sampanews.com
  • Cidades
  • Mundo
  • Política
  • Negócios
  • Esporte
  • Saúde
  • Cultura
  • Tecnologia
  • Auto

O que você está procurando?

Auto Cidades Cultura Economia Esporte Mundo Negócios

Recente

Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares
2 de março de 2026
EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio
2 de março de 2026
Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado
2 de março de 2026
Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)
2 de março de 2026
segunda-feira, março 2, 2026
Top Posts
Canais de TV do Paquistão são hackeados e...
EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu...
Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI...
Netflix recebe 10 filmes e séries de peso...
EUA dizem que Estreito de Ormuz não está...
Eduardo Leite foca em despolarização caso dispute a...
Wellhub renova parceria com Rodrigo Hilbert e reforça...
Motorista da Uber viraliza ao criar jogo sobre...
A conta da guerra do Irã: drones de...
Técnicos da Câmara Legislativa do DF recomendam rejeitar...
sampanews.com
Banner
  • Cidades
  • Mundo
  • Política
  • Negócios
  • Esporte
  • Saúde
  • Cultura
  • Tecnologia
  • Auto

O que você está procurando?

Auto Cidades Cultura Economia Esporte Mundo Negócios

Recente

Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares
2 de março de 2026
EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio
2 de março de 2026
Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado
2 de março de 2026
Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)
2 de março de 2026
sampanews.com

O que você está procurando?

Auto Cidades Cultura Economia Esporte Mundo Negócios

Recente

Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares
2 de março de 2026
EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio
2 de março de 2026
Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado
2 de março de 2026
Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)
2 de março de 2026
sampanews.com
  • Cidades
  • Mundo
  • Política
  • Negócios
  • Esporte
  • Saúde
  • Cultura
  • Tecnologia
  • Auto
Copyright 2026 - Todos os Direitos Reservados

“Fúria Épica aprovada. Sem abortar. Boa sorte”: como Trump decidiu ir à guerra

por SampaNews 2 de março de 2026
2 de março de 2026
1

WASHINGTON — O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, entrou no Salão Oval na manhã de 11 de fevereiro determinado a manter o presidente americano no caminho da guerra.

Há semanas, Estados Unidos e Israel vinham discutindo em segredo uma ofensiva militar contra o Irã. Mas autoridades do governo Trump haviam começado recentemente a negociar com os iranianos sobre o futuro do programa nuclear do país, e o líder israelense queria garantir que o novo esforço diplomático não prejudicasse esses planos.

Ao longo de quase três horas, os dois líderes discutiram as perspectivas de guerra e até possíveis datas para um ataque, bem como a possibilidade — ainda que improvável — de o presidente Donald Trump conseguir chegar a um acordo com o Irã.

Dias depois, o presidente dos EUA deixou claro em público que era cético em relação à via diplomática, descartando o histórico de negociações com o Irã como apenas anos de “conversa, conversa e mais conversa”.

Questionado por repórteres se queria mudança de regime no Irã, Trump disse que isso “parece ser a melhor coisa que poderia acontecer”.

Duas semanas depois, o presidente levou os Estados Unidos à guerra. Ele autorizou um vasto bombardeio militar em conjunto com Israel que rapidamente matou o líder supremo do país, devastou prédios civis e instalações militares nucleares iranianas, lançou o país no caos e desencadeou violência por toda a região, levando, até agora, à morte de quatro soldados americanos e dezenas de civis iranianos. Trump tem dito que mais baixas americanas são prováveis à medida que os EUA se preparam para uma ofensiva que pode durar semanas.

Fumaça sobe após explosão em Teerã, no Irã, em 1º de março de 2026, depois de ataques lançados por Israel e Estados Unidos contra o país. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS.

Em público, Trump pareceu seguir um caminho tortuoso até a ação militar, alternando entre dizer que queria um acordo com o governo iraniano e que queria derrubá‑lo. Fez pouco esforço para tentar convencer a opinião pública americana de que uma guerra era necessária naquele momento. E o argumento limitado que ele e seus auxiliares apresentaram incluía afirmações falsas sobre a iminência da ameaça representada pelo Irã aos Estados Unidos.

Nos bastidores, porém, sua marcha rumo à guerra avançava de forma praticamente inexorável, alimentada por aliados como Netanyahu, que pressionavam o presidente a desferir um golpe decisivo contra o governo teocrático do Irã; e pela própria confiança de Trump após a bem‑sucedida operação americana que derrubou o líder venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.

Esta reconstituição da decisão de Trump de lançar um ataque sustentado contra o Irã baseia‑se em relatos de pessoas com conhecimento direto das deliberações, bem como de pessoas de todos os lados do debate, incluindo diplomatas da região, autoridades do governo israelense e americano, conselheiros do presidente, parlamentares e integrantes dos setores de defesa e inteligência. Quase todos falaram sob condição de anonimato para descrever discussões sensíveis e detalhes operacionais.

A decisão dos EUA de atacar o Irã representou uma vitória para Netanyahu, que vinha pressionando Trump há meses sobre a necessidade de atingir o que ele considerava um regime enfraquecido. Durante uma reunião na propriedade de Trump em Mar‑a‑Lago, na Flórida, em dezembro, Netanyahu havia pedido a aprovação do presidente para que Israel atacasse instalações de mísseis iranianos nos meses seguintes.

Dois meses depois, ele conseguiu algo ainda maior: um parceiro pleno numa guerra para derrubar a liderança iraniana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 29 de setembro de 2025. REUTERS/Jonathan Ernst

Em comunicado divulgado nesta segunda‑feira (2), a porta‑voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump tomou uma “decisão corajosa” ao enfrentar uma ameaça que nenhum presidente anterior teria disposto a encarar.

Poucos integrantes do círculo íntimo do presidente se manifestaram contra a ação militar. Mesmo o vice‑presidente JD Vance, um crítico de longa data sobre intervenções militares dos EUA no Oriente Médio, defendeu durante uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca que, se os Estados Unidos fossem atacar o Irã, deveriam “ir com tudo e ir rápido”, segundo pessoas a par de suas declarações.

Na mesma reunião, o principal conselheiro militar de Trump, o chefe do Estado‑Maior Conjunto, general Dan Caine, disse ao presidente que uma guerra poderia levar a baixas significativas entre os americanos. Dias depois, Trump diria ao público que seu conselheiro militar havia sido muito mais tranquilizador. Escreveu no Truth Social que Caine teria dito que qualquer ação militar contra o Irã seria “algo facilmente vencido”.

Outros membros do governo também foram enganosos em reuniões reservadas com parlamentares. Durante um encontro em 24 de fevereiro com o chamado Gang of Eight — os líderes da Câmara e do Senado e os presidentes das comissões de inteligência —, o secretário de Estado Marco Rubio não mencionou que o governo Trump considerava uma operação de mudança de regime, segundo pessoas familiarizadas com suas observações.

Três dias depois, a bordo do Air Force One a caminho de um evento em Corpus Christi, no Texas, Trump deu a ordem para um ataque prolongado que começaria com o assassinato do líder supremo iraniano.

“Operação Fúria Épica está aprovada”, disse Trump. “Sem abortar. Boa sorte.”

A Casa Branca insistiu que suas conversas diplomáticas com o Irã não eram mero teatro. Mas ficou claro, no último mês, que nunca houve espaço para um acordo capaz de satisfazer simultaneamente Trump, Netanyahu e os líderes iranianos — ou que pudesse adiar uma guerra por mais do que alguns meses.

As negociações não renderam nada, mas, para Trump, serviram a outro propósito: ganhar tempo para completar o maior reforço militar dos EUA no Oriente Médio em uma geração e executar, em suas palavras, uma guerra de “força avassaladora e devastadora”.

Em entrevista ao The New York Times no domingo (1º), o presidente disse que simplesmente se convenceu de que o Irã jamais lhe daria o que ele queria.

“Perto do fim da negociação, percebi que esses caras não iam chegar lá”, afirmou. “Eu disse: ‘Vamos simplesmente fazer’.”

Uma escalada rápida

O porta-aviões USS Gerald R. Ford chega à baía de Souda, na ilha de Creta, Grécia, em 23 de fevereiro de 2026. REUTERS/Stelios Misinas

Em meados de janeiro, quando Trump ameaçou pela primeira vez atacar o Irã em apoio aos protestos antigoverno que sacudiam o país, o Pentágono não estava em posição de travar uma guerra prolongada no Oriente Médio.

Não havia porta‑aviões na região. Esquadrões de caças estavam na Europa e nos Estados Unidos. E as bases espalhadas pelo Oriente Médio, que abrigam cerca de 40 mil soldados americanos, tinham defesas aéreas insuficientes para protegê‑las de uma retaliação iraniana considerada inevitável.

Israel também não estava preparado para a campanha militar que Netanyahu havia discutido com Trump na reunião de Mar‑a‑Lago, em dezembro. O país precisava de mais tempo para reforçar seu estoque de mísseis interceptadores e posicionar baterias de defesa aérea em todo o território israelense.

Em 14 de janeiro, Netanyahu telefonou para Trump e pediu que ele adiasse qualquer ataque militar até mais para o fim do mês, quando as preparações defensivas de Israel estivessem concluídas. Trump concordou em esperar.

Os dois líderes voltariam a conversar várias vezes nas semanas seguintes. Netanyahu também falou com Vance, Rubio e Steve Witkoff, o principal negociador da Casa Branca com o Irã. Altas autoridades militares e de inteligência de Israel voaram para Washington, e o general Eyal Zamir, chefe do Estado‑Maior das Forças de Defesa de Israel, passou a se comunicar regularmente com o almirante Brad Cooper, do Comando Central dos EUA.

No fim de janeiro, os protestos no Irã haviam sido brutalmente sufocados, mas o planejamento da guerra seguia em ritmo intenso. Os militares americanos apresentaram a Trump uma gama ampliada de opções, incluindo o envio de tropas dos EUA para realizar incursões em instalações dentro do Irã.

Dois porta‑aviões e uma dúzia de navios de apoio zarparam rumo ao Oriente Médio, e o Pentágono deslocou caças, bombardeiros, aviões‑tanque de reabastecimento e baterias de defesa aérea.

Em meados de fevereiro, o Pentágono havia montado uma força capaz de sustentar uma campanha militar de várias semanas.

Naquele momento, Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente, conduziam negociações nucleares indiretas com os iranianos, por ordem de Trump.

Jared Kushner e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, se reúnem com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, em Muscat, Omã, em 6 de fevereiro de 2026. Ministério das Relações Exteriores de Omã/Divulgação via REUTERS

Mas havia sinais de que o governo estava receoso.

“Precisamos entender que o Irã, em última instância, é governado e suas decisões são governadas por clérigos xiitas — clérigos xiitas radicais, OK?”, disse Rubio a repórteres em Budapeste, na Hungria, em 16 de fevereiro. “Essas pessoas tomam decisões de política com base em pura teologia. É assim que fazem suas escolhas. Então, é difícil fechar um acordo com o Irã.”

A mensagem era clara: embora as conversas tratassem de desmontar o programa nuclear do Irã, o objetivo poderia ser a remoção da liderança do país.

Um momento revelador ocorreu quando Witkoff falou à Fox News em entrevista em 21 de fevereiro e descreveu a reação de Trump à relutância iraniana em aceitar “enriquecimento zero” — isto é, desmantelar a capacidade de produzir combustível nuclear.

“Ele está curioso por que eles não — não quero usar a palavra ‘capitularam’, mas por que não capitularam”, disse Witkoff.

Ele acrescentou: “Por que, sob esse tipo de pressão, com o poder marítimo e naval que temos ali, eles não vieram até nós e disseram: ‘Nós declaramos que não queremos uma arma, então aqui está o que estamos dispostos a fazer’?”

“E ainda assim, é meio difícil levá‑los até esse ponto”, afirmou.

Ficou claro, para os conselheiros do presidente, que ele considerava seriamente algum tipo de ofensiva militar. A questão era a escala da campanha e exatamente o que ela buscava alcançar.

Avaliando as opções

General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA 28/2/2026 Divulgação via REUTERS

Em 18 de fevereiro, em um dia anormalmente quente em Washington, Vance, Rubio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, reuniram‑se com Trump na Sala de Situação para discutir o planejamento militar.

Durante a reunião, Caine apresentou uma série de opções. Entre elas, a possibilidade de as forças dos EUA realizarem um ataque limitado como forma de pressionar o Irã nas negociações, ou uma campanha mais ampla com o objetivo de derrubar o governo. Essa segunda opção, em particular, afirmou ele, trazia alto risco de baixas americanas, podia desestabilizar a região e reduzir significativamente os estoques de munições dos EUA.

Caine enfatizou que todas as opções em discussão seriam muito mais complexas do que a bem‑sucedida captura de Maduro, na Venezuela, operação que o presidente via como sinal de possível sucesso americano no Irã.

Joe Holstead, porta‑voz de Caine, recusou‑se a comentar, dizendo que as “opções e considerações” apresentadas ao presidente e ao secretário de Defesa são confidenciais.

Vance, por sua vez, argumentou que um ataque limitado seria um erro. Se os Estados Unidos fossem atacar o Irã, disse ao grupo, deveriam “ir com tudo e ir rápido”.

Um porta‑voz de Vance também não quis comentar.

Antes da reunião, Trump parecia inclinado a uma estratégia de ataque menor, seguido de um maior caso o Irã não abrisse mão do enriquecimento nuclear. Mas os argumentos de Vance parecem ter repercutido. E, nos dias seguintes, mais autoridades se alinharam à ideia de que Estados Unidos e Israel deveriam mirar não apenas os programas de mísseis e nuclear do Irã, mas também sua liderança.

A CIA havia produzido uma série de cenários possíveis caso o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, fosse morto em uma ofensiva. Os relatórios expunham múltiplos desdobramentos, já que o elevado número de variáveis dificultava uma avaliação segura sobre o que ocorreria.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, discursa durante uma coletiva de imprensa em Washington, D.C., EUA, em 1º de outubro de 2025. REUTERS/Kevin Lamarque

Em um cenário, um clérigo linha‑dura substituiria Khamenei — talvez até alguém ainda mais determinado a obter uma arma nuclear. Outro previa uma revolta contra o governo, possibilidade que muitos analistas de inteligência consideravam remota diante da fragilidade da oposição iraniana.

Vários altos funcionários do governo Trump se apegaram a um terceiro cenário: o de que uma facção da Guarda Revolucionária iraniana mais pragmática que os clérigos linha‑dura poderia assumir o poder. Ainda que um clérigo continuasse nominalmente à frente do Estado, esse grupo de oficiais da Guarda é que, de fato, comandaria o país.

Seria uma guinada dramática para um corpo de oficiais que, por quatro décadas, manteve postura profundamente antiamericana e esteve estreitamente ligado à liderança clerical iraniana.

Mas a análise da CIA sugeria que, desde que os Estados Unidos não interferissem nas atividades econômicas dessa facção — como sua influência na indústria petrolífera —, um grupo de oficiais poderia ser mais conciliador em relação a Washington. Poderia até abrir mão do programa nuclear do Irã ou impedir que forças aliadas iranianas atacassem alvos americanos.

A CIA se recusou a comentar.

Havia poucas vozes fazendo lobby contra a ação militar. Uma exceção era Tucker Carlson, podcaster de direita e aliado próximo do presidente, que se encontrou com ele três vezes no Salão Oval no último mês para argumentar contra um ataque.

Carlson listou os riscos para militares americanos, para os preços da energia e para aliados árabes na região caso os Estados Unidos entrassem em guerra com o Irã. Disse ao presidente que ele não deveria se deixar encurralar por Israel, defendendo que o desejo israelense de atacar o Irã era a única razão pela qual os EUA cogitavam um ataque. Incentivou Trump a conter Netanyahu.

O presidente disse entender os riscos de um ataque, mas transmitiu a Carlson que não tinha escolha a não ser participar de uma ofensiva que Israel lançaria.

Depois de deixar a Casa Branca, no meio do dia 23 de fevereiro, Carlson disse a outros que achava que Trump pendia para a ação militar.

Uma última rodada de diplomacia

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ao fundo no Salão Oval da Casa Branca 07/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

A Casa Branca ignorou exigências de alguns parlamentares para que Trump obtivesse autorização do Congresso antes de lançar uma campanha contra o Irã e pouco fez para defender a necessidade de guerra no Capitólio.

Mas em 24 de fevereiro, poucas horas antes do discurso anual do Estado da União, líderes do Congresso que integram o Gang of Eight reuniram‑se numa sala segura no Capitólio para conversar por videoconferência com Rubio e Ratcliffe. Os dois estavam a poucas quadras dali, na Casa Branca, mas os preparativos de segurança para o discurso do presidente tornaram a curta viagem impraticável.

Rubio e Ratcliffe falaram sobre as informações de inteligência que embasavam os ataques, sobre o possível cronograma e sobre uma eventual “saída” — caso os iranianos aceitassem abandonar o enriquecimento nuclear nas próximas negociações.

Ainda assim, Rubio em nenhum momento mencionou que o governo considerava uma operação de mudança de regime.

Na reunião, Rubio argumentou que, independentemente de Israel ou dos Estados Unidos atacarem primeiro, o Irã responderia com uma poderosa barragem de armas contra bases e embaixadas americanas. Portanto, disse ele, fazia sentido que os EUA agissem em conjunto com Israel, já que acabariam envolvidos de qualquer maneira. E Israel, ressaltou Rubio, estava determinado a agir.

Essa lógica soou mal a alguns democratas, que consideravam que o governo Trump deixava Netanyahu ditar a política dos EUA — e construía um argumento circular segundo o qual os Estados Unidos precisavam atacar porque o próprio reforço militar poderia levar o Irã a reagir.

Na quinta‑feira, dois dias após o discurso do Estado da União, Witkoff e Kushner viajaram a Genebra para negociar mais uma vez com Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, fluente em inglês e experiente no trato com americanos.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, discursa em sessão especial da Conferência de Desarmamento nas Nações Unidas, paralelamente às conversas entre EUA e Irã em Genebra, Suíça, em 17 de fevereiro de 2026. REUTERS/Pierre Albouy/File Photo

Os iranianos apresentaram aos americanos um plano de sete páginas com níveis propostos de enriquecimento nuclear futuro — números que alarmaram Witkoff e Kushner.

Os americanos ainda queriam que o Irã se comprometesse com enriquecimento zero e propuseram fornecer combustível nuclear gratuito para um programa civil, mas os iranianos se recusaram, segundo um funcionário dos EUA. Ao término das conversas, Witkoff e Kushner disseram a Trump que não acreditavam ser possível chegar a um acordo.

Naquele dia, Trump recebeu quatro senadores republicanos no Salão Oval para discutir sua agenda legislativa. A conversa acabou derivando para o Irã.

O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, defensor vocal de um ataque ao Irã, disse que o presidente estava frustrado e não achava que os iranianos estivessem interessados em fazer um acordo.

“Acho que o presidente Trump realmente sentiu que precisava buscar a diplomacia, que queria buscar a diplomacia, que a opção militar era a última opção”, afirmou Graham em entrevista. Ele contou ter dito a Trump que não deveria deixar os iranianos prolongarem as negociações por muito tempo.

“Ele estava bem à vontade com a ideia de que tentou”, disse Graham.

Outros acreditam que a diplomacia foi apenas pantomima — fadada ao fracasso desde o início.

Barbara Leaf, diplomata de carreira aposentada que atuou como secretária‑assistente de Estado no governo Biden, responsável pela política para o Oriente Médio, disse que era óbvio que Trump caminhava inevitavelmente para a ação militar, observando que ele havia enviado um segundo grupo de ataque de porta‑aviões para a região durante as conversas.

“Isso era evidência de planejamento de guerra”, afirmou. “Você não precisa disso para ter mais poder de barganha na diplomacia. Eu nunca tive dúvidas de que ele optaria por um ataque militar.”

Um feito de inteligência

Uma mulher segura um cartaz com a foto do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, enquanto pessoas se reúnem após Khamenei ter sido morto em ataques de Israel e dos EUA no sábado, em Teerã, Irã, em 1º de março de 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Na verdade, Estados Unidos e Israel já discutiam um possível ataque na quarta‑feira, véspera das conversas programadas em Genebra. A Casa Branca o remarcou para a noite de quinta‑feira para dar aos iranianos uma última chance de abrir mão de suas ambições de enriquecimento nuclear. Depois, o ataque foi novamente adiado para sexta‑feira, com a ideia de atingir Teerã, a capital iraniana, sob a cobertura da escuridão.

O momento acabou sendo definido por um notável êxito de inteligência.

A CIA, que vinha acompanhando de perto os movimentos de Khamenei, soube que o líder supremo planejava estar em seu complexo residencial no centro de Teerã na manhã de sábado. Altas autoridades civis e militares iranianas também deveriam se reunir no mesmo local, ao mesmo tempo.

A CIA repassou a informação aos israelenses, e os líderes dos dois países decidiram iniciar a guerra com um ousado ataque de “decapitação” em plena luz do dia.

Enquanto voava para Corpus Christi na tarde de sexta‑feira para fazer um discurso sobre energia, Trump deu a ordem oficial.

Ao desembarcar, o presidente deu sinais de que a diplomacia havia chegado a um impasse, dizendo a repórteres que estava “descontente com a negociação”. Por décadas, afirmou ele, o Irã vinha “arrancando as pernas do nosso povo, arrancando a cara do nosso povo, os braços. Eles vêm derrubando nossos navios um por um e todo mês acontece alguma coisa”.

Embora houvesse amplos indícios de que os americanos preparavam uma possível ofensiva, os iranianos acreditavam que um ataque em plena luz do dia era improvável, segundo quatro autoridades do país.

Era manhã de sábado, começo da semana de trabalho no Irã, com crianças na escola e adultos a caminho dos seus empregos.

Os participantes da reunião do Conselho Supremo de Segurança Nacional não sentiram urgência em se reunir em abrigos subterrâneos ou outros locais secretos que pudessem ser desconhecidos por espiões americanos ou israelenses.

Khamenei disse a um círculo próximo que, em caso de guerra, preferia permanecer em seu posto e tornar‑se mártir a ser lembrado pela história como um líder que se escondeu, de acordo com esses interlocutores.

Ele estava em seu escritório, em outra parte do complexo, enquanto os líderes se reuniam. Pediu que o atualizassem assim que o encontro terminasse.

Os mísseis atingiram o local pouco depois de a reunião começar.

c.2026 The New York Times Company

The post “Fúria Épica aprovada. Sem abortar. Boa sorte”: como Trump decidiu ir à guerra appeared first on InfoMoney.

autor de origem

Compartilhar 0 FacebookTwitterLinkedinWhatsapp
postagem anterior
Honor apresenta robô humanoide dançarino na MWC 2026
próxima postagem
Boxe brasileiro abre temporada com 5 pódios em competição na Bulgária

Você também pode gostar

Wellhub renova parceria com Rodrigo Hilbert e reforça...

2 de março de 2026

Nvidia aposta US$ 4 bi em novas tecnologias...

2 de março de 2026

Qual foi a startup chinesa de IA que...

2 de março de 2026

Warburg Pincus investirá até US$1 bi na Global...

2 de março de 2026

POSTS MAIS RECENTES

  • Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares
  • EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio
  • Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado
  • Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)
  • EUA dizem que Estreito de Ormuz não está fechado

Siga-nos

  • Recente
  • Popular
  • Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares

    2 de março de 2026
  • EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio

    2 de março de 2026
  • Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

    2 de março de 2026
  • Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)

    2 de março de 2026
  • 1

    IPVA mais caro do Brasil custa R$ 1 milhão; veja o carro mais caro de cada estado

    20 de janeiro de 2026
  • 2

    Assessor ⁠da Casa Branca diz que novo chair do Fed deve ser “uma pessoa independente”

    22 de janeiro de 2026
  • 3

    CEO da Amazon diz que tarifas de Trump começam a aparecer nos preços de produtos

    20 de janeiro de 2026
  • 4

    O que contratar alguém que passou 20 anos na prisão ensina sobre lealdade no trabalho

    18 de janeiro de 2026

Postagens em destaque

Eduardo Leite foca em despolarização caso dispute a...

2 de março de 2026

Wellhub renova parceria com Rodrigo Hilbert e reforça...

2 de março de 2026

Motorista da Uber viraliza ao criar jogo sobre...

2 de março de 2026

A conta da guerra do Irã: drones de...

2 de março de 2026

Técnicos da Câmara Legislativa do DF recomendam rejeitar...

2 de março de 2026

Leitura obrigatória

  • Canais de TV do Paquistão são hackeados e exibem mensagens antimilitares

    2 de março de 2026
  • EUA x Irã: confira tudo o que aconteceu no 3º dia de conflitos no Oriente Médio

    2 de março de 2026
  • Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

    2 de março de 2026
  • Netflix recebe 10 filmes e séries de peso na semana! Veja lista de lançamentos (2)

    2 de março de 2026
  • EUA dizem que Estreito de Ormuz não está fechado

    2 de março de 2026

Newsletter

Posts relacionados

  • Wellhub renova parceria com Rodrigo Hilbert e reforça estratégia de bem-estar

    2 de março de 2026
  • Nvidia aposta US$ 4 bi em novas tecnologias para turbinar data centers de IA

    2 de março de 2026
  • Qual foi a startup chinesa de IA que aumentou o faturamento em 159%?

    2 de março de 2026
  • Warburg Pincus investirá até US$1 bi na Global Eggs

    2 de março de 2026
  • Novo Nordisk faz promoção de Wegovy e reduz preços antes de queda da patente

    2 de março de 2026

Mais vistas da semana

China: Embarque de petróleo de Irã e Rússia reduz impacto do conflito em refinarias
2 de março de 2026
Ceron diz que alta do petróleo até US$ 85 não deve gerar pressão inflacionária
2 de março de 2026
Campeonato Mundial de Excel: conheça torneio com Brasil na disputa
2 de março de 2026

Postagens Aleatórias

Galaxy A57 tem detalhes revelados com melhorias pontuais, segundo certificação
20 de janeiro de 2026
Overwatch vai mudar rosto da heroína Anran após polêmica! Entenda controvérsia
12 de fevereiro de 2026
Produtor Thiago Pugas fala de trajetória ao lado de Carlinhos Brown
16 de fevereiro de 2026

Categorias Populares

  • Tecnologia (1.339)
  • Política (962)
  • Mundo (898)
  • Economia (382)
  • Negócios (378)
  • Campinas (368)
  • Auto (305)
  • Bragança Paulista (290)
  • Esporte (162)
  • Cultura (155)

Notícias de São Paulo e do mundo, em tempo real. Cobertura completa de política, economia, mercado, cidades e assuntos que importam — com contexto e credibilidade.

Facebook Twitter Instagram Linkedin Youtube

Copyright © 2026 SampaNews. Todos os Direitos Reservados.

  • Anuncie
  • Contato
  • Política de Privacidade
sampanews.com
  • Home