Quando lançou a última geração da Saveiro, há exatamente 17 anos, a Volkswagen muito falou sobre o conforto e comportamento dinâmico proporcionado pela suspensão com eixo de torção com molas helicoidais capazes de mudar seu comportamento quando com carga. Para os motoristas, é uma ótima solução. Mas no trabalho pesado, a solução mais simples da Fiat Strada se saiu melhor. A VW, então, resolveu mudar de atitude.
Revelada nesta sexta-feira, a VW Tukan Robust com cabine simples escancara uma série de mudanças estratégicas e inéditas na fabricante alemã. Em alguns aspectos, a nova picape de entrada dará um passo atrás na comparação com a Saveiro em nome da robustez e na redução do custo de manutenção.
Suspensão por eixo rígido
É melhor começar por aquilo que é mais marcante. A Volkswagen Tukan usa exatamente o mesmo conceito técnico de suspensão traseira da Fiat Strada: um eixo rígido ômega, com um arco no meio para mudar sua rigidez, sustentado por molas semielípticas – em outras palavras, o clássico feixe de molas. Pelas imagens, aliás, é possível ver a lâmina de aço principal e ainda uma pequena lâmina inferior mais próxima da área do eixo. O estepe é montado sob o carro, logo atrás do eixo.

A longo prazo, é a melhor solução. Os feixes de mola duram mais e suas articulações tendem a ser mais duráveis e têm menos tendência a perder seu efeito elástico. Isso também terá efeito em algo que a Volkswagen deverá explorar bastante: a Tukan promete ser a picape com as maiores capacidades de carga e de volume de caçamba da sua categoria.

Freio a tambor
A última Saveiro foi lançada com freios a tambor na traseira, mas uma série de problemas vez a Volkswagen colocar freios traseiros em todas as versões em menos de três anos. Esta solução segue até os dias atuais, mas não ganhará sobrevida na Tukan – pelo menos nas versões mostradas agora.


Do ponto de vista de custo, tambor é a solução mais econômica. Freios a tambor são mais baratos de produzir e suas lonas são mais duráveis (podem superar os 100.000 km sem manutenção, por exemplo).
O comportamento do freio a tambor, nos dias de hoje, é equivalente ao do freio a disco quando está bem dimensionado. Inclusive, é possível ver ranhuras na área externa do tambor para dissipar o calor, como se vê no Polo e no Tera. É a solução que a Strada usa até mesmo nas versões com motor 1.0 turbo de 130 cv.
Cabine simples quase estendida

A Fiat chama de “Cabine Plus” a cabine da Strada com um prolongamento atrás dos bancos dianteiros. Esses centímetros a mais também podem ser vistos na Tukan Cabine Simples. A evolução mais notável é que a falta de espaço para correr o trilho dos bancos, um problema da Saveiro Cabine Simples, tende a acabar. A picape também tem barras no teto para proteção da cabine quando com carga, como há nas Strada Endurance.
Faróis de leds

Saem as lâmpadas halógenas convencionais para dar lugar à iluminação por leds. Leds raramente queimam, por ter durabilidade maior, além de iluminarem mais e de até ajudarem o carro a ser mais econômico – e a ter benefícios fiscais em virtude disto. Os faróis, aliás, foram reaproveitados do Nivus.

Já as lanternas traseiras têm efeito 3D e também aparentam ser de leds mesmo na versão Robust.
Para-choque de impulsão?
Não chega a tanto, mas a Volkswagen buscou esse efeito com um maior volume na porção central do para-choque dianteiro da Tukan. Essa solução é vista nas versões mais caras da Fiat Strada, mas a Tukan usa desde a versão básica Robust. Isso ajuda a aumentar a sensação de porte e deixa a picape mais robusta sem comprometer o ângulo de ataque.
















