
O mercado de trabalho abriu 2026 com fôlego, com a criação de 112.334 vagas formais de emprego em janeiro. O número positivo é resultado direto de 2.208.030 admissões contra 2.095.696 desligamentos no período. Esse desempenho superou as projeções de economistas, que aguardavam a geração de 92 mil a 95 mil postos após um 2025 de recordes.
Apesar do saldo otimista na margem, especialistas alertam que o cenário macroeconômico aponta para uma moderação gradual no ritmo de contratações ao longo do ano.
Recomposição após dezembro fraco
O volume de contratações de janeiro reflete, em grande parte, um movimento de recomposição após um mês de dezembro mais fraco do que o esperado. O saldo de empregos passou de -42 mil em dezembro para +113 mil em janeiro, pontua a XP, com média móvel de 3 meses em torno de 60 mil vagas.
“A nosso ver, mudanças nos fatores sazonais desde a pandemia e o posicionamento dos feriados de Natal e Ano Novo no meio da semana explicam, em boa medida, a surpresa negativa [em dezembro]. Em suma, nossa expectativa de compensação (payback effect) em janeiro se confirmou”, avalia a XP.
Todos os setores mostraram recuperação no início de 2026. A XP destaca que Serviços passou de 19 mil para 47 mil novas vagas; Comércio foi de -12 mil para 28 mil; Construção saiu de -15 mil para 24 mil; e Indústria foi de -7 mil para 18 mil. Já a Agropecuária manteve saldo líquido de 4 mil vagas.
Segundo avaliação da equipe econômica do Bradesco, o resultado acelera em relação ao fim do ano passado, contudo, “não altera o fundamento de uma economia crescendo num ritmo mais lento”.
Indústria lidera contratações
Na análise dos dados por setor, observa-se que o principal motor de contratações em janeiro foi a indústria, responsável por gerar 54.991 novos postos de trabalho.
A construção civil também apresentou forte desempenho, adicionando 50.545 vagas à economia. O setor de serviços registrou a abertura de 40.525 vagas, enquanto a agropecuária somou 23.037 postos.
Na contramão, o comércio foi o único segmento a apresentar fechamento líquido de vagas, amargando a perda de 56.800 postos. Durante coletiva de imprensa, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, justificou o dado lembrando que “janeiro, no comércio, costumeiramente é negativo”.
Leonardo Costa, economista do ASA, reforça a análise, indicando que o movimento de demissões é compatível com o padrão sazonal pós-contratações de fim de ano.
Renda em desaceleração
Apesar da criação de vagas maior que o projetado, o crescimento dos salários foi modesto. A XP destaca que o salário médio de admissão nominal cresceu 6,1% em janeiro, se comparado ao mesmo mês do ano passado – percentual abaixo da média de 7% observada nos três meses anteriores.
O salário médio de desligamento nominal avançou 6,7% na comparação anual, próximo da média de 6,6% nos últimos três meses de 2025, comparado ao mesmo período de 2024.
Em termos reais, o salário médio de admissão recuou 0,1% em janeiro— a primeira queda desde julho —, enquanto o salário médio de desligamento subiu 1,1%.
Perspectivas para 2026
Mesmo com o alívio mensal, a análise do histórico recente evidencia uma perda no ritmo de criação de vagas formais. André Valério, economista sênior do Inter, aponta que o saldo acumulado em 12 meses atingiu o seu menor patamar desde março de 2021.
“Tipicamente, janeiro é um mês com sazonalidade com a recontratação de muito dos trabalhadores temporários demitidos em dezembro, entretanto, ainda vemos a tendência de desaceleração na criação de empregos, com o acumulado em 12 meses alcançando o menor valor desde março de 2021”, pondera.
Ele ressalta que o mês de janeiro de 2026 foi o pior janeiro desde 2023 após um dezembro pior que o esperado. Isso evidenciaria um ambiente econômico levemente mais fraco. Ainda assim, o analista pondera que o mercado de trabalho se mantém muito robusto, o que deve garantir uma taxa de desocupação baixa ao longo deste ano.
Atualmente, o estoque total de vínculos celetistas no país soma 48,6 milhões de trabalhadores.
Para os próximos meses, a expectativa geral é de que o emprego formal continue sendo o componente mais resiliente frente à desaceleração da atividade econômica.
A XP projeta a criação líquida de aproximadamente 900 mil empregos formais em 2026, com a taxa de desemprego encerrando o ano na casa de 5,6%.
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