A secretaria de Saúde de Campinas suspendeu, nesta segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A interrupção atende a uma diretriz do Ministério da Saúde, que investiga relatos de eventos adversos registrados após a administração do imunizante.
A Prefeitura de Campinas ressalta que quem já foi imunizado continua protegido, mas recomenda atenção a sintomas clínicos caso a vacinação tenha ocorrido há menos de 21 dias.
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Sinais de alerta
Segundo a pasta, pacientes que apresentarem qualquer um dos sintomas abaixo devem buscar atendimento imediato em um Centro de Saúde ou serviço de urgência:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva ou irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral de saúde.
As unidades da rede municipal foram orientadas a priorizar o atendimento desses casos e realizar as devidas notificações aos órgãos competentes.
Panorama da vacinação em Campinas
A aplicação teve início em fevereiro de 2026, focada inicialmente em trabalhadores da atenção primária e, posteriormente, ampliada a profissionais da saúde e ao público de 59 anos. Ao todo, 3.410 doses foram administradas no município.
Dados da Prefeitura indicam a ocorrência de 448 notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização, o que representa 13,1% do total de doses aplicadas. Nenhum caso foi classificado como grave. As 562 doses restantes em estoque seguem armazenadas até a conclusão da investigação conjunta entre Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan.
Vacinação de crianças e adolescentes não foi afetada
A secretaria de Saúde reforça que a suspensão restringe-se exclusivamente ao imunizante do Butantan. A vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos segue disponível normalmente nos Centros de Saúde da cidade, uma vez que utiliza vacina produzida por outro laboratório.
Para a imunização deste grupo, é necessário apresentar documento com foto e, preferencialmente, a caderneta de vacinação.
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Entenda a proibição
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão preventiva da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de reações adversas temporalmente associadas à aplicação do imunizante. A medida foi adotada como precaução enquanto são realizadas investigações para verificar se há relação direta entre a vacina e os casos registrados. O ministério investiga duas mortes após a aplicação da vacina (leia mais abaixo).
A pasta também recomendou que estados e municípios que aplicaram a vacina nas últimas três semanas realizem o monitoramento dos vacinados para identificar possíveis reações adversas ou sinais de alerta relacionados à imunização.
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Campinas iniciou a aplicação do imunizante do Butantan em abril deste ano. Na cidade, a estratégia adotada foi priorizar a vacinação de profissionais da saúde e pessoas com 59 anos de idade. A Prefeitura ainda não informou a quantidade de aplicações foram feitas nesses grupo – lembrando que o imunizante é de dose única (leia mais aqui).
Vacina contra a dengue registrou 42 reações entre 500 mil pessoas imunizadas
De acordo com o Ministério da Saúde, foram registradas 42 reações adversas entre aproximadamente 500 mil pessoas que receberam a vacina contra a dengue. Desses casos, três foram classificados como graves e dois resultaram em morte.
Apesar da gravidade das ocorrências, o governo federal ressalta que ainda não há confirmação de que os eventos tenham sido causados pela vacina. As investigações seguem em andamento para determinar a possível relação de causalidade.
Nos três casos considerados graves, os pacientes apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave em um período de até 21 dias após a vacinação.
Casos graves estão sob investigação
Entre os casos que evoluíram para óbito, uma mulher de 48 anos apresentou comprometimento neurológico após desenvolver sintomas da doença 19 dias depois de receber a vacina.
O segundo caso envolve um homem de 58 anos que apresentou quadro febril cinco dias após a imunização. Segundo o Ministério da Saúde, houve rápida evolução para sintomas de dengue grave, culminando em choque refratário.
As equipes de vigilância epidemiológica realizaram acompanhamento especial dos vacinados durante os últimos 21 dias, incluindo monitoramento individual e por meio das unidades básicas de saúde, para identificar possíveis reações adversas ou agravamentos clínicos.

Suspensão tem caráter preventivo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a decisão foi tomada por precaução e destacou que o número de ocorrências representa uma taxa relativamente baixa em comparação ao total de doses aplicadas.
“Os 42 casos significam oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas. É um sinal de alerta que recomenda a descontinuidade temporária até que todas as investigações necessárias sejam concluídas para avaliar a relação de causalidade e outros fatores envolvidos”, afirmou o ministro.
Segundo Padilha, nenhum dos eventos adversos registrados havia sido identificado durante os estudos clínicos da vacina, que envolveram cerca de 11 mil voluntários.
“São eventos inesperados que não foram observados em nenhum dos estudos clínicos realizados durante o desenvolvimento do imunizante”, declarou.
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