A Caoa Changan começa a entregar e vender seus primeiros carros no Brasil em março. No entanto, diferentemente das outras marcas chinesas, ela já começará sua operação com carros montados no Brasil.
Enquanto aguarda o momento de entregar as 30 primeiras unidades dos luxuosos Avatr 11 (em pré-venda desde a véspera do Salão do Automóvel) a clientes brasileiros, a Caoa Changan prepara o lançamento do seu primeiro carro de volume. Trata-se do Changan Uni-T, que terá suas vendas iniciadas já com carros nacionais.
O Uni-T é um crossover de porte médio com motor 1.5 turbo, que na China tem 179 cv e 30,6 kgfm, e transmissão é uma automatizada de dupla embreagem e sete marchas. Outros países ainda recebem uma versão com motor 2.0 turbo de 230 cv.
O Changan Uni-T terá preço na faixa de carros como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, Renault Boreal e do próprio Caoa Chery Tiggo 7, com quem o novo chinês compartilha a fábrica. A intenção da Caoa é posicionar os carros da Changan acima dos Chery em termos de equipamentos, acabamento e, claro, em preço.
O Caoa Changan Uni-T, no entanto, é maior que seus rivais diretos. Mede 4,51 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,56 m de altura e com um entre-eixos de 2,71 m. O Tiggo 7, por exemplo, tem 2,67 m de entre-eixos.
Faz quase dois anos que carros da Changan rodam o Brasil em testes e foram incessantemente flagrados nas ruas. Mais de 100 carros foram usados em testes que somaram mais de 200.000 km no Brasil. De acordo com o gerente geral das operações da Changan para a América Latina, Yuanxing Li, houve um grande esforço para ajustar os carros às condições brasileiras e, claro, ao gosto do brasileiro.
Montagem nacional com peças brasileiras
Como dito, os carros da Changan serão montados junto com os Chery na fábrica da Caoa em Anápolis (GO), ocupando um espaço que antes era ocupado por carros da Hyundai. O regime de importação, no entanto, não será CKD, no qual cada carro é importado como um kit com imposto único, mas o chamado “peça a peça”, no qual cada peça é importada em lotes e paga imposto específico.
Boa parte das peças ainda serão importadas da China, mas desde o início da operação algumas peças, como pneus e bateria, já serão nacionais. Uma das vantagens do regime “peça a peça” é facilitar um gradual aumento d índice de nacionalização: desenvolvendo o fornecedor local, bastará interromper a importação do componente.
Famílias de carros, marcas e submarcas

As fabricantes chinesas usam segmentações de produtos que nem sempre fazem sentido para os clientes ocidentais. Uni é uma linha de carros, mas não é restrita a uma carroceria. Acima do Uni-T está o Uni-K, um SUV médio que mantém um caimento de carroceria que flerta com cupês, mas também existe o sedã médio Uni-V. Estes dois têm lançamento cotado para o Brasil.
No entanto, o outro carro na fila de lançamento da Caoa Changan no Brasil é outro SUV médio: o Changan CS75 Plus. É um carro maior que um Caoa Chery Tiggo 8 Pro, tem luxos como um painel que integra três telas (quadro de instrumentos, central multimídia e entretenimento do carona) e bancos ventilados, um entre-eixos de 2,80 m e preserva o mesmo motor 1.5 turbo do Uni-T, mas combinado a um câmbio automático de oito marchas.

O “CS” no nome, vale dizer, também é a identificação de uma linha de carros da Changan. Existe o CS55, que é um produto antigo, lançado em 2017. A Changan considera os “CS” como parte da linha Uni.
Marcas com mais independência são a Nevo, focada em elétricos baratos, a Deepal (que terá seus carros vendidos como Caoa Changan no Brasil) e foca em elétricos mais sofisticados, e ainda a Avatr, que também está estreando no Brasil. Todas estas três marcas vendem carros elétricos e elétricos com extensores de autonomia (REEV).
