião. Questionado sobre o que foi alcançado, Musk respondeu: “Muitas coisas boas”.
Visita ao Templo do Céu
Após o encontro, Trump e Xi visitaram o Templo do Céu, um complexo sagrado que era usado pelos imperadores desde o século 12 para orar por boas colheitas e clima favorável. O templo mais tarde se tornou um parque público e um Patrimônio Mundial da Unesco.
O templo fazia parte de um itinerário cuidadosamente planejado. Xi, que tem inclinação para exaltar a grandeza da história chinesa a líderes estrangeiros, aproveitou a visita para falar a Trump sobre a história da China e como o templo representa a “filosofia da civilização chinesa centrada no povo”, segundo um comunicado oficial chinês.
Trump fez breves comentários aos repórteres sobre como foi seu encontro com Xi. “Ótimo. Lugar ótimo. Incrível. A China é linda”, disse Trump, segundo um relatório da imprensa. Ele se recusou a responder perguntas sobre Taiwan.
Banquete de Estado
Xi ofereceu um jantar suntuoso para Trump e sua delegação em um salão ornamentado do Grande Salão do Povo. Ambos fizeram discursos, durante os quais Trump convidou Xi para a Casa Branca em 24 de setembro.
Os líderes jantaram lado a lado em uma mesa redonda com arranjos elaborados, em meio a altas colunas vermelhas e douradas. O cardápio oferecia uma mistura de pratos chineses e internacionais: pato assado e pãezinhos de porco, lagosta em sopa de tomate e salmão ao molho de mostarda. Para a sobremesa, havia tiramisu, frutas e sorvete. (Com agências internacionais)
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