
O Goldman Sachs coroou discretamente o CEO David Solomon como o líder de remuneração entre os chefes de empresas da Fortune 500 em 2025, com um aumento de dois dígitos que o colocou à frente tanto de Jamie Dimon, do JPMorgan, quanto de Bob Iger, da Disney.
Embora nem todas as empresas da Fortune 500 tenham divulgado a remuneração de seus executivos para 2025, CEOs de bancos como Solomon e Dimon estão entre os mais bem pagos. Já a queda salarial mais chamativa pode ser a do CEO da Starbucks, Brian Niccol, cuja remuneração em 2025 despencou depois de ele ter recebido US$ 96 milhões em 2024 em compensações antecipadas por quatro meses de trabalho.
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Os aumentos de dois dígitos na remuneração em Wall Street ocorrem no momento em que os seis maiores bancos dos EUA, incluindo Goldman e JPMorgan, registraram lucros combinados de US$ 157 bilhões, uma alta de 8% que marcou o melhor ano do setor desde a pandemia, segundo o Wall Street Journal.
A remuneração de CEOs em algumas das maiores empresas dos EUA aumentou de forma constante entre 2010 e 2023, de acordo com um estudo da Pay Governance, consultoria independente que assessora comitês de remuneração.
Em 2024, porém, a remuneração de CEOs das empresas do S&P 500 desacelerou, avançando apenas 5%, ante 14% em 2023. Ainda assim, a remuneração total mediana dos CEOs do S&P 500 — incluindo salário-base, bônus e incentivos de longo prazo — ficou em US$ 17 milhões em 2024.
Veja como se saíram os CEOs da Fortune 500 no ano passado, com base nos dados atualmente disponíveis.
O CEO mais bem pago da Fortune 500: David Solomon
O Goldman elevou a remuneração anual de Solomon em 2025 para US$ 47 milhões (R$ 244 milhões), um aumento de 21% em relação ao pacote de US$ 39 milhões recebido em 2024. A remuneração do executivo consistiu em US$ 2 milhões de salário-base e outros US$ 45 milhões em compensação variável, segundo documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC).
A parcela variável inclui US$ 10,1 milhões em dinheiro, US$ 31,5 milhões em ações atreladas ao desempenho e US$ 3,4 milhões recebidos por meio de um programa de participação nos lucros.
Embora parlamentares de ambos os partidos critiquem programas de participação nos lucros como uma estratégia para driblar impostos mais altos, eles se tornaram mais populares entre bancos e gestores de ativos depois de anos como prática padrão no private equity e no venture capital.
Em geral, a participação nos lucros é tributada com a alíquota de ganhos de capital, com teto de 20%, e não com a alíquota do imposto de renda, que pode chegar a 37%.
No ano passado, o Goldman anunciou seu programa de participação nos lucros. Nessa estrutura, parte da remuneração de Solomon fica vinculada ao desempenho de longo prazo de determinados investimentos alternativos geridos pela instituição.
Com US$ 47 milhões, o salto salarial de Solomon ultrapassou o de Dimon, depois de ambos terem recebido o mesmo valor em 2024. Dimon, que atua como CEO do JPMorgan com uma diferença de mais de 10 anos em comparação com Solomon no Goldman, há muito tempo é o parâmetro padrão para a remuneração de CEOs de alto nível no setor bancário.
Jamie Dimon: grande aumento, mas não o maior
O JPMorgan elevou a remuneração anual do CEO Dimon em pouco mais de 10%, para US$ 43 milhões (R$ 223 milhões) em 2025, colocando-o entre os CEOs mais bem pagos de Wall Street.
A remuneração do executivo veterano foi composta por US$ 1,5 milhão de salário-base, além de US$ 41,5 milhões em compensação variável por incentivos, segundo documento da SEC. Como parte dessa parcela variável, Dimon recebeu US$ 5 milhões em dinheiro, enquanto a maior parte de sua remuneração (US$ 36,5 milhões) esteve vinculada a ações atreladas ao desempenho, conhecidas como “performance share units” (PSUs).
Anteriormente, o JPMorgan havia elevado a remuneração de Dimon em 2024 para US$ 39 milhões, cerca de 8,3% acima dos US$ 36 milhões de 2023, depois que o banco registrou lucros recordes.
Embora a remuneração de Dimon seja impressionante, ela ficou consideravelmente abaixo dos US$ 47 milhões de Solomon, apesar de Dimon ter passado anos como o CEO mais proeminente do setor e, muitas vezes, o mais bem pago.
Dimon é CEO do JPMorgan desde 2006 e frequentemente evita responder quando deixará o cargo.
Em 2024, ele mudou o tom ao dizer que os planos de sucessão estavam “bem encaminhados”, mas voltou à resposta recorrente de que sua aposentadoria está a cinco anos de distância durante um evento da Câmara de Comércio dos EUA no início deste mês.
Bob Iger: o pano de fundo da sucessão na Disney
A remuneração do CEO da Disney, Bob Iger, subiu 11,5% em 2025, para US$ 45,8 milhões (R$ 238 milhões), colocando-o logo atrás de Solomon e à frente de Dimon, segundo documento enviado à SEC.
Embora Iger também tenha recebido um aumento percentual de dois dígitos, sua remuneração havia saltado cerca de 30% entre 2023 e 2024, de acordo com o mesmo documento.
A remuneração de Iger incluiu US$ 1 milhão de salário-base, com a maior parte do valor total vindo da compensação variável. As concessões de ações atreladas ao desempenho somaram cerca de US$ 21 milhões, enquanto as opções de ações chegaram a US$ 14 milhões.
Um plano de incentivo não baseado em ações, no valor de US$ 7,25 milhões, compôs o restante da parcela variável. Iger também recebeu US$ 2,6 milhões em “outras compensações”, que incluíram, entre outros itens, viagens aéreas pessoais no jato corporativo e custos de segurança.
O aumento da remuneração de Iger ocorre enquanto a Disney busca seu sucessor. O executivo está em seu segundo mandato como CEO, depois de ter substituído o então CEO Bob Chapek em 2022. A empresa afirmou em seus documentos para acionistas de 2026 que planeja anunciar a nomeação do sucessor de Iger ainda este ano.
Queda na remuneração do CEO da Starbucks
Depois de garantir um dos maiores pacotes de remuneração da América corporativa ao assumir a Starbucks após atuar como CEO da Chipotle, a remuneração de Brian Niccol voltou à realidade em 2025.
Niccol ganhou cerca de US$ 31 milhões (R$ 161 milhões) em 2025, abaixo dos US$ 96 milhões de 2024, quando a empresa lhe concedeu um grande pacote de ações, superior a US$ 90 milhões, como parte da oferta para atraí-lo ao cargo.
Um estudo da AFL-CIO divulgado em julho constatou que, graças ao enorme pacote recebido anteriormente, Niccol ganhou cerca de 6.666 vezes o salário mediano de um funcionário da Starbucks.
A remuneração de US$ 31 milhões de Niccol foi composta por US$ 1,6 milhão de salário-base, além de um bônus de US$ 5 milhões, US$ 19,8 milhões em ações, US$ 1,9 milhão de um plano de incentivo não baseado em ações e US$ 2,5 milhões em “outras compensações”, que incluíram, entre outros itens, US$ 371.536 em “despesas de moradia” e US$ 1,14 milhão em gastos com segurança, segundo documento da SEC.
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