
Miami, na Flórida, poderia ser confundida com a Avenida Faria Lima por alguns momentos nesta última semana. Além do clima de garoa – pouco típico para a região e período do ano – parte do mercado financeiro brasileiro circulava por Brickell, um bairro que concentra uma série de bancos, corretoras e gestoras e, a partir desta semana, abriga também a nova sede da XP Inc em Miami: um escritório três vezes maior que o anterior, para acomodar o crescimento da operação, que já comporta mais de 100 profissionais, além de receber clientes, parceiros e a imprensa.
“Houve algumas ondas de desenvolvimento da cidade e, mais recentemente, uma aceleração no reconhecimento da Flórida como um destino viável não apenas para famílias durante as férias, mas para as empresas também, já que o estado é um dos poucos que não possui tributos estaduais”, explica Marcelo Coscarelli, head de private wealth management internacional na XP Private Bank.
O movimento da XP, de crescimento e solidificação da unidade em Miami, não é isolado. Muitas outras empresas começaram a ser atraídas para a cidade que sempre foi um destino internacional de férias mas ainda possuía população flutuante – especialmente durante o inverno no hemisfério norte, quando recebia a maior parte de seus turistas, proprietários de casas de veraneio.
O processo acontecia de forma lenta, porém constante, o que rendeu para a cidade o apelido de “Wall Street do Sul”. A pandemia de coronavírus, porém, acelerou o processo. Muitos vieram para passar os períodos mais críticos de lockdown, fugindo do clima frio, e perceberam que poderiam ficar, explica Ricardo Saccardo, head comercial da XP Private Bank.
Ken Griffin, fundador e CEO da Citadel, gigante americana de hedge funds com mais de US$ 69 bilhões em ativos sob gestão, está entre aqueles que se mudaram para o sul da Flórida durante a pandemia e, agora, financia uma nova campanha para levar outros a seguirem seus passos. O incorporador Stephen Ross, que também é proprietário do time de futebol americano Miami Dolphins, também faz parte do movimento.
A dupla aportou US$ 10 milhões para a iniciativa “Ambição Acelerada”, que inclui publicidade e ações de relacionamento comparando Miami e arredores com cidades do nordeste e do oeste dos EUA. Em um comunicado, Griffin escreveu que “Miami e a mais ampla Costa Dourada do sul da Flórida oferecem um profundo reservatório de talentos, clareza regulatória e uma qualidade de vida extraordinária”. Para o fundador do Citadel, “esses não são aspectos secundários; são bases para o sucesso de longo prazo.”
No comunicado de lançamento da campanha, Ross escreveu que “em gerações anteriores, havia um número limitado de cidades americanas onde as empresas podiam acessar oportunidades e crescer em escala”, por esta razão, ele explica, começou sua carreira construindo seus negócios nestas cidades. E complementa: “Mas, para mim, está claro que a próxima geração de empresas pertence à Costa Dourada da Flórida, de West Palm Beach até Miami.”
Aquecimento imobiliário
A chegada de diversas empresas – e seus respectivos fundadores, gestores e funcionários – tem aquecido o mercado imobiliário local. A própria Citadel, por exemplo, está construindo uma nova sede de US$ 2,5 bilhões no distrito financeiro de Brickell. Projetado pelo escritório Foster + Partners, o arranha-céu à beira-mar terá ao menos 50 andares.
Entre os imóveis residenciais, os preços também aumentaram. O casal Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, entraram para a história do mercado imobiliário de Miami ao adquirir uma mansão de US$ 170 milhões em uma ilha privada em Biscayne Bay. Segundo informações da Bloomberg, o imóvel localizado no número 7 da Indian Creek Island Road é a casa mais cara já vendida na cidade.
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Em Indian Creek, Zuckerberg terá como vizinhos o fundador da Amazon Jeff Bezos, o investidor Carl Icahn, o ex-jogador de futebol americano Tom Brady, e Ivanka Trump e Jared Kushner. A ilha, contudo, não é aberta para curiosos: apelidada de “bunker dos bilionários”, a região funciona como um município independente, com ruas, country club e campo de golfe fechados ao público.
Nas últimas semanas, outros nomes conhecimentos circularam entre novos proprietários de imóveis na região. Larry Page comprou três casas no bairro Coconut Grove, em Miami, por cerca de US$ 190 milhões, enquanto Sergey Brin adquiriu uma mansão de aproximadamente US$ 50 milhões na Biscayne Bay.
Poucos dias atrás, Howard Schultz, ex-CEO do Startbucks, também anunciou, pelo LinkedIn, que estava deixando Seattle rumo a Miami após 44 anos no estado de origem da rede de café, Washington. Segundo o Wall Street Journal, ele pagou cerca de US$ 44 milhões por uma cobertura de aproximadamente 510 m² no Surf Club, Four Seasons Private Residences, em Surfside, na Flórida.
Alex Karp, CEO da Palantir Technologies, cuja sede também será fixada na cidade, já é outro proprietário de um imóvel na região. A Palantir é uma empresa de software parceira do governo americano em desenvolvimento de tecnologia de defesa. Em um post no X, a companhia anunciou a mudança da sede de Denver para a “Wall Street do Sul”.
“Miami é o novo polo financeiro do mundo. Não é exagero comparar a cidade com Nova York em termos de centro decisório de negócios”, resume Coscarelli.
*a jornalista viajou a convite da XP
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