Amostras dos vírus H1N1 e H3N2, que causam a gripe A, estavam no material furtado doLaboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. De acordo com levantamento da reportagem do g1 Campinas, outros vírus, humanos e suínos, também faziam parte do conteúdo transportado.
O material estava armazenado em uma área classificada como nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos de segurança biológica. Atualmente, esse é o nível mais alto possível no Brasil. O primeiro laboratório NB-4 do país, que será o nível máximo de biossegurança, está em construção em Campinas e tem previsão de conclusão para 2027.
As amostras foram transportadas sem autorização para outros dois laboratórios da Unicamp no dia 13 de fevereiro e só foram localizados 40 dias depois. O material foi recuperado e encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para análise.
Riscos à saúde
As investigações apontam que a movimentação e o armazenamento do material biológico sensível teriam sido feitos em ambientes não controlados. Ainda segundo a apuração, houve descarte de material em lixeiras comuns, o que teria exposto a saúde de terceiros a perigo.
A professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Soledad Palameta Miller teve a liberdade provisória concedida pela Justiça de São Paulo ontem. Ela foi presa em flagrante pela Polícia Federal sob suspeita de furtar material biológico (veja aqui o material furtado). Ela poderá responder pelos crimes de exposição da vida ou saúde de outras pessoas a perigo, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual.
A professora está proibida de acessar os laboratórios da universidade relacionados à investigação e também não poderá sair do País sem a prévia autorização judicial.
A defesa de Soledad afirmou que, em virtude do sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas, não iria se pronunciar sobre os fatos investigados.
“Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal”, diz a defesa da professora, em nota.
Ainda segundo a Polícia Federal, o marido dela também é investigado.
Quem é a professora
A professora atua na Unicamp na área de Ciência de Alimentos do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição. É biotecnologista pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina) e doutora em Ciências na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela Unicamp.
Ela atuou também no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolvendo projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais voltados para a terapia de câncer.
Segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, a professora coordenava o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos “em linhas de pesquisa orientadas a vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água dentro do conceito de One Health”.
Em nota publicada na terça-feira, a reitoria afirmou que permanece colaborando com as investigações da PF e que se mantém à disposição das autoridades a fim de esclarecer as circunstâncias em que os fatos ocorreram. Confira:
“A Reitoria da Unicamp reitera que permanece colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal (PF) na condução do inquérito que resultou na prisão em flagrante, na tarde desta segunda-feira (23), de uma suspeita de envolvimento no furto de material de pesquisa do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da Universidade. A Unicamp reafirma seu compromisso com a integridade de suas pesquisas e colabora para que todos os envolvidos sejam responsabilizados de acordo com a legislação vigente”, diz a nota.
A Unicamp ainda informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.
Como ocorreu a prisão
A professora foi presa em meio às investigações da Polícia Federal sobre o desaparecimento de amostras virais armazenadas em uma área classificada como NB-3, ambiente de alta contenção biológica e submetido a protocolos rigorosos de biossegurança.
O sumiço foi constatado no dia 13 de fevereiro por uma pesquisadora que possui acesso ao local onde ficam armazenados.
Segundo a Polícia Federal, foram encontradas amostras virais em outros laboratórios da Universidade de Campinas que pertenciam ao Laboratório de Virologia Animal. Parte do material estava armazenada em freezers e outra descartada em lixeiras com sinais de manipulação.
A investigação constatou indícios de que a professora acessou diferentes laboratórios, aos quais não possui acesso, com auxílio de terceiros. Soledad teria mantido e manipulado amostras biológicas “em ambiente diverso do originalmente autorizado, com deslocamento entre laboratórios e armazenamento irregular, em desacordo com as normas técnicas e institucionais de controle, conforme identificado pelas equipes técnicas da universidade e pela atuação policial”.
Durante as buscas, os policiais federais encontraram materiais no Laboratório de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos (LEMEB), da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, no Laboratório de Cultura de Células e no Laboratório de Doenças Tropicais, onde Soledad tinha espaço reservado para utilização e guarda do próprio material. Segundo funcionários da universidade, Soledad não tinha laboratório próprio e usava espaços emprestados por outros professores.
*Com informações de Fernando Evans/ g1 Campinas, EPTV/Campinas e Agência Estado
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